Balela em papel de bombom

agosto 4, 2014 at 9:12 pm Deixe um comentário

Balela no papel de bombomEle sabe que não errou, mas, que se excedeu. E fez com que a pressa engolisse a calma. Tudo rápido e novo, tipo miojo que camufla a fome e não alimenta. Pensou que saudável era aquela paixão nervosa, afobada, de quem pensava querer ter, ou até mesmo ser, um amor. Ah, que papo mais besta! Amor jamais poderia existir sem reflexo e, quantas vezes tudo ficou embaçado, sempre tendo que passar a mão no vidro pra enxergar seus olhos após um banho quente. Ducha de água fria! Nem sempre um abraço piedoso aquece mais que toalha, macia e com cheiro de amaciante.

Na perda, na dor, ele reconheceu que tudo foi tão depressa, sem retorno ou real identificação. Ah, e aquela atitude desleal… desculpas forjadas em verdades construídas à base de mentiras, que nem aquelas informações nutricionais dos alimentos repletos de gorduras trans. Coçou a pele e, sem querer, arrancou uma casquinha. Feridas que se fecharam, mas que voltam à tona pelas cicatrizes. Dói, pode coçar que dói. Pra cacete! E todas as sensações camuflam o sentimento verdadeiro, pois aquela vontade de resolver velhas angústias do passado sempre impede a simplicidade de se viver algo sem amarras ou mertiolate. E sempre quem é tolo, precipitado, paga a conta sozinho. Assopra que melhora!

Tipo aquele vinho largado no fundo da prateleira de despensa, do qual beberam apenas uns goles. Se tivessem bebido tudo, ele jamais se estragaria. E nem era preciso toma-lo numa taça de cristal, o que mais importava era o embriagar sem se importar com a ressaca. Viver sem que o medo matasse os sonhos, por mais etílicos que eles fossem. Ic! Sorte que a safra era nova e, o tempo, rapidamente faz esquecer o gosto. Ainda bem que sempre preferiu a cerveja.

Baita dor de corno, daquelas que machuca mais quando se sabe que não errou. Mas ele aprendeu, numa recém-malandragem, que as decepções abrem as brechas para o amor verdadeiro. Tipo o amor dito em frase enrolada no papel de bombom, ensinando, pifiamente, que ser feliz é fazer o outro feliz. Balela! Ele sabe só foi apressado porque o coração sempre bateu rápido por ela.

Bruno Cazonatti

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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