Essência Meretriz

outubro 17, 2007 at 8:32 pm 15 comentários

Essência Meretiz Ninguém mostra ser o que é realmente. Ainda mais ela, que planeja cada passo de acordo com a vontade e satisfação financeira. Talvez por defesa ou ironia. Ou tudo não passa de um desejo que se torna aspiração. Quem sabe? Seus belos seios chamam a atenção apenas por serem moldados com a perfeição estética jamais dada por Deus. Sorte de um cirurgião qualquer, que coleciona miniaturas de estereótipos fúteis, feitas com silicone. Inflado, mantendo a pose, mesmo escondido num decote instigante. Peitos convidativos à embriaguez de qualquer ébrio voraz. Nenhum homem rejeita o leito materno, eterno.

Seu corpo nu de pecado casto, não cobra o amor pagão. Paixão a prazo, em parcelas de 10 vezes sem juros no cartão de crédito. Até quando durar o tesão e as prestações do carnê de suas ambições. Lábios vermelhos norteando as palavras e direcionando toda a carcaça equilibrada num salto agulha de um sapato de marca cara. Algumas migalhas a preço de alguns salários mínimos, o máximo que se paga pela fome do consumo. Um universo paralelo exibido em pequenos detalhes.

Vestido cintilante, perfume estonteante. Tolos os que acreditam na existência do sexo frágil. Na cama, indomável. Taças de champagne, rastros de alcatrão e palavras com chavão voraz. Sussurros gritantes, eloqüentes e certeiros. Gozo camuflado. Fingida. Recursos larápios na busca de uns trocados maiores que as cifras de um cheque benevolente. Ninguém entende, somente ela. O brilho dos brincos de diamante reflete a luz de sua liturgia. Bens agradecidos como uma benção, por mais que isso signifique ser bem menos. Grana a mais, graças a menos.

Porque os homens dão tudo o que ela precisa para saciar seus caprichos, mas não tudo que ela quer pra ser feliz. E ainda possui resquícios propícios para se lembrar que é importante resgatar o que ela é de verdade. Não apenas para o que gostaria de ser. Olhar pra dentro, não para o seu reflexo ao passar o lápis no olho e vestir a cinta-liga. Mas o espelho não lhe nega que os valores que a guiam são reais, euros ou dólares. A imagem reflete, apesar de sua cara entupida com maquiagem e os poros com gotas em fragrâncias francesas, que ela ainda não tem preço fixo. E ela avista a sua vida ávida, apesar de barata, estampada nas etiquetas de grife em suas roupas marotas. Essência meretriz de quem planeja cada passo de acordo com a vontade e satisfação financeira. Mas, ninguém mostra ser o que é realmente.

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Esse Meu Esperar de Tudo o Pior Fotografia Que Não me Revela em nenhuma Imagem

15 Comentários Add your own

  • 1. Carol  |  outubro 17, 2007 às 10:31 pm

    Maravilhoso texto Bruno.
    Muito bom mesmo!!!!

    Responder
  • 2. João Paulo  |  outubro 17, 2007 às 10:59 pm

    Se inferi bem, vejo isso como um modelo criado em nossa sociedade, onde a mulher se passa a muito mais que isso, tornando-se mesmo essa MERETRIZ. Ah, infelizmente não é uma característica feminina, muitos homens estão no mesmo devaneio.

    Abração!

    Responder
  • 3. Erika  |  outubro 18, 2007 às 1:45 am

    Concordo alí com João Paulo, homens e mulheres estão se vendendo.. e por muito pouco, diga-se de passagem.

    Seus textos são sempre show de bola.

    Beijos kiridu

    Responder
  • 4. B.  |  outubro 18, 2007 às 6:38 am

    Sempre, sempre, sempre me surpreendendo.

    Responder
  • 5. Julio Lagedo  |  outubro 18, 2007 às 10:36 am

    Vim no dia certo!!!!!!

    Meretrizes, o que seria de mim sem esses amores pagãos?

    Ninguém mostra ser o que é realmente, só pessoas que não assistem TV…eu não assisto Tv.

    Perfeito Kzo….só queria ter visto o Uncle Jack Daniels entre suas linhas.

    Beijo

    Responder
  • 6. Diana  |  outubro 18, 2007 às 10:29 pm

    Máscara cara, luxuosa, trabalhada em ouro sem brilho real. Ah, Bruno sem adjetivos que expressem tal texto tão bem feito (mas como sempre, com sua dose de amargo).
    Perfeito!

    Responder
  • 7. Flávia  |  outubro 18, 2007 às 10:57 pm

    Essências como essa não faltam por aí. Não somente meretrizes de corpo, mas meretrizes de caráter também…

    Beijo!

    Responder
  • 8. cabrita  |  outubro 19, 2007 às 3:03 pm

    “jamais dada por Deus”
    mas será o benedito?…

    eu quero 290ml em cada um , por favor…

    Responder
  • 9. Girassol  |  outubro 19, 2007 às 3:05 pm

    Por ninguém ser o que aparenta, é que gosto de “chegar ao fundo” das pessoas que me interessam, conseguir enxergá-las sem máscaras, capas, ou pinturas…
    Não é fácil, nem todas estão dispostas a mostrar-se, porque acreditam que assim se tornam vulneráveis. Mas, por vezes conseguimos, e muitas pessoas surpreendem-nos da melhor forma possível.

    Beijos.

    Responder
  • 10. Anônimo  |  outubro 19, 2007 às 3:42 pm

    Excelente Bruno. A outra faceta subtendida, escondida que n só ela, mas nós tb , muitas vezes, n conseguimos vislumbrar. Aliás, teus textos, são sempre bom demais.
    Abraços.

    Responder
  • 11. Fernanda Passos  |  outubro 19, 2007 às 3:43 pm

    Excelente Bruno. A outra faceta subtendida, escondida que n só ela, mas nós tb , muitas vezes, n conseguimos vislumbrar. Aliás, teus textos, são sempre bom demais.
    Abraços.

    Responder
  • 12. Fernanda Passos  |  outubro 19, 2007 às 3:43 pm

    esqueci de preencher os dados antes, por isso foi como anônimo.
    😉

    Responder
  • 13. Edna  |  outubro 19, 2007 às 4:56 pm

    Vez ou outra todos usamos máscaras, é a proteção instintiva.
    Beijo

    Responder
  • 14. Carol Montone  |  outubro 19, 2007 às 10:45 pm

    Coitadas destas…
    beijos e parabéns de novo pela propriedade com que usa as palavras….
    Carol

    Responder
  • 15. Fabrício  |  março 16, 2009 às 9:02 pm

    Parabéns é o segnificado perfeito de uma mulher, neste texto você encontrou o habitar perfeito de uma rameira como todo ser vivo passivo.

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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