3 surradas notas de 10

abril 29, 2011 at 6:16 pm Deixe um comentário

No vértice, foi bem ali naquela dissimulada quina obliqua que achei um lugar para aconchegar a minha vontade. Analisando cada densa coreografia do cotidiano, fui reinventando a forma espessa e saciando minha vontade instantânea. Pernas entreabertas, mãos e bocas. Os olhos fechados viam cada cena de um videotape qualquer de adolescente. Instinto. Queria tudo ao mesmo tempo em apenas 15 minutos.

Com alguns sorrisos e nenhum compromisso, não havia tempo pra se preocupar em tirar os sapatos. Sem nada de abstrato nem sentimento além do prazer. De concreto, apenas os pés maltrapilhos da cama. O nhécnhéc enferrujado era sinfonia das molas do colchão furado e o lençol suado só me serviu pra fazer essa rima boba. “Vira”, foi o que balbuciei ao pé do seu ouvido. “Não combinamos isso” resmungou seca.

Não era hora pra discutir, eu tinha pressa. Sem tempo a perder. Não queria adorno, apenas sua fenda. Jorrei e escutei: Toc toc toc. A porta rosnou. Lá fora alguém bradou um alarmante “O tempo acabou!” Bem na hora. Indumentária posta, paguei-a com 3 surradas notas de 10. Trocados furados pra saciar o desejo delta de um homem corrosivo.

Bruno Cazonatti

Entry filed under: Ácidos.

Paixão Impermeabilizada Me acho em você quando nem lembrava mais de mim.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:


%d blogueiros gostam disto: