Archive for janeiro, 2009

Como se Fosse Uma Nova Experiência

ácido

Uma sacola. É o suficiente para carregar um par de bermudas surradas e algumas camisetas maltrapilhas. O tênis furado, que ainda cabe muito bem, cobre todos os calos. Eu ainda tenho mania de acreditar nas coisas que me fazem repentinamente feliz. Tudo assim sem raiz, mas impregnado de experiências das últimas horas. Nada que me prenda a um só lugar. Com um pé atrás, por conta dos devaneios vividos. O outro na frente, com a mesma coragem de um bebê, que tenta seus primeiros passos rumo ao colo da mãe. Sigo a estrada.

Eu abraço o mundo. Sem medo, ou hesitação. Cauteloso, porém intempestivo. Com pressa e depressa, porque o relógio nunca pára. E são brindes para comemorar, copos a virar, e lágrimas de choros. Por dor ou amor. Muitas bocas beijadas, vontades saciadas e histórias contadas, muitas vezes inventadas. Tudo isso mais e mais, novamente e outra vez. Respirando e suspirando cada dia como se fosse uma nova experiência.

Promessas que nunca foram cumpridas. Estradas compridas e amores em curta temporada. Paixões sazonais. Eu acerto e erro, pois não tenho o dom de saber que não posso ser o mesmo após um piscar de olhos. Tantas ruas e esquinas. Luzes e retinas. Noites e dias que só posso trazer comigo em lembranças tardias. Palavras que eu não poderia ter pronunciado, outras que eu deveria ter balbuciado noutro tom. Tem vez que é assim, fica o dito pelo não dito. Para quê ser tão certo?

Sou definitivamente assim, indefinido. Antiquado e despojado. Como aquela sensação de acordar cedo num domingo cinza e ficar observando a chuva cair. Sem pretensão ou compromisso, apenas enrolado nas cobertas, repleto de preguiça e moleza. Tanta pouca coisa boa que eu aprendo no percurso da estrada. Sem mapas, para não perder as surpresas. E assim vou fazendo e refazendo amigos, amores e razões. Disseminando minha essência e espalhando minha vida, tal menino que corre em direção ao mar.

Anúncios

janeiro 13, 2009 at 2:37 pm 11 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago