O adeus que não merece um poema.

julho 7, 2014 at 8:00 pm Deixe um comentário

FIM O coração dele ainda estava cheio dela. Transbordava sentimentos, sem medos de errar por demasiado bem querer. E sempre a quis, tanto, tanto… Aquele cheiro, que somente ele sentia, exalava um perfume de aroma raro, desses que não se guarda em frasco e só se conhece uma única vez na vida. Tudo era tão ótimo, que se fosse bom, sempre era menos do que eles mereciam. Intenso, rápido e certeiro. Viviam toda uma harmonia que surgia de tudo o que é simples, das coisas puras de quem não precisa buscar pela perfeição.

O abismo era a bagagem. Na mala, as dores passadas misturadas ao medo tolo, sempre a fazendo ser menos. Levava sempre o seu passado-presente no bolso, guardando-o sempre para sabe-se lá o quê. Nunca se desfez do que deveria ter deixado no pretérito, preterindo o presente que, só foi notado realmente, quando o perdeu e, fez dele agora, o seu novo passado. Amou-a, sem medir a hora de dizer “eu te amo”, sob as luzes do sol e o brilho da lua. Sem motivo algum, sem cobrar nada. Sem razão para o pertencimento, sem elos, sem amarras.

Era um errado que deu certo, tudo aquilo que o moveu depressa rumo a ela. E logo o coração dele arrumou espaço para recebê-la, para sempre tê-la… Fez dela, sua morada. E ele sempre acreditou e lutou por um “nós”, algo que deveria existir, mas, que falhou muitas vezes por faltar o ela. Tolo ele, que enquanto traçava planos para ser um casal feliz, ela voltava ao passado. Mas, nunca daria certo se só apenas um deles quisesse de verdade. Não teve sentimento-reflexo, o medo calou o desejo.

E quando ele estava dando conta de que, talvez, tivesse realmente encontrado tudo aquilo que sequer esperava, aquela mulher com que seria capaz de sonhar – e realizar – uma vida inteira, derrubou-o como se ela fosse uma adolescente em crise de existência. Trocou-o pelo futuro do pretérito, após cair em si, tal uma religiosa que comete seus pecados, pelos simples fatos de querer sempre viver se arrependendo deles.

Ele ficou com a dor aguda no peito dilacerado, por saber que viveram coisas tão simples e fantásticas, e que até poderiam ter vivido, mas o tudo deu em nada. Sobrou para ele a experiência e o aprendizado, ciente de que jamais falhou por entregar tanto amor, mas talvez por não viver e nem deixa-la viver seu luto de um amor mal curado. Hoje, ele ainda não sabe o que dizer quando perguntarem sobre ela, que tanto parecia ser dele. Assim como tudo que ela fala hoje, não é tudo que ela quis dizer ontem.

Resolveu se perder de amor por ela, e ela resolveu perdê-lo. Mas ele nunca mais perderá seu tempo com sofrimento, tempo este que também serve para curar a abstinência de tudo que foi bom. Não quer mais saber de seus sorrisos com suas piadas, dos suspiros com seus beijos, do sincronismo e das suas formas de encaixar seu corpo junto ao dele. Nem quer mais seu cheiro em suas camisas ou nas fronhas do travesseiro. Porque agora ele resolveu chorar, apenas por ele. E decidiu parar de querê-la, mas não de falar a verdade. Porque se não fossem as verdades, ninguém viveria de mentiras…

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Pra nunca mais nos sentirmos sós Nunca terminar de começar

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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