Posts filed under ‘Ácidos’

Toaster

É a photo-33fila pra voltar para casa, o povo entupindo a condução, e o estúpido sem fone de ouvido compartilhando o estampido do seu batidão. É rima, é cisma. Deu opinião contrária, pronto, já virou fascista. É a falta que você me faz, é o cartão vermelho pela falta por trás. Expulsão de sentimentos sem timbre, a voz acabou com outro gol do meu time. Impedido. Outra selfie moldando o sorriso, disfarçando a tristeza com cores de filtro.  É a lembrança, é a casca da ferida. É o Papa nos dando esperança e, por que não, alegria. É o dogma da sobrevivência, e a minha teoria sobre tudo. A sacana pornografia compartilhada no grupo. É o breve que deveria durar, como o fim do pacote de dados do meu celular.

Bruno Cazonatti

julho 14, 2015 at 10:26 pm Deixe um comentário

Bang!

BangComo um tiro. A memória que arde no peito tipo uma bala. Queima. Com olhos comprimidos, me pego com os dentes mordendo o lábio inferior. Finjo não sentir o que o tempo cicatrizou. Sangue. Bombeado rápido nas veias, acelerando o palpitar do coração. Pressão sobe, mãos gelam. Dor. No peito, não na consciência. Como quem paga uma puta e não pede troco. Sano a dívida do jogo, mas a vida cobra caro e não parcela os juros. Prometo. Nunca mais arriscar quando sei que o erro é certo. Troco a música no ipod pro som me levar pra longe. Vivo. Personagem sofrido em música feita para outros amores. Uma selfie postada sem filtro com legenda salpicada de mensagem subliminar. Sorriso em polaroide fingindo felicidade. Aquele check-in em rede social para dizer onde estou. Aonde vou? Rodo em círculos no caminho que escolhi. Escolho por me prender dentro do lugar em que todos querem sair. Pra me entorpecer e me esquecer da bala que arde em meu peito. Memória. Para arrancá-la de mim no estampido. Como um tiro.

Bruno Cazonatti

outubro 28, 2014 at 8:21 pm 1 comentário

O fundo do poço como aconchego

Fundo do poço como aconchegoEntão é isso. Somos feitos do que sobrou. Resto de sonhos estilhaçados, com os nossos reflexos num pedaço obtuso de vidro quebrado. Resquícios de escolhas que nos levaram a esquecer do que já foi exatamente perfeito. Perfeito nos defeitos, nas formas e na sintonia. Nos medos. De arriscar, de desatar amarras, de se entregar. Mas deixamos as coisas boas lá no fundo da gaveta, quase esquecidas, tudo para acelerar a cicatrização das feridas. Perdemos apenas as coisas que realmente nunca foram nossas e, se hoje mantemos as que não nos pertencem mais, sinal que verdadeiramente fracassamos no projeto de felicidade. Tudo em nome do comodismo!

Sobrou coragem para dar um basta e o fundo do poço como aconchego. A sagrada fossa que nos ensina. Amém. E mesmo que a fé seja falha, faço o sinal da cruz na frente de cada igreja que passo. Pois fui do céu ao inferno na mesma velocidade que corre a areia na ampulheta, daquelas de plástico mesmo, tipo as dos jogos de infância. Mas o mundo real é mais dolorido e nem sempre temos outra oportunidade de rodar a roleta. Uma cartada errada e o jogo acaba, criança. Segunda chance, só no videogame. E na marra a gente aprende, antes que outro cartucho queime. Daí a resposta chega quando nos rendemos e sabemos que este é o sinal derradeiro da desistência, pois a paz só vem no equilíbrio.

Traz outra cerveja, pois o tempo desaba, trovejando forte e imponente. Embriaguemos a alma enquanto tudo se inunda lá fora. Aqui dentro, apesar de o peito já não arder, o coração galopa a cada gota de lágrima da chuva. Mas não esquenta, pois já já o sol retorna, renasce radiante, como quem chega para desarmar essa nossa cara fechada com seu sorriso amarelo de raios ultravioletas. Gargalha agora, tenta. Esse é o som perfeito que camufla tudo o que desmorona em silêncio. Perfeito como éramos, com nosso brilho apagado no momento em que tivemos medo de sermos esquecidos. E agora só me lembro de que somos tudo que restou. Feitos de tudo o que sobrou. E então, é isso.

