Como se Fosse Uma Nova Experiência

janeiro 13, 2009 at 2:37 pm 11 comentários

ácido

Uma sacola. É o suficiente para carregar um par de bermudas surradas e algumas camisetas maltrapilhas. O tênis furado, que ainda cabe muito bem, cobre todos os calos. Eu ainda tenho mania de acreditar nas coisas que me fazem repentinamente feliz. Tudo assim sem raiz, mas impregnado de experiências das últimas horas. Nada que me prenda a um só lugar. Com um pé atrás, por conta dos devaneios vividos. O outro na frente, com a mesma coragem de um bebê, que tenta seus primeiros passos rumo ao colo da mãe. Sigo a estrada.

Eu abraço o mundo. Sem medo, ou hesitação. Cauteloso, porém intempestivo. Com pressa e depressa, porque o relógio nunca pára. E são brindes para comemorar, copos a virar, e lágrimas de choros. Por dor ou amor. Muitas bocas beijadas, vontades saciadas e histórias contadas, muitas vezes inventadas. Tudo isso mais e mais, novamente e outra vez. Respirando e suspirando cada dia como se fosse uma nova experiência.

Promessas que nunca foram cumpridas. Estradas compridas e amores em curta temporada. Paixões sazonais. Eu acerto e erro, pois não tenho o dom de saber que não posso ser o mesmo após um piscar de olhos. Tantas ruas e esquinas. Luzes e retinas. Noites e dias que só posso trazer comigo em lembranças tardias. Palavras que eu não poderia ter pronunciado, outras que eu deveria ter balbuciado noutro tom. Tem vez que é assim, fica o dito pelo não dito. Para quê ser tão certo?

Sou definitivamente assim, indefinido. Antiquado e despojado. Como aquela sensação de acordar cedo num domingo cinza e ficar observando a chuva cair. Sem pretensão ou compromisso, apenas enrolado nas cobertas, repleto de preguiça e moleza. Tanta pouca coisa boa que eu aprendo no percurso da estrada. Sem mapas, para não perder as surpresas. E assim vou fazendo e refazendo amigos, amores e razões. Disseminando minha essência e espalhando minha vida, tal menino que corre em direção ao mar.

Entry filed under: Ácidos.

Não Somente Para os Vinte e Cinco de Dezembro Medo do Amor

11 Comentários Add your own

  • 1. Claudinha  |  janeiro 13, 2009 às 6:43 pm

    Sensacional bruninho. voltou com tudo msm. ja estava com saudade

    Responder
  • 2. Érica  |  janeiro 13, 2009 às 8:48 pm

    Menino astuto q só. Espalhe sua pretensões e veremos as aprovações!! Sem covardia de ser livre e feliz.
    Beijinhos
    Érica

    Responder
  • 3. João Paulo  |  janeiro 14, 2009 às 12:52 am

    Pertinente esse texto, me faz refletir sobre algumas coisas que tenho visto ultimamente, ainda bem que existem pessoas assim, como esse personagem do texto, ou poderia dizer que o personagem é uma encarnação de benevolência do adorável Bruno? Pelo sim ou pelo não, o importante é que há pessoas como vc, produzindo textos com qualidade…

    Que 2009 seja ainda mais produtivo.

    abraço,

    Responder
  • 4. Pataca  |  janeiro 14, 2009 às 5:00 pm

    Como sempre, ótimo texto! Bom 2009 pra nós! Abraço!

    Responder
  • 5. Bárbara (B.)  |  janeiro 17, 2009 às 6:11 am

    Um novo texto… temática nova para mim, vejo tanto você pintar amores, paixões, tesões…

    Sempre surpreendendo, moço.

    Responder
  • 6. alexandre costa  |  janeiro 20, 2009 às 10:20 am

    Ótimo com sempre meu caro!

    Responder
  • 7. Ane  |  janeiro 21, 2009 às 5:47 pm

    Tbm ando me achando antiquada…
    E sabe de uma coisa? Me adoro por isso! 😉

    beijos

    Responder
  • 8. Luiz Soares  |  janeiro 25, 2009 às 5:20 pm

    Olá.

    Primeiramente, gostaria de te parabenizar pelo site. Muito completo, com artigos muito bem estruturados. Parabéns!

    Segundo, estou aqui para lhe propor uma espécie de parceria. Sou dono do http://www.E-Book-Gratuito.Blogspot.Com, um site de download de e-books e livros totalmente grátis.
    Temos a meta de disponibilizar uma vasta biblioteca virtual para todos que tiverem um acesso a internet.

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    Me contate através de meu e-mail: ownedzao@yahoo.com

    Muito Obrigado,
    Luiz!

    Responder
  • 9. Ale  |  janeiro 27, 2009 às 2:15 pm

    Bruno, o importante mesmo é a direção que resolvemos seguir e vc como sempre , acabou escolhendo o caminho perfeito ; O MAR…
    Portanto sem muito a dizer, fico aqui (como de costume) refletindo sobre aquilo que vc é eximio em fazer : ME COLOCAR PRA PENSAR.
    Que esse ano seja muito especial para vc.
    Se cuida
    Bjo
    Ale

    Responder
  • 10. Christiani Rodrigues  |  janeiro 30, 2009 às 3:11 am

    Saudade do “tal menino que corre em direção ao mar.”

    Bj

    Responder
  • 11. João Sucupira  |  fevereiro 19, 2009 às 5:16 pm

    Meu caro Bruno,
    É muito bom descobrir que um colega de trabalho é um poeta. Sou um apaixonado pela literatura e vivo constantemente entre os clássicos e os novos talentos. Acabo de encontrar e comprar um clássico que já li há muito tempo e que senti vontade de ler novamente. A obra-prima do Fernando Sabino fala da amizade, tema que estou explorando. E hoje encontro também um novo talento, um poeta. Já valeu à pena por hoje. Seu texto flui e nos leva para bem distante no pensamento. Parabéns meu caro e continue escrevendo.

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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