Medo do Amor

fevereiro 5, 2009 at 7:17 pm 10 comentários

paixão

Não deixo o amor invadir. Ele aporrinha, desconjunta e traz dor. Repúdio. Um escarro no meio do asfalto. Me puno por arriscar o atravessar de ruas. Não perco tempo de cruzar pontes, correr por atalhos. Salto de pensamento que traz a imagem de tudo o que deveria ser dito. Não arrisco. Sou medroso. Mas, nem a água é domada, pois corre rio abaixo, desce nuvem e inunda. Devasta. Prefiro paixão. É bem melhor e vem com brinde: o ardor. Desde o sexo ao chá de cadeiras. De todas essas horas matreiras, sem tempo para segurar a ânsia de ver quem se quer logo, agora.

Outro dia bateu saudade, confesso. Acho que eram quase três da manhã. Eu quero tanta coisa rapidamente, antes mesmo de um raiar do sol. Café com pão também está bom. O som da madrugada é mais alto, dá até para escutar os meus ecos. São tantos ‘eus’ dentro da minha cabeça, que fica difícil saber qual a próxima máscara que devo usar. É, isso também depende da folia, pois quando eu escorrego o meu olhar para outro tom, posso ouvir novas melodias.

Quando é que o amor começa? Ele termina? Jamais encontrei um prazo de validade. Na verdade este sentimento não acaba, apenas abandona. Só dou conta desta teoria cretina, quando olho os traços do tempo no reflexo da retina. Dias de dedicação a tudo que seria justo, porém sem ser correto. Decerto, alguém vai me obrigar a seguir normas. Aposta?

Parece que o mundo sempre me pede uma prova, só pra saber se estou feliz. Evidentemente que isso é coisa de Deus, afinal, nem ateu duvida do sentimento casto, que deram o nome de amor. E, atrelado a esta traquinagem divina, está a felicidade. Tem gente que acha que é coisa para mais tarde. Por isso que eu prefiro a paixão. Assim como as chuvas de verão, que chegam sem avisar e as suas gotas inundam o coração.

Eu tomo cuidado para não haver enchente. Pois, quando me torno náufrago, a paixão se transforma em amor. Perigo! Sem placa de aviso ou colete de salva vidas. O amor é invisível e espera sempre que eu esteja desatento para dominar. Por isso, me puno por arriscar o atravessar de ruas. Ainda mais alagadas. Tudo por saber que o amor é um bueiro aberto, escondido em água turva, no meio de uma paixão profunda.

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Como se Fosse Uma Nova Experiência Sujo e Vulgar

10 Comentários Add your own

  • 1. Ideias No LiquidiFicaDor  |  fevereiro 6, 2009 às 2:26 am

    Cuidado!!! O AmOr nem semPre prEcisA da enchEnte e pode dispensar que a paixao abra o caminho!

    Belo texto..
    .
    =))

    Responder
  • 2. Luis Augusto Nobre  |  fevereiro 10, 2009 às 12:54 pm

    A cada vez que venho aqui e leio seu blog, mais me dou conta que o seu dom litérario me hipnotiza. Virar fã é coisa do passado. Quero ser seguidor, aprendiz, e quem sabe um dia, compositor.

    Responder
  • 3. luana  |  fevereiro 10, 2009 às 6:46 pm

    hm.. isso tem cheiro de amor mal curado Oo iudhudihdui
    mas eu gostei das descrições..agora é vc quem escolhe (ou eh escolhido?)^^

    🙂
    namastê bruno! ;*

    Responder
  • 4. Sônia  |  fevereiro 18, 2009 às 2:17 pm

    Hum…rs, o amor te pegou? rs…

    Responder
  • 5. Pataca  |  fevereiro 18, 2009 às 8:13 pm

    E eu aqui, caindo no bueiro toda hora…

    Responder
  • 6. Christiani Rodrigues  |  fevereiro 19, 2009 às 2:57 pm

    Amor é enchente. É alagamento. É inundação. Águas não satisfeitas e traiçoeiras. Quanto mais se afoga, mais se quer afogar.

    Responder
  • 7. Ale  |  fevereiro 20, 2009 às 3:08 am

    Bruno,
    `”Amar é dar, derramar-me num vaso que nada retém e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés. Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no corpo irmão, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência, fulguração, mas não tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato — o difícil equilíbrio dos amantes! Amar é raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas planícies com a metade do seu pulmão; e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de um irmão que todos os dias o vento esculpe e destrói.” (Casimiro de Brito)

    O resto é só espera…..
    Que venha o amor sempre…
    Beijo
    (Lindo texto como sempre)

    Responder
  • 8. Ane  |  fevereiro 21, 2009 às 7:29 pm

    O amor é o sentimento mais foda que existe no mundo. Aliás, é o combustível dessa roda-viva…
    😉

    beijos, querido!

    Responder
  • 9. Ale Quites  |  fevereiro 27, 2009 às 3:07 pm

    Beijos, seu moço!

    Responder
  • 10. Marco  |  junho 17, 2009 às 2:52 pm

    SENSACIONAL!!!!

    Alguém tem uma bóia salva vidas aí?

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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