Archive for setembro, 2009

Poesias entre Lençol, Suor e Pudor

Não faço bom uso do tempo que tenho, mas sempre soube a hora certa de partir. Juro não conhecer a melhor forma de contar pra ela, pois tem outra na esquina à minha espera. Tantas cores e cheiros entram na minha vida sem parar e não me deixam por os pés no chão para negar o instinto. Nuances e aromas que remetem ao bom cheiro que ela tem. Tufão que derrubou o jarro da sala e arrancou a minha calça jeans. Várias horas de orgia desvairada, monogamia absurda e letal. Sem traição, mas com orgasmo. Um cheiro de sexo impregnando as paredes daqueles míseros centímetros, espaço que não cabe qualquer sentimento.

Mudo. Sem barulho ou sussurro. Fodendo e devorando com os olhos insólitos. Esbugalhado. A boca se ocupa em beijos e lambidas safadas, sem balbuciar gemido ou palavra. Morde e assopra. Goza. Trocando de posição como quem troca de estação de rádio, tirando e botando, num ritmo desvairadamente pragmático e incessante. Vem e vai, sem canção inspirada por donzela ou adaptação das cartas de amor. Interessante era a calcinha enfeitando a cabeceira da cama. Rosa instigante. De lembrar me deixa o pau duro, bem chulo. Lembro-me da fenda molhada, jorrando tesão e misturando as sensações que não são separadas entre a mente e o coração.

Vivo o momento em ponto sem vírgula. Tal a perda do trema sem tremer na base de um lirismo informal. Filminho de Hitchcock com macarrão ao sugo e queijo ralado. Taça de vinho vazia e fome de taras. Tudo assim sem nexo e tatibitate, para ter coerência com a melodia do abrir de tampa de um pote de mel. Formiga sedenta por uma cigarra que brada algo em busca do calor ofegante. No fim tem um maço de qualquer cigarro com marca vagabunda, paraguaia. Trago fundo, gole na água filtrada, sem pena ou perda de romantismo e selvageria. Marca das unhas cravadas nas costas e mais algumas horas de prazer. Coisa de homem bicho sem perder tempo em conquistar poesias entre lençol, suor e pudor.

Culpa das curvas vadias da meretriz rampeira. Sem eira nem beira, só troca de favores e prazeres distintos. Grana e carne. Sem apego e compromisso formal. Porque a mim só interessa tudo o que ela tem do lado de fora. O que tem dentro, só existe por causa do que exibe externamente. Eu não gosto de você, eu só gozo em você. Pode cobrar o capital sem som de violino. Tipo mambo e tango, num ritmo que dura o prazer da dança, mas não é constante e singelo. Pago a conta e ganho até sobremesa. Três notas de cem e a consciência de não precisar do amor. Pelo menos nesta noite em que eu não fiz bom uso do tempo. Bom mesmo é ter a certeza de que sempre sei a hora certa de partir.

setembro 28, 2009 at 9:03 pm 2 comentários

Capaz, rapaz.


Eu estava nas nuvens.
O céu me roubou o fôlego e minhas forças.
Tudo cinza sem azul.
Não, eu não vou começar poesia.
Sobre amor eu não escrevo.
Desacredito.
Paixão é mulher nova.
Sabor refrescante.
Carioca? Mineira? Gaúcha?
Terra. Gosto de terra.
Boas, como cevada, cachaça e chimarrão.
Sem vinho.
Ruim é carta de adeus que não se remete pelo Correio.
Só para debochar vem por e-mail.
Tchau.
Motivo covarde?
Sei lá.
Talvez seja o gosto amargo que lhes deixei na boca.
Marcas roxas nas coxas.
Se você cede, elas invadem.
Entregou o seu coração de bandeja, ô babaca?
Elas deitam e rolam.
Ah, mas homem não tem sentimentos.
Todos querem xoxota.
Será?
Mentira, eu pelo menos olho na alma.
Balela!
Só porque faz tempo em que você não se apaixona.
Tem hora pra isso?
Vinte e uma e trinta na porta da minha casa.
Minhas noites deveriam ter 48 horas.
Dou um passo e já não estou mais no mesmo lugar.
Mesmo indo de táxi.
Tem troco pra cinquenta sem trema?
Não pago com nota irlandesa.
O mundo continua lá fora.
Ela continua lá.
Longe.
Em menos de uma semana a gente esquece.
Nem vou despachar a bagagem.
Uma chance em mil de voltar.
Stand Up!
E mais um dia se foi.
Já nem tão escuro, pois sempre amanhece.
Meio azul sem cinza.
Com o chão devolvendo o sopro e a energia.

setembro 21, 2009 at 7:15 pm 4 comentários

O Resto do Mundo

restodomundo

Talvez até fosse artista, menos mal para o mendigo na busca pela caridade criativa. Estendendo a mão para sanar os males em vão. Se o cara passa e finge não ver, como é que se garante um quadro pintado sob a fome e aguardente? Barba grande, sujo imundo. Tudo lusco fusco sem grão ou migalhas de benção. Cara cinza, partes pretas em pus. Pés descalços neste asfalto vida. Pobre de espírito.

