Do Chester ao Peru

dezembro 26, 2007 at 12:03 pm 14 comentários

Natal É surpreendente como o natal pode se tornar insuportável por alguns minutos. Tudo tão enfeitado, jingles decorados e mesas postas. Meia noite tem ceia, mas desde o meio dia eu já estou bebendo umas latinhas de cerveja. Estou de saco cheio do computador, que me contempla com inúmeras mensagens de amor e paz, com e-mails hipócritas que me desejam coisas impróprias, camuflando o verdadeiro sentimento: que eu me dane. Vou até a sala ver o resquício da família. Está cada vez menor e eu sou o único com mais de 25 anos que ainda não tem filho. Sorrisos, alguns princípios de ‘olá, tudo bem, como vai?’ e aquele velho espírito natalino evitando que eu dê um soco na cara daquele parente filha-da-puta que só aparece em dias de festas desfrutas. Nada de novo, a não ser os piscas na janela em tom fosco.

Que delícia, ela veio! Minha prima continua a gostosa de sempre e eu, sem receio, não me esqueço da época em que lhe roubei o primeiro beijo. Faz-me delirar! Vestidinho vermelho saliente, de uma mulher que cresceu de repente e agora sabe o que é o verdadeiro brincar. Meu tio, com olhar suspeito, não esboça reação de despeito por eu abraçar sua filha cheia de trejeitos. No início é só blá-blá-blá, pelo menos eu já estou no meio do caminho antes de um verdadeiro embriagar. Vinho, champagne e até rabanada. Tudo para aquela noite ser devidamente degustada. Dá até para aturar a gritaria-correria da criançada, pois meus sonhos continuam meninos, assim como o meu tesão adolescente que não atenua a minha relevante libido.

Depois da ceia, na décima terceira taça de Prosecco, levo a prima para o quarto com meu papo matreiro e vamos direto da suíte ao banheiro. Está todo mundo bêbado na sala vendo o DVD da Simone. Um lixo. E eu que não sou tão prolixo me indago: ‘E daí que é natal?’ Do Chester ao Peru. Ela sem o vermelho do vestido e eu despido de respeito com a árvore genealógica da família. Emaranhados, com nossos sussurros e gemidos e o espelho do banheiro embaçado. Não deu tempo de pedir desculpas quando larguei a ceia e caí de boca naqueles seios. Bobagem chula, nada de censura ou muita candura para esperar Papai Noel chegar. Adrenalina sim, a mil! Antes que nossos pais nos achem e nos retirem deste encaixe, ou que a nossa vontade realmente acabe.

Boldo. Sabe como é? Excelente para ressaca. E o natal pode se tornar insuportável por alguns minutos, mas neste ano nem tanto. Conclusão tirada após ver minha expressão de deleite estampada no espelho do banheiro da suíte. Torço para que a água do mar, no dia 31, lave meus pecados sem limites. Pelo menos até o fim do Reveillon quero curtir tudo o que a vida tem de bom. Pois aposto que na virada, o vermelho será branco, um vestido que não vai me esconder nada. Nenhum pouco, a não ser os piscas na janela em tom fosco.

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Malditas Cafeteiras Mentirosas Essa Tal Sustentabilidade – Artigo Publicado no Caderno Razão Social – O Globo

14 Comentários Add your own

  • 1. alexandre  |  dezembro 26, 2007 às 1:51 pm

    Estou aqui pra te desejar um ótimo 2008…um ano renovado de desejos e realizações concretas…sem frescuras!
    Abraços!

    Responder
  • 2. hemisfério norte  |  dezembro 27, 2007 às 1:26 am

    eheheheh
    danadinho vc, hein?
    um bom 2008
    bj
    a.

    Responder
  • 3. Ana Carolina  |  dezembro 27, 2007 às 1:02 pm

    Adorei o seu texto! hehe
    Beijos

    Responder
  • 4. Fernanda Alves  |  dezembro 27, 2007 às 5:05 pm

    Que presente de natal hein… pelo menos matou a monotonia e a rotinas de toda noite de natal!!!

    bjo

    Responder
  • 5. RLima  |  dezembro 27, 2007 às 11:33 pm

    Isso é real? Acontece em todas as famílias mesmo?rsss

    Pensei que era eu fato único.. putz engano..

    Bela montagem de fatos…

    Abçs,

    Venha Comemorar o Aniversário do AveSSo em 04 textos até o dia 28/12/2007.

    Texto de hoje: AbRaçO…

    Visite e Comente… http://oavessodavida.blogspot.com/

    O AveSSo dA ViDa – um blog onde os relatos são fictícios e, por vezes, bem reais…

    Responder
  • 6. João Paulo  |  dezembro 28, 2007 às 1:01 am

    Se alimentou bem, hein???

    Comigo o desejo e felicitações só para quem gosto, prezo pelo sentimento verdadeiro.

    Nesse mundo de hipócritas, continuo com a essência dada pelos meus pais.

    Abração,

    Ah, e que em 2008 continue escrevendo tão bem quanto hj.

    Abraço,

    Responder
  • 7. Edna  |  dezembro 28, 2007 às 6:31 pm

    Feliz 2008, muita saúde e energias boas!
    Beijos

    Responder
  • 8. Carol  |  dezembro 28, 2007 às 8:21 pm

    hehehehe, pelo visto o natal foi bom hein…rs

    beijão!

    Responder
  • 9. Andre L. Soares  |  dezembro 29, 2007 às 12:35 pm

    Ótimo texto. E há um consolo em tudo isso: você não é o único a viver esse drama.

    Responder
  • 10. luana  |  dezembro 29, 2007 às 4:15 pm

    iiiuhiudhiudhiudhiudhiduhduhduhiduhdiuhdiudhiudh
    uau que texto sensual.. texto excelente, pra variar! feliz natal atrasado, se bem q nem precisa.. :xx uhuhu hu h iwww!
    😉

    cm estilo heim??
    um 2008 dos melhores pra vc! cheio de aventuras e amor 😀 hohohoho
    ito de fwrias do blog, pq to sem saco mesmo, mas eu venho visitar os blogs de vez em qd 😉

    namastê!!!
    x***

    Responder
  • 11. Renne Boz  |  dezembro 29, 2007 às 7:03 pm

    Muito bom post. Tenha um excelente ano novo, td de bom!
    Abraços!

    Responder
  • 12. aLINE  |  dezembro 30, 2007 às 7:48 pm

    Olá! Olha, faz muito tempo que não venho no seu blog. Nem sei se ainda lembra de mim. Mas um bom filho a casa retorna, né? (não precisa ser necessariamente um filho, e nem ser a casa!)
    Olha, seu texto foi bem, viu!
    Já estava me esquecendo de que você escrevia esses textos que deixam os leitires tão intimos de suas idéias e muito identificados com as ocasiões ralatadas.
    Não vou sumir mais!
    Bom ano novo e boa sorte lá com sua prima!
    Um cheiro!

    Responder
  • 13. Daniel  |  janeiro 3, 2008 às 3:01 pm

    Aê…Aproveitou logo para traçar o bacalhau também né? S A F A D O !
    Aquele abraço!!!

    Responder
  • 14. Flávia  |  janeiro 4, 2008 às 11:04 pm

    Moço, mudei de blog. Agora estou em http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com

    Volto com mais calma para ler o texto. Texto seu não é pra ser engolido feito fast food…

    Beijo!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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