Archive for fevereiro, 2011

Paixão Impermeabilizada

Alguns quilômetros para o além beijo. Da saliva, lembrava o gosto, mas queria o dorso e muito mais. Estrada longa, imaginando caras e bocas. Asfalto com curvas rumo a gozos. Destino final: o prazer. Satisfação é não se contentar com pouca coisa, sempre deixando a brecha para o querer. E eu entrei, invadi com a permissão da conquista. Conheci a casa, porém me prendi a um só cômodo. Sem incômodo, amarrado nela, entrelaçado naquele pedaço da cama. Noite quase toda, com pausa para palavras tolas e risos sacanas. Faltou o destilado, mas a saliva sanou minha sede. Devoramo-nos para atenuar a fome, clamando por novos banquetes.

Voltei pensando em ir de novo, mesmo sabendo que não temos nada, nem um ao outro. Mas, somos nossos do jeito certo, sem dolo. Ora, nem precisamos preservar sentimentos, pois não temos medo de nos perder. Só o recente passado que nos remete às novas fugas. Tudo isso porque não permitimos tempo para deslizes e promessas vagas. Ao invés de juras, risadas. Tudo com muito tesão e pouca ternura, transbordando desejos e bagunçando o quarto. Afinal, não precisamos arrumar a cama ou dividir problemas de uma vida a dois, cotidiana.

Queremos fugas sem laço ou algemas. Sem compromisso com culpa ou alívio. Porque não estamos juntos para nos duvidar, só para curtir e perder o juízo. Levar a cordato o que não é sério, fingindo o que somos em nome do nosso segredo. Amantes amigos. Testemunhas oculares das nossas delícias, parceiros fidedignos entre quatro paredes. Viver uma paixão sem precisar deslumbrar, cobrar ou fingir dor de cabeça. E nem precisamos suplicar desculpas ou pedir perdão. Basta vivermos sempre o início sem nos preocuparmos com um final.

Bruno Cazonatti

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fevereiro 14, 2011 at 6:51 pm Deixe um comentário


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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