Porque cada passo que damos é para frente

Porque cada passo que damos é para frente Corre, porque o tempo passa rápido e não podemos mais perdê-lo com o que passou. E, convenhamos, não há sentido algum eu ficar aqui, debaixo desse edredom, sozinho. Coloca logo essas pernas sobre as minhas e deita a cabeça no aconchego do meu peito. Já vai começar o filme e, nem interessa se é bom ou ruim. Basta adormecermos juntos antes de as letrinhas subirem na tela. Pra quê se preocupar com o final da história? Deixa o roteiro nos mostrar que somos bem melhores que os personagens de qualquer drama. O que me importa mesmo agora é roncar bem alto o meu amor em seus ouvidos, enquanto você me ressona a paz de simplesmente estar comigo.

Vem, gruda em mim. Eu saio do meu mundo para viver mais no nosso, pois deixei de ser egoísta. Me deixa morar aí dentro do seu coração. Nem precisa pedir garantias ou carta de locação. Porque quanto mais eu lhe encontro, menos eu lhe busco. Ah, esquece. Não sou de cobrar ou pedir nada. Mas, sabe… é que eu quero mesmo lhe beijar com meu olhar de menino. E lhe entregar meu sorriso escancarado quando lhe vejo me esperando no ponto de ônibus. Pois tudo com a gente é tão simples, que até churrasquinho na esquina vira jantar romântico, mesmo sem luar. E você sabe que o seu abraço é a espaçonave mais confortável para me fazer flutuar.

Voa, sem medo. Pros meus braços tentáculos que não querem lhe prender, apenas lhe dar abrigo. Quero me livrar das ideias tortas que li num livro de autoajuda e fazer poesias para você. Bem melhores que as citações do Google ou alguma frase clichê. Só sei que já não quero mais estar errado quando sei que tudo o que mais preciso é de você ao meu lado. Pois descobrimos que sozinhos não faz o menor sentido tentar ser feliz. Mesmo que a felicidade se resuma a só querer estar junto para sempre, da maneira que for. E se isso lhe basta, meu amor, me dê sua mão e vamos embora. Porque cada passo que damos é para frente. Então corre! Porque o nosso filme já recomeçou.

Bruno Cazonatti

agosto 28, 2014 at 4:22 pm Deixe um comentário

Sofá

SofáAcordei tarde, com o bafo de anteontem. Dormi ali mesmo, no meu sofá encardido. Dane-se a coluna. Me olhei no espelho e constatei que já não valho mais do que aquela gosma branca, que desce e sobe pelo canto da boca enquanto falo sozinho dormindo. Sinto-me inútil ao bocejar novamente. Durmo, não sonho. Este gosto amargo na língua, essa ressaca forte explodindo na cabeça… mas que merda! Queria um café, mas só tem cerveja quente. Um gole do resto na lata, um trago na ponta do fumo. Pronto, o melhor café da manhã dos moribundos, degustado em frente à TV, zapeando os canais da minha mente em preto e branco.

Num piscar de olhos, perdi tudo. Desacreditei no amor e na fé. Desperdicei pedidos em oração e escrevi poesias inúteis. Cansei de fazer promessas, resolvi viver me enganando, com essa barba falha por fazer e recomeçando as velhas coisas que jamais vou terminar. Das que empurro com a barriga enquanto procuro perguntas sem respostas, saca? Acabei por reencontrar sentimentos que já não têm mais perspectivas de que vão durar. Preciso respirar! O vidro quebrado da janela é o único que deixa o ar entrar. O sol não, pois deixo a cortina sempre fechada. Não me importo mais se é dia ou se tem lua no céu. Tanto faz.

O problema é a maldição de me recordar sempre do que preciso esquecer, me deixando esquecer de tudo o que realmente preciso me lembrar. Aquela coisa de querer ter você sem precisar justificar ou dizer nada. Puta coisa simples, cara! Estar com você me basta. Ah, e também basta colocar novas cores na parede, trocar a lâmpada queimada do quarto e comprar um sofá novo. Um sofá que precisa de você sentada nele, rindo de mim enquanto finjo ser cult assistindo filme nerd. Um sofá que precisa ser a extensão do meu corpo pra você se aconchegar. Pra ficar ali, esperando você voltar. Um sofá só nosso, sem o ácaro causador dessa alergia que tenho de tentar ser feliz.

Bruno Cazonatti

agosto 20, 2014 at 8:42 pm Deixe um comentário

Pra quem ficou para o vento

Pra quem ficou para o ventoTempo que corre pra frente
Passado que fica recente
A dor que ficou assola
Meu lugar agora é na sua sola
Me pisa!

Querer nem sempre é para o bem
Da lembrança ruim, sou refém
Quando me faltam motivos, porém
É a certeza do quanto ainda preciso de você
Vem!