Bruno Cazonatti

outubro 22, 2014 at 6:09 pm Deixe um comentário

Amor não é para ocupar o tempo

Amor não é para ocupar o tempoPuta. Ela sempre foi, porém menos por querer e mais pela necessidade. Uma quenga. Cobrava caro, era o justo. Todo aquele um metro e setenta e oito que merecem mesmo serem descritos por extenso. Peitão que vazavam por um decote safado. Aliás, me recordo bem dos mamilos. Marrons, o que de fato denunciava sua falsa loirisse. E as coxas? Grossas e bronzeadas, mas não tão grandes quanto a bunda, empinada, e de fazer qualquer lua cheia, minguar. Uma delícia que valia quase os 30% do salário do mais moribundo trabalhador, sedento por míseros sessenta minutos de prazer sem sentimento. O duro era isso, o tal sentimento. Impossível não se apaixonar. Pois ela estava mais para uma Roxanne, do The Police, que para uma Dirty Women, do Black Sabbath.

O mais complicado é que ela sabia exatamente como jogar. E quando murmurava aquele “eu te amo”, você era capaz de se achar o mais maravilhoso dos clientes. Logo eu, que não acredito mais no amor, virava crente ortodoxo e fervoroso defensor desta coisa do coração. Nossa… e quando ela sussurrava isso em meu ouvido, me sentia o pica das galáxias! Melhor até que um personagem sagaz de qualquer conto de Nelson Rodrigues. E era linda, como era linda aquela mulher! Perfumada, batom forte nos lábios, hidratante importado na pele. Doce. E ainda por cima, muito aconchegante. Sabia emprestar seu ombro para escutar os meus lamentos, incorporando aquela psicóloga gostosa que todo mundo gostaria de foder.

O pagamento era em cash. Sempre cobrava em dinheiro. Era exigente, claro. Valia a pena cada centavo. Também valia a pena ver seu sorriso ao me olhar, babando, enquanto ela se despia sem vergonha. O que me deixava mais triste era a mentira, pois ela sempre afirmava que aquela era a sua primeira experiência. Talvez, assim, ela quisesse me fazer sentir especial. Nunca me chamava pelo nome, apenas por adjetivos. Eu também nunca soube a sua verdadeira graça, pois ela sempre usava a alcunha das protagonistas de novelas das oito. E isso me fazia apaixonar.

E ainda me fez promessa. Jurou largar aquela vida na hora em que encontrasse o homem que seria o seu melhor um dia. Assim como ela é todo dia a melhor para seus tantos outros. E quando encontrasse esse homem, lhe seria sempre fiel. Desmoronei. Porque ela me alugava o seu corpo, mas jamais me venderia a sua alma. E me disse também que, mês que vem, não tem espaço para mim em sua agenda. Sutilmente ensinou-me que o amor não é para ocupar o tempo, mas sim, desocupar. E foi aí que me dei conta de que a puta na verdade, era eu. Vadio!

Bruno Cazonatti

outubro 1, 2014 at 7:01 pm Deixe um comentário

É a vida feita para quem não é fraco

É a vida feita para quem não é fracoÉ o despertador que toca, um aperto no soneca e outro atraso está garantido. Um trem que já vem lotado, o email não respondido e o tempo que já se perdeu. A espera que deu sono, outro copo de café e uma nova mensagem no WhatsApp. É uma crise de identidade, um pesar na consciência e um aperto no peito. São lembranças singelas dos nossos melhores momentos, registrados juntos com minhas pornografias no celular. Tarado! Uma nova amizade conquistada, um beco sem saída e o coração dilacerado. É menos açúcar no sangue e sal na comida. É a moda do suco verde. Mais confiança diante do espelho, menos maquiagem em corrente da rede social. Menos fé no amor sem atitude, mais saúde em brindes no bar.

É uma fuga da estrada, um avanço de sinal e carteira perdida na Lei Seca. Um disfarce de saudade que não bateu, outro sorriso bobo e uma piada censurada. Um monte de frases que só começa com eu, verbos que se conjugam sem o nós e indiretas postadas no twitter. É um emaranhado de sensações, o embrulho no estômago e um presente de grego. Otário! É algo que foi breve e deveria durar. Filas nas portas de restaurantes, dentes brancos com hálito puro e promessas de vida nova em fotos nunca reveladas. É poesia nas flores murchas de um buquê no lixo, ligação não atendida e o desaprender dos meus limites. Para mais paixões avassaladoras e relacionamentos doentios.

É o acaso que nunca aconteceu, um medo maior que meus sonhos e o destino pregando suas peças. É Deus dando risada enquanto faço planos. Outro selfie para o Instagram, comentário banal sobre política e violência baseada na intolerância. O vencimento da carteira falsa de estudante e uma vida que não me deu o desconto da meia entrada. Mais um avião que decola, outra carta que não foi enviada e a restituição do imposto retido na malha fina do leão. Ladrão! Aquele sonho que nunca se realizou, a certeza da perda de quem nunca ganhou e porta batida que nunca emperrou. . Foi tudo o que eu deveria ter sido, mas quando o despertador tocou, apertei o soneca e me atrasei para tudo o que lembro do que não vivi, o suficiente para esquecer.

