Naufrágio de Corpo e Mente

junho 22, 2010 at 6:16 pm 1 comentário

O tempo passa e a barba cresce. Sem contar a pança. Haja barriga pra aumentar o número do meu vestuário. A quem culpar? O casório, a cerveja ou o sofá com o futebol aos domingos? O mais foda é saber que, sempre que eu tento sair da rotina, acabo por fazer merda e decepcionar o meu próprio ego. Tudo bem, não adianta xingar o espelho e usar o clichê por saber que o arrependimento é digno daqueles que não tentam.

Crio expectativas a todo instante. É difícil controlar a ansiedade. Eu deveria dar mais valor a calmaria que, vez ou outra, toma conta da minha vida. Mas é bem complicado conter as vontades de arriscar novas caminhadas que visam o prazer barato e o gozo ralo. E, por conta desta merda toda que eu faço, acabo envolvendo quem menos importa nesta trajetória absurda. Daí o réu sou eu? Sim, covarde. Sempre que você dá brecha pra vulto rondar a sua cabeça nas madrugadas mais insólitas.

Não dá para ir de encontro ao mar sem se debater contra as ondas. Mesmo que haja calmaria, as correntezas puxam e me fazem bater os braços e pernas com mais força, antes que eu me afogue. Isso cansa demais, sabe? E, quando penso que estou a salvo na areia, vem aquela vontade novamente de querer desafiar a natureza. É a vida e a democracia de se poder fazer escolhas, mesmo que muitas causem naufrágio de corpo e mente.

Tudo isso bem careta, sem rum ou haxixe. Pois é sóbrio que eu perco o juízo e faço besteiras, desafio o destino e cuspo na cara da senhora regra. Reencontro esse sentimento de medo que me arrebata o peito e rezo promessas para que tudo volte a ser bem clichê. E as decepções riem de mim quando minha cara de pânico prevê problemas joviais. Coisas de menino que um burro velho acredita que não aconteceriam com ele. Vela acesa, sono perdido. E a barba vai continuar a crescer em silêncio, sem o barulho que hoje soa em minha consciência.

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Canalha, Quase Romântico Só Para Quem Ainda Não Aprendeu a Voar

1 Comentário Add your own

  • 1. João Paulo  |  junho 23, 2010 às 12:18 am

    Great!
    Very great!
    Covardia, isso mesmo: covardia. Penso em encarar tb os problemas, mas, acabo cedendo aos caprichos de comidas, a falta de exercícios, e a massa supera o ideal.
    Abraços,

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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