Umbigos, Virilhas e Pentelhos

junho 13, 2008 at 7:37 pm 19 comentários

umbigo

Sou um cara sem a misericórdia de um guardanapo que mal serve como rascunho para meus versos falsos. As cantadas tolas sempre falham, pois sei que todo o pensamento naufraga em labirintos infinitos. É como respirar fundo com a cabeça embaixo d’água, em qualquer privada de motel. O abrigo perfeito seria entre as coxas das moças que nem sei o nome. Adoro perder-me entre umbigos, virilhas e pentelhos.

Ainda me lembro da minha primeira trepada com a mulher que sequer amei de verdade. Recordo que nunca presenteei minhas paixões com flores, nem dei bombons às amantes em cada noite desmaiada entre seios e anseios por qualquer néctar. É irritante achar que sou um homem vigoroso, apenas por ficar de pau duro. Chulo? Pode ser. Mas não menos sincero que todas as ejaculações banais que nós, garanhões cretinos, costumamos desperdiçar por aí.

Para entender o que é gostar de uma mulher de verdade, eu necessito de um estimulante alucinógeno. Simplesmente para me drogar toda vez que a vida se transforma em algo suportável. Tipo casamento, TPM e vitrines de shoppings. Não se pode quantificar a angústia, ou classificar a dor de quem jamais aprendeu a entender esta espécie sedutora e irritante que só quer amar. Será?

Amor é complexo. Uma palavra-medo que contrai o diafragma e leva o estômago à boca. Eu apenas quero solidão e todas as mulheres ao meu lado. Sou cretino, cruel e apetecido por deltas e olhares fatais. Não quero que ninguém me julgue, por favor. É instinto misturado ao machismo. Tudo lecionado de pai para filho, geração após geração.

Também conheci damas que afirmavam que monogamia é tédio. Outras me deram na cara, porque deixei claro que só queria a xoxota. Palavra de baixo calão! Desculpe, é que eu aprendi que ser educado é ficar em silêncio. Mas eu berro. Ainda não encontrei alguém para fazer com que as palavras sumam. Sei que preciso aprender a ser homem além cama. Tudo para permitir que algum verdadeiro afeto me aconchegue em uma única voz. Que cale a minha fala entre a cama e os olhares. Não adianta, pois sempre que alguma mulher fecha a minha boca, as palavras se entreabrem. Assim como as suas pernas.

Entry filed under: Ácidos.

Hablar o Callar Barulho das Descobertas Tardias

19 Comentários Add your own

  • 1. Ane  |  junho 15, 2008 às 12:15 pm

    Uouuu!

    Olha, tbm acho monogamia um tédio sem fim, mas quando se conhece alguém bacana, chega a hora de lutar contra seus medos e tentar algo novo…É o que estou tentando fazer, de uma forma totalmente atrapalhada, mas estou!
    ótimo texto, te entendo completamente! Só não machuque o coração das moças, que só querem amar…
    beijo!

    Responder
  • 2. João Paulo  |  junho 17, 2008 às 1:59 am

    Voltando aqui e encontrando tão beltexto é estimulante. Entre dissertações e teses a lembrança de sexo não tão normal é alucinante. Bom poder encontrar aqui um refúgio de coisas detiosas que são importantes, mas não tudo.

    Abraço,

    Responder
  • 3. ergonomia  |  junho 17, 2008 às 9:11 am

    Adorei sua criatividade.Adar com um texto maravilhoso.
    muito boas, mo’ gostou muito, da mesma maneira que o blog, obrigado muito.
    muitas felicidades!!!

    Responder
  • 4. Ana Carolina Freitas  |  junho 18, 2008 às 11:42 am

    Tá ai, seu texto disse tudo! Quão difícil é encontrar alguém que simplesmente faça as palavras sumirem não somente entre gemidos e sussurros…
    Agora o “outras me deram na cara” chega a ser hilário… rsrs É foda ter que arcar com ilusões alheias, rsrs Eu costumo dizer que “as pessoas se iludem sozinhas”, até por que certas coisas é não preciso deixar bem claro, já estão!
    Beijos pra vc!
    Ótimo texto!

    Responder
  • 5. Aline  |  junho 18, 2008 às 5:11 pm

    Caríssimo!