Pra quem ficou para o vento
A paz chega aos poucos, com o tempo
Pra quem ficou para sempre
Resgato o que já chamei de amor
Certamente!

Tempo que corre pra trás
Futuro que fica presente
Paixão de mentira faz mal
Poderia ter amado você.
Tchau!

Bruno Cazonatti

agosto 18, 2014 at 9:10 pm Deixe um comentário

Troquei seu perfume por um engradado de cerveja barata

superluaEu vi e admirei a super lua radiante, brilhando enorme naquele manto negro do céu de saudade. Escuro, tipo o café que curou da ressaca de um amor inexistente. Porra, me deu até vontade de escrever um belo texto de amor. Mas que se foda, sabe? Essa coisa toda de romantismo e ternura não existe mais. Só existe amor no Tinder, interação virtual que dispensa saliva. Bem putão, saca? Tipo os meus personagens. Ah, logo eu, quem deveria acreditar mais em foda do que em fada, pra nunca ousar trocar ouro por bijuteria barata. E essa coisa falsa dourada, tipo a luz imprópria desta lua, e também a cor dos fios de cabelos pintados das putas, essas coisas que, porra, é tudo uma baita mentira poética.

Besteira pura essa minha capacidade de redigir texto em forma de arma, que nunca atira e falha. Rascunhar um verso tolo pra fingir que me esqueci do seu rosto, gosto e cheiro. Pra quê, se eu já troquei seu perfume por um engradado de cerveja barata? Entretanto, guardei rabisco num pedaço de guardanapo sujo , escrito que ainda te amo por nós dois. Só para me confortar, ao relembrar que vi a porra da super lua e não me esqueci, quase, de tudo. Porém, hoje, prefiro meu silêncio repleto de certezas, meu sorriso disfarçado e bobo, nunca mais tolo, que camufla a minha impureza nas antigas vontades. Tudo isso regado à cevada, por causa  da maldita super lua, radiante, brilhando enorme naquele manto negro do céu de saudade…

Bruno Cazonatti

agosto 12, 2014 at 7:54 pm Deixe um comentário

Balela em papel de bombom

Balela no papel de bombomEle sabe que não errou, mas, que se excedeu. E fez com que a pressa engolisse a calma. Tudo rápido e novo, tipo miojo que camufla a fome e não alimenta. Pensou que saudável era aquela paixão nervosa, afobada, de quem pensava querer ter, ou até mesmo ser, um amor. Ah, que papo mais besta! Amor jamais poderia existir sem reflexo e, quantas vezes tudo ficou embaçado, sempre tendo que passar a mão no vidro pra enxergar seus olhos após um banho quente. Ducha de água fria! Nem sempre um abraço piedoso aquece mais que toalha, macia e com cheiro de amaciante.

Na perda, na dor, ele reconheceu que tudo foi tão depressa, sem retorno ou real identificação. Ah, e aquela atitude desleal… desculpas forjadas em verdades construídas à base de mentiras, que nem aquelas informações nutricionais dos alimentos repletos de gorduras trans. Coçou a pele e, sem querer, arrancou uma casquinha. Feridas que se fecharam, mas que voltam à tona pelas cicatrizes. Dói, pode coçar que dói. Pra cacete! E todas as sensações camuflam o sentimento verdadeiro, pois aquela vontade de resolver velhas angústias do passado sempre impede a simplicidade de se viver algo sem amarras ou mertiolate. E sempre quem é tolo, precipitado, paga a conta sozinho. Assopra que melhora!

Tipo aquele vinho largado no fundo da prateleira de despensa, do qual beberam apenas uns goles. Se tivessem bebido tudo, ele jamais se estragaria. E nem era preciso toma-lo numa taça de cristal, o que mais importava era o embriagar sem se importar com a ressaca. Viver sem que o medo matasse os sonhos, por mais etílicos que eles fossem. Ic! Sorte que a safra era nova e, o tempo, rapidamente faz esquecer o gosto. Ainda bem que sempre preferiu a cerveja.

Baita dor de corno, daquelas que machuca mais quando se sabe que não errou. Mas ele aprendeu, numa recém-malandragem, que as decepções abrem as brechas para o amor verdadeiro. Tipo o amor dito em frase enrolada no papel de bombom, ensinando, pifiamente, que ser feliz é fazer o outro feliz. Balela! Ele sabe só foi apressado porque o coração sempre bateu rápido por ela.

Bruno Cazonatti

agosto 4, 2014 at 9:12 pm Deixe um comentário

Nunca terminar de começar


recomeçar
Quando os caminhos se perdem, é preciso voltar ao começo. Refletir, analisar, achar o que desviou a nossa paz. Aceitar os erros, perdoar os deslizes, reconhecer a imperfeição.

Papo de refazer o contrato, estabelecer novas metas que fortificam e garantem um acordo para sermos  felizes. E nós não temos apenas o tempo, mas sim, toda a vida para realizar os nossos sonhos.

