Archive for junho, 2010

Só Para Quem Ainda Não Aprendeu a Voar

null

Felicidade é um reggae bom, curtido com folhas de bananeira, mel e aroma de flor. Tudo doce tal início de paixão que cisma em virar amor. E quando o sentimento aflora, tudo fica que nem cor de pôr do sol refletida no espelho de mar manso, de água quente e ondas suaves. É tudo assim tão doce e ameno. O som invade e eleva, fazendo com que a mente flutue sem muita umidade relativa do ar.

É verdade que nem sempre se pode encontrar um arco-íris no final do pote de ouro. Afinal, quem procura nas jóias o verdadeiro valor, fica cego com o dourado e não enxerga as tantas cores da aurora. Quanto brilho há no sol então? Nessa atmosfera nem sempre se pode ouvir gotas de orvalho beijando o solo. Assim não há como fertilizar o verdadeiro apego. A vida é a maior riqueza.

Não existe sonho perdido. Só para quem ainda não aprendeu a voar. Isso é fácil quando você tem o coração como amuleto. E ninguém toma, pois está dentro do peito atento, no compasso ideal. Me diz, há quanto tempo você não vê um cometa? Se você sempre abrir o guarda-chuva, não vai saber quando é gota d’água ou estrela cadente querendo lhe banhar.

Há tanto aroma na vida e, volta e meia, a brisa traz cheiro de fruta. O problema é quando o óleo queima e entope as nossas narinas. O capitalismo bebe a alma, um mal que não se pode ver. Mas, não cultive tristeza! Pra curar essa enfermidade é preciso pôr os pés descalços na areia e deixar a maresia envolver o corpo. Mergulha de cabeça na maré de positividade, se afogue na vida. Liberdade é banho de mar e despertador quebrado.

Anúncios

junho 30, 2010 at 5:30 pm 3 comentários

Naufrágio de Corpo e Mente

O tempo passa e a barba cresce. Sem contar a pança. Haja barriga pra aumentar o número do meu vestuário. A quem culpar? O casório, a cerveja ou o sofá com o futebol aos domingos? O mais foda é saber que, sempre que eu tento sair da rotina, acabo por fazer merda e decepcionar o meu próprio ego. Tudo bem, não adianta xingar o espelho e usar o clichê por saber que o arrependimento é digno daqueles que não tentam.

Crio expectativas a todo instante. É difícil controlar a ansiedade. Eu deveria dar mais valor a calmaria que, vez ou outra, toma conta da minha vida. Mas é bem complicado conter as vontades de arriscar novas caminhadas que visam o prazer barato e o gozo ralo. E, por conta desta merda toda que eu faço, acabo envolvendo quem menos importa nesta trajetória absurda. Daí o réu sou eu? Sim, covarde. Sempre que você dá brecha pra vulto rondar a sua cabeça nas madrugadas mais insólitas.

Não dá para ir de encontro ao mar sem se debater contra as ondas. Mesmo que haja calmaria, as correntezas puxam e me fazem bater os braços e pernas com mais força, antes que eu me afogue. Isso cansa demais, sabe? E, quando penso que estou a salvo na areia, vem aquela vontade novamente de querer desafiar a natureza. É a vida e a democracia de se poder fazer escolhas, mesmo que muitas causem naufrágio de corpo e mente.

Tudo isso bem careta, sem rum ou haxixe. Pois é sóbrio que eu perco o juízo e faço besteiras, desafio o destino e cuspo na cara da senhora regra. Reencontro esse sentimento de medo que me arrebata o peito e rezo promessas para que tudo volte a ser bem clichê. E as decepções riem de mim quando minha cara de pânico prevê problemas joviais. Coisas de menino que um burro velho acredita que não aconteceriam com ele. Vela acesa, sono perdido. E a barba vai continuar a crescer em silêncio, sem o barulho que hoje soa em minha consciência.

junho 22, 2010 at 6:16 pm 1 comentário

Canalha, Quase Romântico

Ainda bem que nem deu tempo para eu querer te expulsar da minha vida. Você saiu de ralo, com uma teoria banal e tola sem consulta prévia à minha consciência infame. Que beleza! Nem precisei simular desculpa tola ou clichê. Confesso que fiquei assustado com a atitude repentina, afinal, nem deu o tempo de eu enjoar por completo. Nem vou desdenhar do coito, pois seria hipocrisia falar que foi tudo meia-boca. Poderia ser cretino sim, ratificando que já tive melhores trepadas do que as semi-básicas praticadas contigo. Mas nem vou enfatizar isso.

Apesar das circunstâncias e de tudo que eu te falei sobre o não-compromisso, você acabou por achar mesmo que o nosso caso poderia ser tipo novelinha das oito. É impressionante como a televisão pode persuadir as pessoas. Fala sério! Jamais lhe reservaria um espaço em meu peito casto. Só uma mulher ocupa vaga cativa, querida. Pena que sua cabecinha de noz moscada não te faça entender que não é preciso papel passado pra gozos e gemidos. Olha que eu pensei estar lidando com mulher… Era algo quase romântico.

Olha como eu sou babaca! Parece até que eu estou me remoendo por pura vaidade. Nem preciso dizer que não sou nada além do que mais um homem safado que passou pela sua vidinha. Sua atitude só me poupou de dar o stop antes do último ato, pois no fundo você tem consciência de que jamais a enganei com esta minha lábia de filho da puta. Aprendi na rua e com as demais quengas que passaram nas camas da minha biografia cretina. Você se aproveitou da mesma forma que eu a usei. Tudo bem curtido sem prazo de validade ou data de fabricação impressa no meu rótulo de canalha.

junho 7, 2010 at 7:33 pm 3 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago