Conjugar o Viver

setembro 2, 2009 at 2:54 pm 9 comentários

conjugar o viver

Engole. Engole esse medo e segue rumo ao norte, sem bússola. Corre, não deixa o pavor alcançar as suas pernas, fazendo-as tremer. Escorre o catarro que escoa pelo nariz, deslizando pelo contorno dos seus lábios secos. Dissolva a esperança frágil de um mundo melhor amanhã, sem que você faça a sua parte. Pára com o choro, essa sofreguidão mórbida misturada à sensação infinita de infelicidade e dor.

Cospe a raiva. Indaga ao espelho o receio de arriscar vida nova. Esquece quem lhe fez sofrer e corra atrás de algo superficial, sem compromisso. Fuja pra dentro de si e encontre as respostas mais absurdas sem perder a calma. Eleve sua alma e goza. Arruma a cara metade que não lhe deixa faltar o orgasmo múltiplo em dia de mar revolto. Devora o sexo até saciar o apetite. Esporra sem medo e vergonha de sujar a sua volúpia. Ame o reflexo que jamais lhe abandona quando você se encontra no espelho.

Apague as letras que você não quer escrever nas cartas de amor remetidas. Invista na sua mente, sem pensar nas grifes da moda que lhe vestem um corpo doente. Leia a Bíblia, mas não acredite na palavra dos crentes. A religião acaba com a fé e destroi a verdadeira presença de um Deus. Acenda uma vela e cante parabéns para a vida, sem pensar em datas que lhe contam os anos de existência.

Libere as verdades que voam pela sua cabeça. Envie e-mails sem corrente estúpida ou promoção de varejo. Mande beijos a quem lhe é querido, que se foda os desafetos cretinos. Preocupe-se com o brilho dos seus olhos e sorriso. Seja mais simples sem ser desleixado. Perdoe, erre e conserte. Resgate a harmonia em família, reviva histórias com gargalhadas. Tenha soberba na humildade e jamais deixe de acreditar nos sonhos. Aprenda e, quando você conseguir tudo isso, me ensine. Pois, de tudo eu só conheço os verbos.

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Está bom ou falta Sal O Resto do Mundo

9 Comentários Add your own

  • 1. sonia  |  setembro 2, 2009 às 11:03 pm

    Bruno,
    Que texto maravilhoso!!!muito bem escrito.Posso postar lá no Compartilhando as Letras, com créditos para vc???ADOREI!!!!!!

    Responder
  • 2. Lubi  |  setembro 3, 2009 às 6:05 pm

    nossa, que saudade.
    mesmo.
    você continua habilidoso com as palavras, né.

    Responder
  • 3. Alê Quites  |  setembro 3, 2009 às 7:17 pm

    Bruno,
    no sábado, também estará acontecendo coisas bacanas aqui em BH:

    http://www.savassifestival.com.br/ *O melhor dia do festival é na segunda-feira, dia 07.

    BeijOS

    Responder
  • 4. Alê Quites  |  setembro 3, 2009 às 7:23 pm

    Fantástico final: “Aprenda e, quando você conseguir tudo isso, me ensine. Pois, de tudo eu só conheço os verbos.”

    Responder
  • 5. luana  |  setembro 4, 2009 às 10:56 pm

    Ain bruno, vc eh ótimo! udhudihdu
    vc “brinca” muito bem com as palavras,parece que elas já são companheiras suas de longa data..daí parece tão simples..obg pelo comentario! 🙂

    “pois de tudo só conheço os verbos”, eu tbm..queria que fosse mais.
    🙂

    beijos!

    Responder
  • 6. fina flor  |  setembro 9, 2009 às 4:55 am

    muito bom!

    fora as correntes estupidas, e um viva a expressão dos afetos ;o)

    beijos, querido e boa semana

    MM.

    Responder
  • 7. Késia Maximiano  |  setembro 13, 2009 às 2:41 am

    Q texto gostoso de se ler, Bruno..
    Estou de volta..
    Beijo grande…

    Responder
  • 8. Christiani Rodrigues  |  setembro 15, 2009 às 11:27 am

    E segue! Bjos

    Responder
  • 9. Ale  |  setembro 16, 2009 às 1:35 pm

    Fala sério Brunoooooooo

    Ë um pacto que você fez né ??? Escrever desse jeito!
    Só deveria escrever mais e mais porque não dá pra enjoar.
    Beijo
    Ale

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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