Basta apenas que você queira estar comigo, do jeito que sou, do jeito que for. Como eu quero estar com você da maneira que você é, seja para o que Deus quiser.

Tem que ser bom para nós e, assim, nunca mais desatar nossos nós. A vida é feita para isso, se encontrar, se perder, se reencontrar e seguir, a cada amanhecer e pôr do sol.

Abri os olhos e levantei, pois nem sempre é o despertador que nos acorda na melhor hora do sonho, ou na pior do pesadelo. Mas, tal qual ditado, cada novo dia é uma chance pra ser melhor que ontem.

Hoje aprendi que é preciso nunca terminar de começar.

Bruno Cazonatti

julho 21, 2014 at 9:17 pm Deixe um comentário

O adeus que não merece um poema.

FIM O coração dele ainda estava cheio dela. Transbordava sentimentos, sem medos de errar por demasiado bem querer. E sempre a quis, tanto, tanto… Aquele cheiro, que somente ele sentia, exalava um perfume de aroma raro, desses que não se guarda em frasco e só se conhece uma única vez na vida. Tudo era tão ótimo, que se fosse bom, sempre era menos do que eles mereciam. Intenso, rápido e certeiro. Viviam toda uma harmonia que surgia de tudo o que é simples, das coisas puras de quem não precisa buscar pela perfeição.

O abismo era a bagagem. Na mala, as dores passadas misturadas ao medo tolo, sempre a fazendo ser menos. Levava sempre o seu passado-presente no bolso, guardando-o sempre para sabe-se lá o quê. Nunca se desfez do que deveria ter deixado no pretérito, preterindo o presente que, só foi notado realmente, quando o perdeu e, fez dele agora, o seu novo passado. Amou-a, sem medir a hora de dizer “eu te amo”, sob as luzes do sol e o brilho da lua. Sem motivo algum, sem cobrar nada. Sem razão para o pertencimento, sem elos, sem amarras.

Era um errado que deu certo, tudo aquilo que o moveu depressa rumo a ela. E logo o coração dele arrumou espaço para recebê-la, para sempre tê-la… Fez dela, sua morada. E ele sempre acreditou e lutou por um “nós”, algo que deveria existir, mas, que falhou muitas vezes por faltar o ela. Tolo ele, que enquanto traçava planos para ser um casal feliz, ela voltava ao passado. Mas, nunca daria certo se só apenas um deles quisesse de verdade. Não teve sentimento-reflexo, o medo calou o desejo.

E quando ele estava dando conta de que, talvez, tivesse realmente encontrado tudo aquilo que sequer esperava, aquela mulher com que seria capaz de sonhar – e realizar – uma vida inteira, derrubou-o como se ela fosse uma adolescente em crise de existência. Trocou-o pelo futuro do pretérito, após cair em si, tal uma religiosa que comete seus pecados, pelos simples fatos de querer sempre viver se arrependendo deles.

Ele ficou com a dor aguda no peito dilacerado, por saber que viveram coisas tão simples e fantásticas, e que até poderiam ter vivido, mas o tudo deu em nada. Sobrou para ele a experiência e o aprendizado, ciente de que jamais falhou por entregar tanto amor, mas talvez por não viver e nem deixa-la viver seu luto de um amor mal curado. Hoje, ele ainda não sabe o que dizer quando perguntarem sobre ela, que tanto parecia ser dele. Assim como tudo que ela fala hoje, não é tudo que ela quis dizer ontem.

Resolveu se perder de amor por ela, e ela resolveu perdê-lo. Mas ele nunca mais perderá seu tempo com sofrimento, tempo este que também serve para curar a abstinência de tudo que foi bom. Não quer mais saber de seus sorrisos com suas piadas, dos suspiros com seus beijos, do sincronismo e das suas formas de encaixar seu corpo junto ao dele. Nem quer mais seu cheiro em suas camisas ou nas fronhas do travesseiro. Porque agora ele resolveu chorar, apenas por ele. E decidiu parar de querê-la, mas não de falar a verdade. Porque se não fossem as verdades, ninguém viveria de mentiras…

julho 7, 2014 at 8:00 pm Deixe um comentário

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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  • Obrigado, São Judas. Sobrevida ao Zé. Time que quer ser campeão não pode depender de sorte. 2 days ago
  • Já está na hora de pedir um Waldermar Lemos no lugar do Zé Teimoso Ricardo. 2 days ago
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  • Desde a Era Bruno não tínhamos um goleiro de alto nível. Bem vindo, Diego Alves! Goleirão @Flamengo! Enfim uma realidade, chega de apostas! 1 week ago
  • São dois times que brigam por título. Hoje perdemos.Faz parte, não existe time invencível. Tem muito campeonato pela frente. Nada acabou. 1 week ago