Archive for julho, 2009

Relaxa, Querido (reloaded)

A transparência ressaltante de seu singelo decote deixou seus seios empinados à mostra. O contorno de suas nádegas não ofuscava as rendas de sua calcinha saliente, delineando a formosura de sua saia justa. Ofereci-lhe uma taça de vinho tinto safra 1973. Puro e lascivo. Gole após tragos e mais afagos envoltos numa nuvem de incensos odor de sexo.

Línguas inquietas e pálpebras umedecidas pelo entorpecer de cada toque nos poros. Silêncio. Da sala para o quarto e na cama king size, no tamanho de nosso prazer. Faísca nos riscar de fósforo e ardência em brasa de nossos corpos em chama.

Chamou-me pra sentar ao seu lado e tragar a fina erva boliviana. Faltou ar. Asmática, precisava de sua bombinha. Logo agora que eu trilhava o caminho rumo ao seu vértice mais afável. Verifiquei com a palma de minha mão as covas rasas de suas pernas. Ela tímida balbuciou algo como estrias e celulites. “Que mal há nisso, mulher?” O ímpeto corre agudo ao norte, de frente ao finito profundo. Negação. Vasculhava em sua bolsa a bomba de ar e eu doido em nervos para bombardear-lhe em cheio. “Calma”.

Gelo, um cubo para ouriçar seus mamilos. “Ai, gelado” -ronronou. “Chata”, pensei. Leite moça, para melar o seu sexo lambuzado de vontade. “Não, isso é nojento”. Remexia seus pertences e nada de achar o spray pra jorrar goela a dentro. Eu pensando saliências, com a firme ereção de meu pensamento pagão. “Não dá”. Como não dava? O motel era caro, o vinho já estava com as 10 parcelas no cartão (com juros) e eu já estava posto seminu, na cueca samba-canção e minhas meias finas. “Sem meu sprayzinho, não dá”. Indaga cruel. O prazer, antes grudado nas entranhas agora tinha a exata proporção de uma brochada clássica. Desanimei.

O menino dormiu profundo pra não acordar mais. “Relaxa querido, isso acontece…” Porta a fora, se foi rumo à farmácia 24hs na esquina. Ela, o meu tesão e a minha nuvem carregada de testosterona. Trancafiei-me em minha frustrada aventura. E logo ela, toda formosa e sorridente, mostrou-se assim tão, tão…insuportável! Sim, talvez fosse culpa da samba-canção ou das meias. Ou seria o incenso, o vinho, o ar gélido do quarto. Não sei. Só sei que homem come de tudo, incluso as feias. Mas, as chatas não! Essas a gente nem degusta.

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julho 15, 2009 at 7:42 pm 7 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago