Não Somente Para os Vinte e Cinco de Dezembro

dezembro 23, 2008 at 4:11 pm 10 comentários

Findo mais um ano e eu não consegui cumprir metade das promessas que fiz. A mim e a quem devo algo. Mas, eu tenho que rascunhar uma mensagem para meu mailing, não tenho? Sei lá, chega a ser sacal tanto texto e imagem piscando entre pinheiros e luzes brilhantes. Ah, e tem sempre aquele velho barrigudo vestido de vermelho e usando uma longa barba branquinha. São muitos ho-ho-hos lotando a caixa de e-mails e desejos de um próximo ano mais próspero Eu sinto mesmo é saudade dos cartões postais, todos escritos a mão, vindo dos parentes de perto ou longe. Ainda me lembro que os colocava na árvore de natal.

É irritantemente cretino todo esse tom fraterno. Porém, muito essencial. Durante o ano só quero saber do ‘eu’, mas em dezembro sempre penso no ‘nós’. Por isso, peço perdão pelas presepadas sempre quando vejo um presépio remetendo a paz. Não posso parcelar meus erros e culpas, mas ainda tenho crédito no cartão para tantos gastos não castos. Compra de presentes, chester, castanha, cidra e vinho e, se tiver uma boa promoção, um bom champagne.

E tudo é tão colorido! As ruas piscam em tons de festa. Sacadas, varandas, janelas e favelas. Todo canto devidamente iluminado. Artificial, assim como a paz. Só não neva porque o calor é de praxe. Bom mesmo é a luz nos olhos das crianças. Elas aguardam os trenós e renas trazendo muitos embrulhos com brinquedos digitais. Viva o décimo terceiro dos seus pais. Tudo com fita brilhante e papel colorido. Antes da meia noite, todos contam as horas para rasgar os embrulhos e comer as guloseimas do Natal. Tem panetone, arroz à grega e bacalhau. Sem contar a rabanada.

Depois de pensar nisso tudo, eu juro que quase enviei um telegrama ao tal de Noel. Queria que ele me tornasse criança novamente e me fizesse acreditar na magia que existe nesta época do ano. Desde que fui crescendo, deixei o encanto desvanecer. Até fiquei com raiva do nariz vermelho do Rudolph. Mas eu asseguro que no ano que vem tentarei acreditar mais nesta data e menos nas promoções capitalistas baratas. Bom, pelo menos é uma promessa. Uma de tantas que fiz e não cumpri neste ano que se vai. Que se foi. E eu desejo, não somente para os vinte e cinco de dezembro, mas para todos os trezentos e sessenta e cinco dias de todos os anos, muita saúde, harmonia e paz. Feliz vida.

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Percalços Como se Fosse Uma Nova Experiência

10 Comentários Add your own

  • 1. Aline  |  dezembro 24, 2008 às 12:51 am

    Putz… muito bacana, seu texto! Na verdade ele complementa o meu em um leve sentido.
    Num sei se lembra de mim, mas eu tô de volta a minha vida de blogueria. Não dá pra deixar ela de lado.
    rsrsrsrsrs…
    Parabéns e uma Feliz Vida pra ti também, viu?!
    Um cheiro!

    Responder
  • 2. Pataca  |  dezembro 25, 2008 às 10:34 pm

    Um ano novo cheio de sextas-feiras procê! Abraço!

    Responder
  • 3. Cris  |  dezembro 27, 2008 às 2:10 pm

    Tim tim, Bruno! Eu quase entendo toda essa ressalva com relação ao Natai e a todas as outras datas onde religiosos revivem alguma situação de fé e pessoas comuns, feito nós, resolvem comemorar, comprando e vendendo alguma coisa. Mas tenho que confessar que assumo minha parcela de culpa nessa coisa toda. Nessa falta de credibilidade, ou nessa falta de religiosidade porque, se eu for verdadeira ( e costumo sê-lo, sempre…) o Natal ainda me emociona. Muito….Um beijo grande e uma continuidade muito feliz de dias, nesse ano que se aproxima ( e nos outros, todos…rs). Feliz vida !

    Responder
  • 4. miguel barroso  |  dezembro 27, 2008 às 2:31 pm

    Boas Festas.

    Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

    Responder
  • 5. Tânia  |  dezembro 28, 2008 às 1:58 pm

    Estranho sempre que lembro de ano novo percebo de todas as futeis resoluções que nnca cumpro, e de como aproveito tudo de inesperado que acontece.
    Sendo assim desejo para você surpresas inesperadas…

    Feliz 2009

    Beijos querido!

    Responder
  • 6. Ane  |  janeiro 1, 2009 às 2:24 pm

    É, essa época me deixa meio contraditória…Ao mesmo tempo que é bacana e tal ver toda essa alegria e confraternização, me dá um certo nojo perceber que isso acaba assim que as festas terminarem….Me parece uma alegria hipócrita….
    Mas quem disse que não precisamos dela, não é mesmo?
    beijos.

    Responder
  • 7. João Paulo  |  janeiro 5, 2009 às 1:02 am

    Emocionante a parte do Noel, acreditei nele por muito tempo, como não tinha chaminé, esperei por muitos anos que viesse deixar um presentinho na meia. Doloroso o pensamento capitalista das pessoas, o sentido do Natal não é o mesmo.

    Que os sonhos do Natal permaneçam em nós.

    abração,

    Responder
  • 8. Ale Quites  |  janeiro 7, 2009 às 11:41 pm

    Quem disse que felicidade tem dia certo?!
    Feliz
    feliz
    ano
    hoje
    agora
    feliz
    Vida…

    Beijos, querido! E um feliz ano novo

    Responder
  • 9. ELIANA.  |  janeiro 8, 2009 às 11:00 am

    Oi Bruno…uma FELIZ VIDA pra você também!!…e é assim mesmo a vida, fazer o que?Vamos entrar na dança e tirar fotos do Papai Noel, comer castanhas e peru, com champagne…pelo menos no fim do ano pensa-se no NÓS, e…vamos sonhar…sempre!!Tudo de bom a você!!Beijo!!

    Responder
  • 10. Bárbara (B.)  |  janeiro 11, 2009 às 6:33 am

    Por onde andará esse moço?
    Suas palavras fazem uma falta tão grande!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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