Archive for agosto, 2008

Aprendi a Não Jogar Nada na Lixeira

pratel

Eu não guardo meus sentimentos em caixas de papelão. Elas são frágeis. Às vezes os deixo escondidos na estante, entre os vinis empoeirados e as memórias congeladas em álbuns de fotografias. Vontades misturadas com saudades ocultas, para que ninguém mais possa encontrar. Somente eu quem devo procurar as emoções em cômodos incômodos. Não posso confiar nem na minha sombra, pois até ela me abandona quando as luzes se apagam.

Tem um problema. Ás vezes me esqueço dos sonhos. Engraçado, muitos são substituídos por novos anseios sem sequer terem sido concretizados. Assim fica difícil, pois tenho que arrumar outro lugar para guardar todas as aspirações joviais. Não que elas se realizem, pois hoje tudo é tão mercadológico. Tanta coisa impulsionada por cobiça passageira, propaganda fútil e ofertas imperdíveis. Tudo substituível. Mas, o sonho não pode ser mais um produto produzido pelo cotidiano. Isso me dá pavor! Por isso eu jogo todos os meus medos dentro da privada. Alguns insistem em não descer com a descarga. É um saco reencontrá-los boiando sempre quando vou vomitar novos temores. Mas o mundo me ensinou a não jogar nada na lixeira.

Nem tudo pode parar no lixo. Acho que toda coisa descartável pode se transformar em arte. A dor, por exemplo, pode vir a ser uma bela poesia ou música. Seria uma boa maneira de expor algo que nos causa repúdio. E o que julgamos não nos prestar mais, é o que muitas vezes pode se tornar útil às novas vontades. Nossas pretensões não possuem prazo de validade e nós consumimos produtos, objetos, idéias e sentimentos em liquidação de qualquer promoção relâmpago ou queima de estoque.

É tanto entulho que nem damos conta de onde isso vai parar. Por isso, guardo meus sentimentos bem escondidinhos na estante. Vai que alguém os encontra e decide vender pela internet? Não há preço de custo para a cotação de tudo o que passamos na vida. Penso em como reutilizar e reaproveitar cada suspiro, riso e lágrima. Revitalizar! Não posso tratar tanta comiseração como um produto de bazar. Por isso aprendi a não jogar nada na lixeira. Mesmo que eu ainda esteja aprendendo a reciclar, um dia vou precisar me reencontrar no meio da sucata e da poeira, pelas lacunas de sentimentos espalhados por todas as prateleiras. Pois a vida não acontece onde a deixo, e sim onde eu esqueço de mim.

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agosto 27, 2008 at 6:23 pm 11 comentários

Elas

elas

Qualquer mulher digere um homem, isso é fato. Eu nunca soube lidar com elas, principalmente no âmbito do amor e da dor. Nunca encontrei o equilíbrio ideal para me manter de pé na linha tênue do seu âmago. Confesso que já fui mastigado por umas, escarrado por outras. Cuspido seria clichê demais. Alguns ventres já me acomodaram, outros me repeliram. Ah, os seios! Tantos anseios por peitos que nunca precisariam me dar de mamar.

Uma única mulher me desfraldou. Quando ainda menino, aqueles foram minutos instantâneos e imaculados. Hoje sou viciado em novos encaixes aprendidos entre os vai-e-vem nos vértices. Horas de safadezas em que eu não sei dosar o vício. Deusas, ninfas, fadas e algumas bruxas. Feiticeiras que encantam e malvadas que entorpecem. Uma ode às ‘amélias’ e seus ventres proibidos. Palmas às ninfetas vulgares, que me levam aos delírios selvagens. Fendas que até hoje eu não me desprendo. Mulheres venenosas, ardilosas. Apego-me a todas.

Puras ou miscigenadas. Eu idolatro as loiras e deslizo meus desejos por cada curva galega. Não me importa se as sobrancelhas ou pentelhos são pretos. Eu venero. Sem contar as mulatas, que melhor rebolam em cima do salto. Sou louco pelas morenas com gingados castos. Ah, as ruivas! Imagino toda a penugem avermelhada. Excitação. Eu sempre tive tesão pelas concubinas de cabelo vermelho. Desculpem-me se esqueci de alguma etnia.