    Vc deve ter dado boas gargalhadas ao escrever esse texto, tenho certeza!
    Até pq eu rí demais! PERFEITO! Quem dera que todo homem tivesse a coragem de assumir-se assim em tão bem escritas palavras.

    Mas chega de elogios 😀

    Beijão!

    Responder
  • 6. Amanda  |  junho 20, 2008 às 3:33 pm

    muito tempo sem vir aqui, sempre uma surpresa…
    espere, que um dia alguém te faz calar e suas palavras não vão nem querer sair da sua boca.

    sem julgamentos,
    “não menos sincero que todas as ejaculações banais que nós, garanhões cretinos, costumamos desperdiçar por aí.”

    hehe
    😉

    Responder
  • 7. Diana  |  junho 20, 2008 às 7:09 pm

    Cinema Alternativo francês *_________*
    Lembrou-me em demasia o seu escrito hoje…

    Responder
  • 8. Diana  |  junho 20, 2008 às 7:11 pm

    (ah, isso foi um puta elogio)

    Responder
  • 9. silas  |  junho 20, 2008 às 8:38 pm

    bom dia!
    gosto muito do sua pagina!
    sou adm. do blog “o fogo anda comigo”(thefirewalkswithme.blogspot.com).
    o blog tem como ideal um SARAU AMPLIFICADO onde TODOS divulgam suas ideias e, o principal, poemas.
    gostaria de ser um parceiro seu!
    OBRIGADO!
    ofogoandacomigo@yahoo.com.br

    Responder
  • 10. Anônimo  |  junho 21, 2008 às 8:12 pm

    Prezado Bruno,
    um lindo texto seu esta em chamas!
    o postei hj,21/06/2008 cedo!
    O Fogo Anda Comigo (thefirewalkswithme.blogspot.com)
    abraços
    silas

    Responder
  • 11. Menina da Imprensa  |  junho 22, 2008 às 12:29 am

    Pesado, forte, direto… Um texto, bem homemzinho! Como a verdade é tudo menos pecado, não há porque te condenar… Ainda assim, desejo que você vença seus medos, e enxergue que a vida vai além do sexo…
    Kisses

    Responder
  • 12. Carol Montone  |  junho 22, 2008 às 5:26 am

    ufa!! bom pra ti que sabe pelo menos por hora o que quer ..
    texto impecável como sempre. prabéns pela malemolência para dizer , memso qeu seja da dureza e da solidão
    meus beijoss
    Carol Montone

    Responder
  • 13. felipe lima  |  junho 23, 2008 às 11:34 am

    Gostei do texto. Aproveito para lhe convidar para uma visita: o endereço é http://www.felipelimadescalco.blogspot.com. Até.

    Responder
  • 14. CARLA  |  junho 24, 2008 às 2:07 am

    Senti raiva ao ler, senti nojo, algo ficou engasgado, meu estômago embrulhou. Algo está errado. Quantas pessoas viestes a magoar? Quantas choraram por teu desprezo? Será que sou tão diferente de todo mundo, ou será que sou hipócrita, demagógica por não reconhecer com sutileza que também já passei por situação semelhante, só não tive coragem de falar, não diretamente.

    “Merda” de texto que me fez ler parágrafo por parágrafo mesmo que não quisesse, discordei concordando. Concordei discordando.
    Senti pena, senti cumplicidade.

    Já leu Charles Bukowski? Se parece com você, na forma de escrever…

    Parabéns pelo blog, minha primeira visita, e gostei muito.

    Responder
  • 15. Sônia  |  junho 25, 2008 às 1:18 am

    Complicado o seu caso…rs

    Responder
  • 16. Soraia Barbosa  |  junho 26, 2008 às 8:27 pm

    Belíssimo texto!
    Parabéns!

    Responder
  • 17. Anaísa  |  junho 28, 2008 às 4:00 pm

    perdidamente envolvente…
    beijos

    Responder
  • 18. Biju  |  julho 4, 2008 às 4:16 pm

    Nossa, esse texto me lembrou muito uma fase de minha vida na qual fui amante de um homem muito mais velho e (estetica, financeira e intelectualmente ) maravilhoso. Achei seu texto a cara dele !

    Responder
  • 19. hssdivdaju@gmail.com  |  janeiro 30, 2017 às 3:32 pm

    Hello, how¡¯s it going? Just shared this post with a colleague, we had a good laugh.

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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