Sentimentos Defuntos

maio 22, 2009 at 2:37 pm 8 comentários

abajur

A insegurança é o inquilino dentro da cabeça. Neurose. Um abajur ligado para a escuridão não tomar conta do quarto. Medo. Pode até ser que o cobertor me proteja de algo maléfico, mas é um artifício da segurança subliminar. Um copo d’água na cabeceira absorve toda a energia do ambiente. Estou nu.

A janela fechada atenua o barulho da rua. Sirenes, gargalhadas do bar e todo aquele ruído anoitecido. Eu podia ser mais um no meio do crepúsculo, mas tenho medo. Pavor das mentes alheias, das mulheres putas e puras, misturadas entre boates, pubs, botecos e esquinas. Todas elas roubam. Ladras! Abrem sorrisos e pernas para me ganhar. A última me levou o coração e agora, só vivo de sentimentos defuntos.

Sujo. Eu sou imundo mesmo. Só consigo me guiar pelas histórias ruins, onde fui coadjuvante. As boas, de protagonista, raramente me dão referência. É aquele clichê que reza o aprender com aquilo que deu errado. Bom mesmo é ser inexperiente, quando se ousa e não há o receio de tentar. Babaca. Eu sou um idiota por saber que, se colocar meu dedo na tomada novamente, levo choque.

Só consigo imaginar a dor. Não dá para resgatar a astúcia, o pioneirismo. Inexiste sentimentos de recém-nascido, suspiros joviais, tipo adolescente estúpido, mas corajoso. “Isso nunca vai acontecer comigo” era um lema, mas hoje já sei até que consequência não leva mais trema. Ficou tudo tão igual, sem graça e com cheiro de naftalina. O peito lateja com uns lampejos de memória.

Imagens amareladas remetendo a pessoas que se foram, sem festa de despedida. Dá até pra fazer um brechó na cabeça com tanta quinquilharia. Perfumes, sabores e músicas que me levam de volta aos momentos de dor e glória. Saudades múltiplas. Não dá para esquecer tudo. Se pelo menos só os momentos bons ficassem… Mas sempre que eu folhear os álbuns de fotografia, vou encontrar tudo de novo. Então, uso o cobertor para me proteger e deixo o abajur ligado, para que ainda reste um ponto de luz, em meio a tanta escuridão.

Entry filed under: Ácidos.

Sem Sal e Sentimento Relaxa, Querido (reloaded)

8 Comentários Add your own

  • 1. Ale Quites  |  maio 28, 2009 às 7:19 pm

    “Dá até pra fazer um brechó na cabeça com tanta quinquilharia.”

    sEU texto É tão EU.

    BeijOS

    Responder
  • 2. ELIANA  |  junho 5, 2009 às 4:39 pm

    Olá Bruno tudo bem?Vim matar as saudades daqui…de você!!Ótimo texto para refletirmos!!Momentos…Segue a estrada da vida sem medo e sente-os! Vive-os!
    Porque A vida é feita de momentos!Bruno eu lhe desejo um ótimo final de semana!!Beijo!!

    Responder
  • 3. Maria João  |  junho 9, 2009 às 8:37 am

    Deixo-lhe aqui um link de uma senhora que costuma publicar os seus textos assinados por ela
    E inclusive comentários noutros espaços do Windows Live Spaces com as suas palavras excatas assinadas por ela
    Se quiser entrar em contacto comigo não se acanhe que lhe explicarei toda a situação
    Cumprimentos

    Responder
  • 4. Maria João  |  junho 9, 2009 às 8:37 am

    O link é este
    desculpe mas até me esqueci
    http://cid-35dc93da3973022f.profile.live.com/

    Responder
  • 5. Menina da Imprensa  |  junho 23, 2009 às 3:09 am

    Sentimentos defnutos são assim, podem até não nos fazer chorar, mas geram tanta insegurança. Dá mais medo que quarto escuro…… Saudades…

    Kisses

    Responder
  • 6. Pataca  |  julho 3, 2009 às 1:13 am

    Acho que toda vez faço o mesmo comentário. E vou fazer de novo: muito bom! Abraço!

    Responder
  • 7. Rayanne  |  julho 6, 2009 às 2:04 pm

    Quando foi o enterro da esperança?
    E da fé na vida?

    Onde, meu Deus,
    longe dos seus
    rebrotam começos?

    Até mesmo o bolor,
    meu bom Bruno, solta hifas!

    E se amarelo é o tom das histórias,
    bem pode ser de um raio esquecido de sol,
    nem sempre da preguiça de um fato.

    A amargura pode ser inspiradora,
    mas teima em becos sem saída
    e vai ficando tudo opaco.

    Não se esqueça de fazer escolhas.

    ***Estrelas iluminam***

    Responder
  • 8. Manuela  |  agosto 14, 2009 às 5:58 am

    Saudades do tempo que ainda era inexperiente… tudo era tão mais fácil…

    Bjus!!! Manu

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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