Mesmo que acabe tarde, a sintonia nunca tem fim.

dezembro 10, 2007 at 1:56 pm 19 comentários

churras O aroma dos perfumes misturado ao cheiro do churrasco já estava em todo ambiente. Assim que cheguei, tentei desviar o olhar das coxas moças, sorrisos amarelados e olhares a salvo de qualquer pecado ligeiro. Ainda bem que o meu RayBan me camuflava. Tinha gente de tudo que é tipo, de todas as raças, crenças e delírios. Todos tão felizes, suados, gargalhando e bebendo da alegria, pela satisfação de mais um ano de vida. Aniversário de amigo é assim, a gente abraça a todos que entram pela porta e sabe que, mesmo que acabe tarde, a sintonia nunca tem fim. Belisco uma carne aqui, tomo um gole de batida de amendoim ali e até música que não sei cantar, balbucio. Pra quê saber letra, se a melodia está no compasso em que palpita o coração? É simples mesmo, basta estar ao lado de todos aqueles que jamais serão pagãos. E se assim o forem, chamem os novos compositores pra escrever uma música por consideração.

Copos de vários formatos seja vidro ou de plástico. Nada assim socialmente irresponsável. Mesmo porque a caneca servia pro vinho e pra cerva. E todos os brindes, são despreocupados como os cigarros, gingados e todo estardalhaço sem o compromisso omisso do tempo que passa rápido. É assim mesmo, tudo zen. Sempre quando se está ao lado dos que nos fazem bem. Bem demais era a harmonia. Não do som, mas da alegria em entoar o cântico que agradava a toda maioria. Gritos de guerra, mas que são sempre de paz. Nas mesmas cores e energias que pintam com o vento que nos traz. Confesso que estava de olho no colo daquela morena, mas ela nem me deu tempo de descansar em seu aconchego, toda a minha vontade serena. Sabe aquela sensação inerente de um vazio estúpido, ou todas aquelas palavras que concordei em não dizer? Pois é, eu não senti mais isso quando ela se foi. Vai ver que eu realmente entendi que isso garantia, efetivamente, a minha passagem ao purgatório. Entendi também que estava no hiato entre o céu e o inferno.

O calor era o de menos. Amenizado pelos goles e pelos mergulhos insólitos na felicidade de estar ali, aqui e acolá. O que refresca é estar ao lado de dentro, isso é o que me importa. Eu estava precisando disso novamente. Sair do meu sofá latente e cair na folia, na farra, na marra. Muita cerveja gelada e papo gostoso com a rapaziada. E logo logo o sol adormeceu e a noite ficou parecida com o fim de tarde. Farofa, arroz e molho colorido. Acordes sem dó e o abrigo certeiro no peito de todos os amigos. Principalmente naqueles que nunca me deixam só. Sabia que me deram como morto no dia seguinte? E nem me avisaram! Talvez o enterro seja hoje, amanhã quem sabe? Traquinagem maléfica. Mas eu sei que estou vivo! Pelo menos, acho que ainda sim. Mesmo que não plenamente, mas nunca ausente. Estou realmente nos corações daqueles que sempre se lembram de mim. E isso é coisa para se virar do avesso e transformar num pretérito insano e barato. Coisa de poeta intrigado, trocado por um personagem que jamais será criado.

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Eu Sou Tudo Aquilo Que Meus Amores Levam de Mim Malditas Cafeteiras Mentirosas

19 Comentários Add your own

  • 1. Julio Lagedo  |  dezembro 10, 2007 às 2:52 pm

    O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou. Eu vi…

    Responder
  • 2. Daniel  |  dezembro 10, 2007 às 4:25 pm

    Missão dada é missão cumprida. Não preciso dizer que me amarrei no texto ne?
    Melhor do que ganhar cordão, uísque, bola e roupas;é estar ao lado das pessoas que têm o poder de me fazerem feliz.

    Responder
  • 3. camiles  |  dezembro 10, 2007 às 8:20 pm

    amigos é a melhor coisa do mundo!

    Responder
  • 4. Rosangela  |  dezembro 10, 2007 às 10:07 pm

    Mão existe nada que pague, esta sensação maravilhosa de estar ao lado de pessoas que nos fazem tão bem: os amigos…

    Beijos

    Responder
  • 5. João Paulo  |  dezembro 11, 2007 às 12:38 am

    Demorou, mais o retorno trouxe avidez de sentidos impressionanes.

    Belo texto, metáforas se intercruzam, fazendo de mim pequeno leitor um ser capaz de viajar com seu belo texto.

    parabéns!

    Abração,

    Responder
  • 6. Dus  |  dezembro 12, 2007 às 2:37 am

    Ah, os amigos. Pra que coisa melhor?
    É a família que nos permitem escolher.

    Abraço;

    Responder
  • 7. Erika  |  dezembro 12, 2007 às 9:34 am

    Churrasco e amigos, tudibom.

    Ponto final. rsrs

    Beijos

    Responder
  • 8. Alê Namastê  |  dezembro 12, 2007 às 7:32 pm

    Entre amigos, churrasco e cervejas… hummmm!
    Beijos

    Responder
  • 9. Rubina  |  dezembro 13, 2007 às 2:01 pm

    Perfume com churrasco = cocktail molotof…lol…beijos

    Responder
  • 10. Lubi  |  dezembro 14, 2007 às 10:47 am

    Pois é, mesmo que acabe tarde, a sintonia nunca tem fim.
    Te reconhei em todas as frases.

    Beijo,

    Responder
  • 11. alexandre  |  dezembro 14, 2007 às 11:03 am

    Aniversário é comemorar um volta inteira ao redor de si mesmo. Uma volta lenta porém proveitosa…e no final ganhamos presentes e alegria. Bela festa. Abraços!!!

    Responder
  • 12. Soraia Camila  |  dezembro 14, 2007 às 5:15 pm

    Oi!
    Adorei vir aqui… achei muito lindo o seu blog, vou ficar vindo sempre aqui!
    Abraços

    Responder
  • 13. Carol Montone  |  dezembro 14, 2007 às 9:33 pm

    “Navegar é preciso…”….beijos saudosos desta vastidão poética
    Carol Montone

    Responder
  • 14. Tânia  |  dezembro 15, 2007 às 7:35 pm

    Dante bem sabe como explicar o inferno de cada um…
    Por onde andas querido escritor…saudades de você…
    Volto para desejar Boas festas…

    Beijão

    Ps.: Eu jurava que já tinha comentado este texto…estou envelhecendo…rsrsrsrsrs

    Responder
  • 15. Márcia(clarinha)  |  dezembro 15, 2007 às 10:34 pm

    Amigos, amigos e amigos…sempre!
    beijos

    Responder
  • 16. David Santos  |  dezembro 16, 2007 às 9:54 pm

    Passei para desejar-lhe um bom final de 2007 e um bom ano de 2008.

    Aproveito para LHE pedir que participe na blogagem colectiva que se realiza amanhã, dia 17, em prol da menina Flávia

    Responder
  • 17. Lucia  |  dezembro 18, 2007 às 6:58 am

    Andava precisando desses encontros também… fim de ano é sempre uma ótima desculpa!

    Beijos

    Responder
  • 18. maria regina  |  dezembro 19, 2007 às 12:53 am

    Muito legal seu espaço ácido de poesia.
    Um abraço

    Responder
  • 19. babisoler  |  dezembro 20, 2007 às 4:47 pm

    amigos são presentes constantes na nossa vida.

    beijos e obrigada pela visita.

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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