Barulho das Descobertas Tardias

junho 30, 2008 at 6:09 pm 16 comentários

eu

Saio debaixo das cobertas e caminho rumo à janela para sentir o frio da madrugada. Meu sono foi quebrado pelo o barulho das descobertas tardias. Vejo as poucas luzes do céu. Relembro pensamentos sonâmbulos com alvitres remotos que trazem um tipo de nostalgia. Sinto o gelo das altas horas e a saudades de um dorso quente, com cheiro de gozo e gosto de deleite. Antigos trejeitos guardados além da velha culpa de quem não sabe cuidar de ninguém, muito menos de mim.

A alvorada segue e eu não preciso dar corda em meu relógio. O tempo me enforca. As paixões que encontrei pela vida nunca foram decapitadas. Em meu céu não restou estrela, apenas cometas que cruzaram a atmosfera-coração. Tempos em que nuvens formam tempestades de desejo. Eternidade de sentimentos que renovam emoções selvagens com ilusões em beijos de vinho. Memórias que bebem o corpo bem devagar.

A brisa suave traz a música do vento com trilha sonora que só faz ambiente para que eu jamais fique em silêncio. Tipo canção que invade o ouvido e preenche um vazio que a gente não escuta, mas sente. Ventos-canções que não soprei, mas que precisava vivê-los. Muitos repertórios com canções mudas, eternizadas por momentos impulsivos. Assim como o mistério das noites que resgatam a verdade de menino, que sonha o amor em uma cantiga de ninar.

A insônia me ensina a ficar dentro de mim, mesmo quando eu não suporto o sono. E, quando a aurora chega, me mostra que até os erros involuntários são essenciais. Saio da janela arrastando meus pés descalços pelo assoalho frio. Volto à cama quente. Sei que nem toda noite as estrelas brilham, assim como nem sempre consigo dormir em paz. Deve ser porque a paz é barulhenta e eu tenho pavor de ouvir este ruído sem ter uma companhia para adormecer ao meu lado.

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Umbigos, Virilhas e Pentelhos Cobertor para me Proteger do Medo da Escuridão

16 Comentários Add your own

  • 1. felipe lima  |  junho 30, 2008 às 9:07 pm

    As madrugadas sempre trazem as grandes descobertas. Belo texto.

    Responder
  • 2. Diana  |  julho 2, 2008 às 11:23 pm

    O medo de dormir sozinha ao som de caixinhas de músicas desafianadas me persegue…

    Responder
  • 3. Mandy  |  julho 3, 2008 às 4:36 pm

    Muito bom texto, gostei principalmente do final: “Sei que nem toda noite as estrelas brilham, assim como nem sempre consigo dormir em paz. Deve ser porque a paz é barulhenta e eu tenho pavor de ouvir este ruído sem ter uma companhia para adormecer ao meu lado”. O medo de dormir sozinho persegue a muitos, mas o pior é dormir com alguém ao seu lado e continuar sozinho…

    E sobre o seu post anterior, o com muitas palavras ditas por um cafajeste, saiba q apesar de ele não valer nada, tem um certo charme e é o tipo q pode levar a cometer loucuras em todos os sentidos…apesar das palavras chulas…

    Responder
  • 4. Fernanda Sampaio  |  julho 4, 2008 às 7:22 am

    A paz pode ser inquietante, tens razao.

    belo texto!

    Responder
  • 5. Tânia  |  julho 4, 2008 às 2:56 pm

    Inquietude é minha de saudade destas tuas letras…

    Meus devaneios mais insanos são os produzidos assim…Como agora, quando estou andando pelo quarto, silenciosa como uma gata… E, escrevo à mão este comentárioa penas para não perturbar teu sono…

    Desculpe Bruna mas foi impossível não devaneiar com teu texto…Aí surgiu este pequeno paragrafo aí em cima…

    Beijos de Saudade!!!

    Responder
  • 6. João Paulo  |  julho 4, 2008 às 11:44 pm

    Ainda bem que pude voltar aqui e ler magnifico texto, uma vez que minha vida se voltou apenas à academia. Ser aluno de pós e professor universitário não é nada zen.

    Saudades!

    Responder
  • 7. ELIANA  |  julho 5, 2008 às 4:44 pm

    Oi Bruno, tudo bem?Uaau!!Como disse o João Paulo, ainda bem que pude voltar aqui e ler esse magnífico texto!!Muito lindo!!Parabéns!!Você escreve muito!!Vou procurar mais tempo para estar aqui mais vezes, porque vale a pena…com certeza!!Tudo de bom a você!!Beijo!!

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  • 8. Sônia  |  julho 5, 2008 às 11:30 pm

    É assim mesmo, nem toda noite as estrelas brilham.

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  • 9. Lucia  |  julho 6, 2008 às 5:54 am

    Som de paz deve ter sido feito pra se ouvir a dois…
    Beijos

    Responder
  • 10. Aline  |  julho 7, 2008 às 9:43 pm

    Realmente é ruim não ter com quem compartilhar uma noite de insônia… mas tb somos boas companhias para nós nessas noites, os pensamentos parecem desanuviar de forma assustadoramente reveladora.

    Bjm

    Responder
  • 11. Carolina  |  julho 8, 2008 às 2:11 pm

    ta rolando um prêmio no meu blog, participe e divulgue!!

    Responder
  • 12. luana  |  julho 9, 2008 às 5:02 pm

    parece que o tempo eh o narrador.. 🙂
    o tempo passa, as vezes, correndo e aih? o que sobrou mesmo?

    gostei do texto, muioto mesmo! ;**

    namastê!

    Responder
  • 13. Fina Flor  |  julho 10, 2008 às 3:38 am

    Oi, Bruno, tudo bem?

    Esse mês encerramos a temporada do Sol na Boca no Canequinho Café [anexo do Canecão].

    Amanhã, 5a.feira, 10/07, vai rolar show às 21h!!!

    Se você quiser ir coloco seu nome na lista amiga +1 [50% de desconto no ingresso], é só me dizer… :o)

    Será um prazer!!!

    Confira nosso spot, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=JH93mYd6EVs

    Beijos e até

    MM.

    Responder
  • 14. garotabossanova  |  julho 11, 2008 às 4:59 am

    Os seus textos são pungentes,doídos,poéticos.Incrível como um post pode carregar tanto de alguém,seja ele fictício ou não.Abraço grande!Posso voltar?

    Responder
  • 15. Raíssa  |  julho 13, 2008 às 10:36 pm

    Maravilhoso o texto! Poético, triste, reflexivo, intenso. Você escreve bem demais! 🙂

    Beijos

    Responder
  • 16. Manu  |  julho 25, 2008 às 3:15 am

    Adoro a forma como tu escreves…
    Fazia tempo q não passava por aqui…
    Bjus, Manu

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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