Usava suas ideias para sobreviver. Estátuas de metal, material nobre feito com as latinhas em cobre. Figuras difusas de uma mente libertina. Salientando os pontos mais fracos da ordinária melancolia. Sem tinta, apenas com as cores da central. Submundo da cidade silenciosa após mais um dia de rotina. Tudo assim meio jogado aos farrapos, cobrindo a vergonha com jornal velho e papeis amassados. Pelo menos sana o frio. Proteção divina em forma de papelão, um guarda chuva essencial para os pingos mais gélidos. Qualquer calçada da rua com marquise serve como abrigo.

Os transeuntes vão e vem. Coitado, virou paisagem comum da grande metrópole, quase um ser imperceptível. Antes usasse gravata italiana cara e terno de linho, um executivo manipulado pelo poder capital. Menos mal. Apenas as crianças o reparam, pois a ingenuidade não compreende o descaso social e o acostumar de retinas. Todos bem habituados. De certo causava repúdio e ,nas madrugadas, até medo. Principalmente nas moças, com medo de estupro. O asco é o salário do pedinte.

O prejulgamento que é foda. Tudo bem que até o viralatas o largou e hoje a cachaça é a sua única amiga. Mas, jamais perguntaram de onde ele veio ou como surgiu. Porque nascer nesta condição não significa permanecer imóvel ali para sempre. E é nestas horas que o peito arde e o coração aperta. No fundo dos restos que ainda lhe sobrava, uma foto amarelada e maltratada pelo tempo. Um rosto feminino com dedicatória no verso, quase ilegível. Nunca o indagaram sobre a sua paixão. E, covarde, não morreria por tal sentimento. Até ele, um imundo mortal, também deixou de acreditar no poder que tem o amor. Agora só lhe sobra o resto do mundo.

setembro 16, 2009 at 2:32 pm 1 comentário

Conjugar o Viver

conjugar o viver

Engole. Engole esse medo e segue rumo ao norte, sem bússola. Corre, não deixa o pavor alcançar as suas pernas, fazendo-as tremer. Escorre o catarro que escoa pelo nariz, deslizando pelo contorno dos seus lábios secos. Dissolva a esperança frágil de um mundo melhor amanhã, sem que você faça a sua parte. Pára com o choro, essa sofreguidão mórbida misturada à sensação infinita de infelicidade e dor.

Cospe a raiva. Indaga ao espelho o receio de arriscar vida nova. Esquece quem lhe fez sofrer e corra atrás de algo superficial, sem compromisso. Fuja pra dentro de si e encontre as respostas mais absurdas sem perder a calma. Eleve sua alma e goza. Arruma a cara metade que não lhe deixa faltar o orgasmo múltiplo em dia de mar revolto. Devora o sexo até saciar o apetite. Esporra sem medo e vergonha de sujar a sua volúpia. Ame o reflexo que jamais lhe abandona quando você se encontra no espelho.

Apague as letras que você não quer escrever nas cartas de amor remetidas. Invista na sua mente, sem pensar nas grifes da moda que lhe vestem um corpo doente. Leia a Bíblia, mas não acredite na palavra dos crentes. A religião acaba com a fé e destroi a verdadeira presença de um Deus. Acenda uma vela e cante parabéns para a vida, sem pensar em datas que lhe contam os anos de existência.

Libere as verdades que voam pela sua cabeça. Envie e-mails sem corrente estúpida ou promoção de varejo. Mande beijos a quem lhe é querido, que se foda os desafetos cretinos. Preocupe-se com o brilho dos seus olhos e sorriso. Seja mais simples sem ser desleixado. Perdoe, erre e conserte. Resgate a harmonia em família, reviva histórias com gargalhadas. Tenha soberba na humildade e jamais deixe de acreditar nos sonhos. Aprenda e, quando você conseguir tudo isso, me ensine. Pois, de tudo eu só conheço os verbos.

setembro 2, 2009 at 2:54 pm 9 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Obrigado, São Judas. Sobrevida ao Zé. Time que quer ser campeão não pode depender de sorte. 2 days ago
  • Já está na hora de pedir um Waldermar Lemos no lugar do Zé Teimoso Ricardo. 2 days ago
  • Oi gato! Você está triste porque eu perdi o pênalti? Fica tisti não. ( @orricopontocom ) https://t.co/R4T3L9sYxA 3 days ago
  • Desde a Era Bruno não tínhamos um goleiro de alto nível. Bem vindo, Diego Alves! Goleirão @Flamengo! Enfim uma realidade, chega de apostas! 1 week ago
  • São dois times que brigam por título. Hoje perdemos.Faz parte, não existe time invencível. Tem muito campeonato pela frente. Nada acabou. 1 week ago