Bruno Cazonatti

setembro 3, 2014 at 9:33 pm Deixe um comentário

Sofá

SofáAcordei tarde, com o bafo de anteontem. Dormi ali mesmo, no meu sofá encardido. Dane-se a coluna. Me olhei no espelho e constatei que já não valho mais do que aquela gosma branca, que desce e sobe pelo canto da boca enquanto falo sozinho dormindo. Sinto-me inútil ao bocejar novamente. Durmo, não sonho. Este gosto amargo na língua, essa ressaca forte explodindo na cabeça… mas que merda! Queria um café, mas só tem cerveja quente. Um gole do resto na lata, um trago na ponta do fumo. Pronto, o melhor café da manhã dos moribundos, degustado em frente à TV, zapeando os canais da minha mente em preto e branco.

Num piscar de olhos, perdi tudo. Desacreditei no amor e na fé. Desperdicei pedidos em oração e escrevi poesias inúteis. Cansei de fazer promessas, resolvi viver me enganando, com essa barba falha por fazer e recomeçando as velhas coisas que jamais vou terminar. Das que empurro com a barriga enquanto procuro perguntas sem respostas, saca? Acabei por reencontrar sentimentos que já não têm mais perspectivas de que vão durar. Preciso respirar! O vidro quebrado da janela é o único que deixa o ar entrar. O sol não, pois deixo a cortina sempre fechada. Não me importo mais se é dia ou se tem lua no céu. Tanto faz.

O problema é a maldição de me recordar sempre do que preciso esquecer, me deixando esquecer de tudo o que realmente preciso me lembrar. Aquela coisa de querer ter você sem precisar justificar ou dizer nada. Puta coisa simples, cara! Estar com você me basta. Ah, e também basta colocar novas cores na parede, trocar a lâmpada queimada do quarto e comprar um sofá novo. Um sofá que precisa de você sentada nele, rindo de mim enquanto finjo ser cult assistindo filme nerd. Um sofá que precisa ser a extensão do meu corpo pra você se aconchegar. Pra ficar ali, esperando você voltar. Um sofá só nosso, sem o ácaro causador dessa alergia que tenho de tentar ser feliz.

Bruno Cazonatti

agosto 20, 2014 at 8:42 pm Deixe um comentário

Troquei seu perfume por um engradado de cerveja barata

superluaEu vi e admirei a super lua radiante, brilhando enorme naquele manto negro do céu de saudade. Escuro, tipo o café que curou da ressaca de um amor inexistente. Porra, me deu até vontade de escrever um belo texto de amor. Mas que se foda, sabe? Essa coisa toda de romantismo e ternura não existe mais. Só existe amor no Tinder, interação virtual que dispensa saliva. Bem putão, saca? Tipo os meus personagens. Ah, logo eu, quem deveria acreditar mais em foda do que em fada, pra nunca ousar trocar ouro por bijuteria barata. E essa coisa falsa dourada, tipo a luz imprópria desta lua, e também a cor dos fios de cabelos pintados das putas, essas coisas que, porra, é tudo uma baita mentira poética.

Besteira pura essa minha capacidade de redigir texto em forma de arma, que nunca atira e falha. Rascunhar um verso tolo pra fingir que me esqueci do seu rosto, gosto e cheiro. Pra quê, se eu já troquei seu perfume por um engradado de cerveja barata? Entretanto, guardei rabisco num pedaço de guardanapo sujo , escrito que ainda te amo por nós dois. Só para me confortar, ao relembrar que vi a porra da super lua e não me esqueci, quase, de tudo. Porém, hoje, prefiro meu silêncio repleto de certezas, meu sorriso disfarçado e bobo, nunca mais tolo, que camufla a minha impureza nas antigas vontades. Tudo isso regado à cevada, por causa  da maldita super lua, radiante, brilhando enorme naquele manto negro do céu de saudade…

Bruno Cazonatti

agosto 12, 2014 at 7:54 pm Deixe um comentário

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Obrigado, São Judas. Sobrevida ao Zé. Time que quer ser campeão não pode depender de sorte. 2 days ago
  • Já está na hora de pedir um Waldermar Lemos no lugar do Zé Teimoso Ricardo. 2 days ago
  • Oi gato! Você está triste porque eu perdi o pênalti? Fica tisti não. ( @orricopontocom ) https://t.co/R4T3L9sYxA 3 days ago
  • Desde a Era Bruno não tínhamos um goleiro de alto nível. Bem vindo, Diego Alves! Goleirão @Flamengo! Enfim uma realidade, chega de apostas! 1 week ago
  • São dois times que brigam por título. Hoje perdemos.Faz parte, não existe time invencível. Tem muito campeonato pela frente. Nada acabou. 1 week ago