Archive for novembro, 2008

Palavras Que Não Poderia Ter Dito

Palavras

Desculpo-me pelas mulheres que não amei. Liberdade é o vento, que entra pela janela do carro. O amor pode ser a brisa. Nunca consegui saber de fato, como denominar este sentimento que às vezes instiga. Eu o vejo na água, tornando o mar crespo. Então o amor pode ser vento, quando as flores bailam ao relento. Porém, tudo fica irritantemente mais belo. Dose em dobro de açúcar e música cheia de poema singelo. Mas, o furacão também é vento. Devasta.

Eu odeio essa coisa de amor. Preocupações, telefonemas e cartas. Sempre a perda é amarga. Medo de errar, ciúmes boçais e tampa da privada sempre abaixada. Um saco! Sexo mais gostoso e excitante acontece com os ‘casos’. Tudo sem obrigação. Pelo menos até alguns dias, ou meses. Bom mesmo é o tesão da primeira trepada. Ninguém impede o outro com negativas e censuras. Muitas travessuras e menos palavras chatas. Absurdas.

Celebro todas as fodas e festas que fiz entre frestas e forras. Sem precisar conhecer sogras e as sobras do dia anterior. Beijos de língua sem gastar muita lábia. Arrependo-me pelas palavras que não poderia ter dito. Muitos ‘te amo’ em vão, sem saber o quão relevante eles são. Olha, não sou tão cruel assim. Mas tudo é por querer apenas viver mais em mim. Por mim.

Tenho ânsia. Não quero perder o futebol na televisão e a cerveja com os amigos. Depois do gozo, também quero mais espaço na cama. Nunca fui de aturar TPM, por isso sigo em frente para manter minha excitação por outros ventres. Minha ereção é uma religião que não permite monogamia. Minha compaixão é ato de heresia. Às mulheres que não amei, somente as desculpas sem sermão. Não gosto de brisa, somente furacão.

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novembro 21, 2008 at 3:40 pm 13 comentários

Longe das Migalhas de Alguns

Vida

Meu mundo é um quarto com a cama bagunçada. Pode deitar, mas o lençol é amarrotado e o travesseiro não tem fronha. Minha vida é revirada. Assim como meus olhos antes do orgasmo ou do sono. Mas, calma lá! Essa cama não é perfeita ou engomada, tipo as de hotel. É um leito já usado, amarfanhado e batido com a indisciplina dos corpos que já se deleitaram e se deitaram por aqui. Há tantos itens entulhados e vividos. Poeira nos cantos e teias. Rastros de aranhas.

Minha vida é tal beirada de rio e mar. Sem praia ou duna de areia rala. Coqueiro com sombra de dúvidas e certezas com sabor de água de coco. Calmaria em cheias sem lua nova para abrilhantar a falta do sol. Mar doce na borda que se pinta em ondas rasas de espuma branca. Noutra margem, há salgadas ondas turbulentas para eu não achar que a vida é cor de rosa. Rede furada é alento com brisa que balança, mesmo quando não me movimento. Turva e límpida é a maré que confunde os grãos de areia com farelo de esperança.

Pronomes possessivos chegam com a benção do consumismo barato. Onda boa é ser alguém sem ter algo, mas com ego. E sem eco, guardo-me em frascos de ética mesquinha sem jamais contar com a sorte do acaso. Sem ser ateu ou carregar cruz. Bem longe das migalhas de alguns. Tudo assim sem janela ou porta de entrada, porém nunca sem ter uma saída de emergência. Fuga boa é entre as regras que não condizem com a realidade. Sou eu quem emprega os verbos sem predicados. Deixo faltar uma necessidade de conjugar o tempo. Deixo a fé ser maior que o improvável. Sou ogã de mim. Sou alguém.

novembro 4, 2008 at 4:25 pm 9 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago