Archive for maio, 2010

Gozo na Carne do Fêmur

Era muito mais fácil me puxar pelas mãos e me levar pelas escadas acima. O segundo andar era o paraíso no meio daquele inferno. Mas daí eu fui deixá-la falar próximo ao meu ouvido e caí na armadilha das palavras clichês. Todas as diabinhas trajavam apenas lingerie e, algumas devassas, deixavam o seio à mostra dos tolos inebriados pelo prazer e pela pinga. Cabaré é isso mesmo e, apesar do meu know-how local, prendi meus pés no laço dessa armadilha chamada paixão. Não tem essa de separar sentimento não! E daí que são putas? Elas também sabem ouvir as lamúrias e não nos deixam estagnar apenas no feijão com arroz da rotina.

É certo que a grana impulsiona as vontades e a obrigação determina quais as posições devem ser executadas na Hora H. E mesmo que o prazer da foda seja imposto em míseros 15 minutos, a vida me ensinou a prolongar o prazer. Antes de entrar no quarto eu já estava de quatro. Não era vulgar nem santa, mas uma mulher com um coração maior do que aquela bunda enorme. Gostosa e simpática, pronta a atender aos meus desejos-pecados. Tantas taras, muitas vontades e um jeito de escutar cada uma das minhas lamentações. Criou-se intimidade instantânea e o trepar transformou-se num amor delicioso, com carinhos e carícias castas e sinceras

Além do ventre, coxas e nuca, pedi-lhe a mão em casamento, mesmo sendo um maltrapilho compromissado. Queria largar a rotina e mergulhar numa nova história, novo rumo, novas delícias. Zombariam de mim sim, mas eu me mudaria com ela para o topo do mundo. E ficaria de mãos dadas com ela a cada pôr do sol nos próximos anos da vida. Ninguém saberia que eu casei com uma quenga para viver uma paixão meretriz. E daí? Ninguém manda no meu nariz. O problema é que após o rápido coito, não me recordo mais qual foi a resposta dela.

Dia seguinte foi estranho. Gosto amargo na boca e desânimo profundo. Acordei na casa do Zé, que me salvou de dormir na sarjeta naquela noite de nova paixão. Contei-lhe das minhas pretensões com aquela morena, a quem jurei fundos e futuros incertos. Quase ganhei tabefe e água gelada na cara. Meu amigo resenhou-me o fiasco que fiz naquela noitada. Além do dinheiro, a puta levou minha honra e meus sonhos. Bradou à platéia que eu, de tão bêbado, sequer consumei o acasalamento. Meti nas coxas dela e paguei paixão etílica. Ejaculei na carne do fêmur e ela gozou da minha ilusão. Envergonhado, chorei o pranto dos fracos, para nunca mais acreditar em e fubana ou cair na armadilha das palavras clichês.

Bruno Cazonatti
Twitter: @cazonatti

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maio 18, 2010 at 6:31 pm 1 comentário


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago