Amor de festim

outubro 23, 2012 at 2:52 pm 1 comentário

Derramei a taça de vinho na colcha. Vestígio vermelho, misturado com suor e porra. Coitada da camareira. Será que temos que pagar uma grana extra? Nem escutou o que eu falei. Ela não se importou, levantou e tomou aquela ducha pra tirar minha saliva do seu corpo. Geografia totalmente estudada. Em cada poro um gosto colorido. Sabores fortes de libido. E a gente nem é assim feito um para o outro. Nos pertencemos apenas algumas horas dentro desse quarto de motel tosco.

Nossos laços não passam de junção de cadarços. Hoje ela vai pagar a conta, pois pra mim fim do mês é foda. No quinto dia útil, quem sabe. Agora vamos embora que já está amanhecendo. Deixo você na esquina, mais tarde a gente se encontra no trabalho, entre um gole ou outro na cafeína. Bateu a porta ao descer. Em mim às vezes bate até um ciúme. Os gracejos dos homens na rua ficam inaudíveis, enquanto ela mantém seu passo a passo com cabelo molhado, mais avermelhado com o toque do sol.

Eu não sei até onde vamos. Um dia o tesão acaba e eu sofrerei com o seu abandono. Um dia a minha vontade passa e lhe renuncio trocando por outra mentira. Vai lá saber?  A verdade é que não se traça o caminho que começa por um atalho. Eu gosto mesmo é de ver sua calcinha enfiada no rabo. Deixa essa coisa de pele fluir e nunca argumente sobre onde é que vamos dormir. Porque eu nunca lhe deixo fechar os olhos. Agora já era, você pertence a tudo que já passou. Então pra quê traçar aonde se deseja ir? Já já tudo vira passado e você sente que, se não for uma louca aventura, pode ser que seja amor de festim.

Bruno Cazonatti

Entry filed under: Ácidos.

Posfácio Resenha Nossa, Inacabada.

1 Comentário Add your own

  • 1. B.  |  dezembro 12, 2012 às 10:41 pm

    Senti saudade desse teu canto ácido e voltar por aqui para me deparar com um texto desses é melhor ainda. Admirável ver que você não parou de escrever por aqui.

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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