Não tenho o hábito maniqueísta de uniformizar o perfil das mulheres. Minha ternura por elas já é escolada e pós-graduada no exterior. Não tem essa de que as melhores são altas, baixas, gordas ou magras. Todas valem uma seresta. Porém, eu nunca consigo fazer uma perfeita serenata. Sempre falho. Todos os homens fracassam. Eu não sou diferente e me falta aprender a melodia dos deltas. Ainda sou garoto crescido em busca de uma ejaculação sem harmonia, só por puro prazer. E tantas foram as vezes em que me vangloriei aos amigos por ter ‘comido’ fulana ou beltrana. Prova de que nunca soube realmente gozar. Porque são as mulheres quem comem e digerem um homem.

agosto 11, 2008 at 2:14 pm 13 comentários

A Cultura Popular Através das Letras de Wesley Aguiar

“De repente o vento cessou e logo um calor insuportável foi tomando conta do ônibus, o suficiente para que todos, aos poucos, fossem acordando e, em pensamento, embora lento, porém coletivo, a quase certeza de que o ônibus quebrara. Era só que faltava após uma madrugada fria e desconfortável cruzando uma esburacada BR 101 em território baiano. Mas quebrado mesmo, foi o tal pensamento coletivo, talvez já pela influência do Bom Jesus da Lapa e, na prática, pelo semblante agradável do motorista que, anunciou em alto e bom som que estávamos na divisa dos estados de Sergipe com Alagoas, em meio ao Rio São Francisco ou o Velho Chico, como ele mesmo disse.
Do azul para o verde claro que por sua vez se misturava ao azul escuro. Essa era a coloração inexata do imenso espelho d’água. Tal magnitude fez-me extasiado e, paralelamente, excitado a saber mais sobre aquele rio, afinal, tudo o que eu sabia desde pequeno sobre o Rio São Francisco, limitava-se a sua importância em quanto bacia hidrográfica para o país. Mas olhando de frente, nunca ousaria acreditar que aquela grandiosidade poderia ater-se somente aos números de sua extensão, das represas e dos estados ao qual suas águas servem para gerar energia, irrigar o faturamento do agro – negócio ou mesmo para matar a sede e a fome dos irmãos sertanejos. Sem dúvida sua verdadeira riqueza estava oculta rio adentro, preservada pelo seu povo, imensurável e, desconhecida pela maioria dos brasileiros. Era janeiro de 2006 e eu estava de passagem rumo à capital pernambucana. Aquele momento iria se estender.
Posso parecer um louco para maioria, mas não era da sala de aula ou conectado à internet por período integral que eu saciaria minha excitação em conhecer a essência do Velho Chico. Era necessário ir a campo e, isso implicaria em outros setores da vida, pois bem, o fiz. Despedi-me dos colegas de trabalho, abri mão de possíveis oportunidades profissionais e botei o pé na estrada. Poderia ter escolhido qualquer outro tema, como samba, futebol ou violência, ficado pelo Rio de Janeiro mesmo, mas, o Brasil é majestoso em cada metro quadrado, precisa ser estudado e popularmente conhecido (…)”.

Amig@s leitores,
Este é apenas um aperitivo do livro “Cultura Popular Ribeirinha à Transposição – Uma viagem da nascente ao médio São Francisco” do meu amigo Wesley Aguiar.
Alguns o chamam de louco, mas na verdade ele é ‘um guerreiro que corre atrás da materialização dos sonhos sobrepondo todos os preconceitos e contratempos que infelizmente existem’. Assim que nem eu e vocês. Ah, ele também é um baita goleiro frangueiro do nosso time de futebol.

Achei que deveria lhes apresentar este guerreiro, pois o Wesley me ensinou que os desejos também se realizam através de aventuras.

Segue o convite para quem quiser se banhar nas águas do ‘Velho Chico’ através das letras deste publicitário-escritor:

Rio de Janeiro:
Segunda, dia 11 de agosto às 18hs
Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA
Auditório do Campus I – Rua Muniz Barreto 51, Botafogo.

São Paulo:
BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO
Estande da editora T.MAIS.OITO
Sabadão, dia 23 de agosto – Horário: 18h
Parque de Exposições Anhembi – Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana

Mete bronca, Wesley!
Sucesso, amigo.

Mais informações

agosto 7, 2008 at 2:44 pm 3 comentários


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago