Azucrinação do Caralho

novembro 5, 2009 at 7:50 pm 4 comentários

Eu sei que ficar imóvel não é girar com o mundo. Mudo as palavras para que não ecoem em tom errado. Escoam em opaco. Sem contraste, ditas por um traste em foto sem foco ou flash. Um clique pode ser tanto da câmera, quanto do mouse, ou do revólver que não sei o calibre. Bala na agulha do palheiro. Tocando o puteiro. Alguns pontos sem nós e o estado solitário que não me ajuda a conjugar verbos para as pessoas no plural. Ainda há alguns bilhetes de adeus no funeral.

Inerte no sofá, sob efeito do álcool e das notícias da TV, tudo soa assim clichê. O espetáculo da tragédia ajuda na fatura mídia. Fartura violência. Tudo sem ressaca observando o cotidiano da sacada. Foda-se, não foi comigo. Vende-se cenas repetidas da queda do helicóptero. Azucrinação do caralho. E o que faço com meu chefe me fodendo? Abato-o? Papo bravo, carregado e cheio de fagulhas. É claro que a esperança sempre aparece com aquele cheiro de terra molhada. O problema é que nem sempre chove.

Mente aberta, sem barreiras. As ideias marcam territórios ilusórios. Já não basta apenas viver. É preciso sobreviver além de percepções, sentimentos e escolhas. É preciso fugir das traçantes e não virara estatística. Alguma nuance de sangue com manchete de bala perdida. Eu sei que é uma merda, mas todo mundo acaba se acostumando em viver com o medo. Tudo rima com morte. Por sorte, ainda rumo para algum lugar ao norte, apenas para tentar rimar palavras tolas.

Um tiro que nos desperta do estado de entorpecimento. Sirenes. Gritos que brotam em meio ao silêncio, que cortam o descanso e desnorteia a realidade. Toda esta estupidez cotidiana carregada de maldade. Que bom é ainda poder despertar e ainda vasculhar motivos para sorrir, dançar e gozar. Basta trancar bem a porta e as janelas e tapar os ouvidos. Também dá para encontrar refúgio trocando de canal. Basta viver de utopias e assistir às reprises do desenho do pica pau.

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Poesias entre Lençol, Suor e Pudor Raso Profundo

4 Comentários Add your own

  • 1. laelya  |  novembro 7, 2009 às 3:49 am

    Mais que texto… adorei tudo aqui! rsrsrs…

    Responder
  • 2. Deise  |  novembro 8, 2009 às 11:41 pm

    Estava com saudade. Parabéns, ótimo texto.

    Responder
  • 3. luana  |  novembro 11, 2009 às 7:41 pm

    você me pareceu meio “pertubado” ou, melhor dizendo, agitado..
    mas concordo com seu texto, parece que tá tudo virado de cabeça pra baixo Oo
    parece que o que se espera é que sobrevivamos e ponto.
    foi um ácido bom 🙂

    beijos!

    Responder
  • 4. Sônia  |  novembro 19, 2009 às 11:07 am

    Basta viver de utopias e assistir às reprises do desenho do pica pau. É isso aí.
    Adoro o pica pau! rs…

    Bruno você é demais!

    Um abraço!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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