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Basta que Haja

Basta que Haja

Ele não é mais moleque, apesar de muitas vezes agir como tal. Mas, em se tratando de coisas do coração, muitos podem até chamá-lo de meninão. Pois é, vai saber. Se ele ainda estivesse na época do colegial, talvez seria plausível falar em entusiasmo emocional. Sabe aquela sensação boa de querer ver, falar, abraçar e beijar alguém? Então… E quando o telefone toca ou o e-mail chega, o peito dispara. Será que é ela? Vai dizer que isso jamais aconteceu com você? Está certo que alguns marmanjos da sua trupe prefiram a alcunha “amor de pica”. Homens só falam disso, mas ele sabe que a galera do futebol é meio chula, então ele prefere ficar com a opção “paixão instantânea”.

Homem de meia idade não está mais naquela fase de experimentar. Claro que sempre é bom descobrir novos ventres e deltas diferentes, mas não é como há uns dez anos, onde qualquer cocota caberia no peito. Ou na cama. Tem que ser tudo bem escolhido, pois senão dá merda na certa. Sim, porque todas as mulheres são iguais e os defeitos variam de uma para outra. Ele sabe disso. Tem a mulher-garota que sequer vale nem os quilômetros até motel. E tem a mulher-loba, madura, que não vale o fôlego jovial de uma boa transa. Claro que trepar é bom pra cacete, mas ele não está querendo pontuar o prazer maravilhoso das fodas, mas sim da foda que é se apaixonar por uma mulher que mexeu com ele muito além da cama.

Esta coisa de se apaixonar perdidamente num espaço curto de tempo – como acender um fósforo e deixá-lo queimar até as pontas dos dedos – é uma coisa muito precoce. Cilada na certa. Mas, não é assim que nascem grandes paixões? Tudo bem que tem uma pessoa que lhe gosta demais, mas, se hoje ela não o deixa mais o coração em chamas, a mente peca e o corpo busca atalhos. Safadeza? Pode até ser, mas se o pensamento já desafina quanto a regras, é sinal que ele se deixou levar por esta bobagem de amor novamente. Olha, coração não é lugar comum não, cara! Mas tem sempre alguém que acaba por se esconder por ali, sabe? Fazer o quê, acontece.

Ainda bem que existe esse lance de receio. Ele sabe que não pode trocar o certo pelo que ainda deixa dúvidas. Arriscar a segurança de uma rotina e se jogar de cabeça numa aventura não é para qualquer um. Medinho ou covardia, malandro? Espera aí, mas e ela? O que ela quer com você? De repente sente a mesma coisa, mas precisa ter os pés no chão. Então, meu irmão, engole o choro e não chama pela mamãe. Seja homem, porra! Eu sei que ele tem bom senso e culhões, mas não custaria nada tentar o acaso. Falta-lhe justamente o ímpeto de moleque, coisa que se perde com o passar do tempo. E assim, ele fica tentando em vão sentir que não é preciso motivos que bastem, basta que haja ela.

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fevereiro 3, 2010 at 7:38 pm 7 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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