Elas

agosto 11, 2008 at 2:14 pm 13 comentários

elas

Qualquer mulher digere um homem, isso é fato. Eu nunca soube lidar com elas, principalmente no âmbito do amor e da dor. Nunca encontrei o equilíbrio ideal para me manter de pé na linha tênue do seu âmago. Confesso que já fui mastigado por umas, escarrado por outras. Cuspido seria clichê demais. Alguns ventres já me acomodaram, outros me repeliram. Ah, os seios! Tantos anseios por peitos que nunca precisariam me dar de mamar.

Uma única mulher me desfraldou. Quando ainda menino, aqueles foram minutos instantâneos e imaculados. Hoje sou viciado em novos encaixes aprendidos entre os vai-e-vem nos vértices. Horas de safadezas em que eu não sei dosar o vício. Deusas, ninfas, fadas e algumas bruxas. Feiticeiras que encantam e malvadas que entorpecem. Uma ode às ‘amélias’ e seus ventres proibidos. Palmas às ninfetas vulgares, que me levam aos delírios selvagens. Fendas que até hoje eu não me desprendo. Mulheres venenosas, ardilosas. Apego-me a todas.

Puras ou miscigenadas. Eu idolatro as loiras e deslizo meus desejos por cada curva galega. Não me importa se as sobrancelhas ou pentelhos são pretos. Eu venero. Sem contar as mulatas, que melhor rebolam em cima do salto. Sou louco pelas morenas com gingados castos. Ah, as ruivas! Imagino toda a penugem avermelhada. Excitação. Eu sempre tive tesão pelas concubinas de cabelo vermelho. Desculpem-me se esqueci de alguma etnia.

Não tenho o hábito maniqueísta de uniformizar o perfil das mulheres. Minha ternura por elas já é escolada e pós-graduada no exterior. Não tem essa de que as melhores são altas, baixas, gordas ou magras. Todas valem uma seresta. Porém, eu nunca consigo fazer uma perfeita serenata. Sempre falho. Todos os homens fracassam. Eu não sou diferente e me falta aprender a melodia dos deltas. Ainda sou garoto crescido em busca de uma ejaculação sem harmonia, só por puro prazer. E tantas foram as vezes em que me vangloriei aos amigos por ter ‘comido’ fulana ou beltrana. Prova de que nunca soube realmente gozar. Porque são as mulheres quem comem e digerem um homem.

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13 Comentários Add your own

  • 1. pensamento involuntario  |  agosto 11, 2008 às 2:17 pm

    Quanta sabedoria em falar de mulheres. Gostei do seu blog, voltarei outras vezes, apareça no meu se desejar.

    Responder
  • 2. alexandre  |  agosto 11, 2008 às 2:19 pm

    Mulheres. Não vivemos sem elas: deusas!!!

    Responder
  • 3. Ana Carolina  |  agosto 11, 2008 às 7:36 pm

    Puta merda, que final hein?! Adorei!!!!!! Nunca li um blog com textos tão expressivos quanto o seu… Eu visito muitos blogs, mas nenhum possui textos que me prendem tanto quanto os seus, realmente os adoro! Fico sempre na expectativa do próximo assunto… =)

    Beijos!!!!!

    Responder
  • 4. felipe lima  |  agosto 11, 2008 às 11:58 pm

    As mulheres sempre rendem poesias e outros escritos. O sexo também.

    Responder
  • 5. Polyana  |  agosto 12, 2008 às 8:52 pm

    Seu texto é maravilhoso !!!

    Apaixonei 😉

    Responder
  • 6. Su  |  agosto 13, 2008 às 10:00 am

    os homens pensam que estão por cima e mandam em tudo, mas na verdade conseguimos tudo o que queremos!

    bjosss!!!

    Responder
  • 7. Sônia  |  agosto 13, 2008 às 10:25 am

    É isso aí! rs…

    Bom dia sumido!

    Responder
  • 8. Christiani Rodrigues  |  agosto 14, 2008 às 11:44 am

    Eu idolatro as seguras, donas-de-si e sábias. Estas, sabem o que querem, como querem, por que querem, quando querem. Permitem que tomem a frente, somente por causa de seu próprio objetivo. Quando a gente se depara com uma destas, ou se admira muito ou se teme bastante, …rs… só não sei se é o tipo que se encontra facilmente por aí…rs…’

    um beijo no core, sr sumido

    Chris

    Responder
  • 9. luana  |  agosto 14, 2008 às 11:34 pm

    uau..vou mandar esse texto pra tdos os meus amigos 😉
    ;**

    namastê!

    Responder
  • 10. Ane  |  agosto 19, 2008 às 3:12 pm

    Esse final foi foda!!!

    =)

    Responder
  • 11. elisabetecunha2008  |  agosto 22, 2008 às 2:37 pm

    “Qualquer mulher digere um homem, isso é fato. Eu nunca soube lidar com elas, principalmente no âmbito do amor e da dor. Nunca encontrei o equilíbrio ideal para me manter de pé na linha tênue do seu âmago. Confesso que já fui mastigado por umas, escarrado por outras. Cuspido seria clichê demais. Alguns ventres já me acomodaram, outros me repeliram. Ah, os seios! Tantos anseios por peitos que nunca precisariam me dar de mamar.”

    LINDO ,,LINDO,LINDO……….

    SAUDADES DE VC BRUNO!

    POSSSO USAR NO MEU BLOG ESSE FRAGMENTO???

    DIZ QUE SIM!

    🙂

    Responder
  • 12. Lubi  |  agosto 23, 2008 às 7:37 pm

    Não gostei.
    E nem me pergunte porquê, não sei.

    Responder
  • 13. Pataca  |  setembro 19, 2008 às 2:42 am

    Muito bom! Cheguei sem querer e voltarei querendo! Abraço!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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