Esse Meu Esperar de Tudo o Pior

outubro 8, 2007 at 8:26 pm 34 comentários

depressão Novamente saí de casa sozinho. Senti a falta da sua reclamação pelo fato de eu sempre me atrasar no banho. Deu-me um vazio, depois veio a raiva. Fiquei puto comigo, pela minha preguiça e o deixar de acordar mais cedo pra poder lhe acompanhar até o ponto de ônibus. Apesar do sol brando, o início da manhã estava frio como o meu chá de camomila. Antigamente eu preferia sorvete. Morna esperança que me fez esquecer o sabor da alegria e me resguardar na calmaria de uma água com sabor quente. É exatamente o gosto que anuncia o meu pessimismo. Amargo. Uma dor indescritível, de quem está perdendo algo não por culpa sua, ou pela falta de carinho e atenção. Perdendo para uma cólera da vida.

Ratifico qualquer tipo de amor, mesmo sabendo que é nocivo à própria sobrevivência. Abstinência. Uma crise futura pra quem se tornou dependente deste sentimento invólucro ao cotidiano. E eu nem tenho Lexotan em casa. A gente só dá valor quando perde. E é nesta frase piegas, que norteia o sentimento quando realmente o abstrato se torna concreto, que eu não quero acreditar. Eu estou me despedaçando a cada angústia sua, quando vejo sua luta para reverter esse quadro drástico em que se tornou o seu existir. Eu não vou me conformar se você se entregar. Eu não vou me perdoar se você se for. Minha fragilidade à flor da pele me remete aos meus erros e defeitos que me cercam no dia a dia. Talvez se eu me dedicasse menos ao trabalho pra poder cuidar de você. O problema é que eu não sei o que fazer e fico passivo a um diagnóstico que não vem nunca.

Aprendi a lhe amar profundamente, talvez até mais que a mim mesmo. Eu não digo isso em busca de gratidão. Não. É algo que vem da alma, divino. Coisas da reencarnação de um sentimento que perpetua através das vidas que trilhamos juntos. Eu não quero continuar a pensar que Deus já quer lhe levar. Talvez o problema todo seja esse meu esperar de tudo o pior. Eu entreguei os pontos ou então, estou errado em tudo e não estou lhe amando o suficiente. Mas eu juro que li outro dia, talvez num outdoor de esquina, que aqueles que procuram a suficiência se tornam insuficiente.

Me perdoa e absolva toda essa minha fragilidade absurda e imunda. E se os meus olhos lacrimejarem novamente e eu abrir o berreiro tal criança querendo colo de mãe, me abrace. Com força, com fé. Porque sempre fui fraco e franco com minhas atitudes estúpidas e muitas vezes intempestivas. E não serei forte o bastante se novamente sair de casa sozinho, quando você realmente se for.

Entry filed under: Ácidos.

Borrão Essência Meretriz

34 Comentários Add your own

  • 1. Paulo Fernando  |  outubro 8, 2007 às 11:41 pm

    Cara, estou apaixonado!! hahahahah…
    Putz, e olha que eu não sou gay, tampouco possuo tendências para isso. Mas o seu texto me tocou de tal maneira (no bom sentido) que me lembrei das coisas que não venho fazendo ao longo dos anos.

    Primeiro: mamãe, te amooooooo!
    Segundo: namorada, te amooooo!
    Terceiro: cueca, te odeioooooooo! Mas por questões éticas continuarei a usar-te. rsrs

    Enfim, fico feliz sempre quando me debruço neste espaço.

    Abraços, meu querido!

    Ps: Fui ao Maraca e não me arrependi: 2 a 0 para o fluzão! ahhaha… Saudações tricolores.

    Ps: Voltei com os meus escritos.

    Responder
  • 2. João Paulo  |  outubro 9, 2007 às 1:54 am

    É um texto fantástico!!!!

    Nos leva a coisas que só no colo da mamãe, da mulher amada…. podemos sentir tão belas sensações…

    Abração!

    Responder
  • 3. alexandre  |  outubro 9, 2007 às 12:27 pm

    Olá Bruno!
    O seu título no meu blog é uma homenagem que estou fazendo para os amigos blogueiros faz um tempo…desta vez é o seu! Desculpe não ter avisado antes, mas a idéia é a da surpresa.
    Abraços!

    Responder
  • 4. Sônia  |  outubro 9, 2007 às 12:32 pm

    Não se maltrate assim…
    Fique bem.

    Um bom dia!

    Responder
  • 5. ana.  |  outubro 9, 2007 às 12:59 pm

    Brunø…

    Assim é a vida uma eterna espera, de suspiros, promessas, esperanças, enfim, o pior é q a cd dia renovam-se sempre e mais essa agonia latente de sobreviver ao caos existencial.

    Beijos Poéticos.
    ;**

    Responder
  • 6. Lizzie  |  outubro 9, 2007 às 2:18 pm

    [In]Felizmente a vida é uma tênue linha entre o desejo e a loucura. Entre o alívio e o suplício, corremos o risco de apagar essa linha, e aí é que vem a dor…

    Beijos ;*

    Responder
  • 7. Márcia(clarinha)  |  outubro 9, 2007 às 2:24 pm

    Puxa! Overdose de amor, fantástico…
    Faça, não se arrependa, grita, diga que quer colo, que precisa de abraço, peça socorro, a esperança é a última que morre, mas acima de qualquer coisa ama!
    beijos poeta

    Responder
  • 8. Erika  |  outubro 9, 2007 às 2:51 pm

    Adorei o pedido final de colo, de asilo, de salvação.

    Beijos querido

    Responder
  • 9. cabrita  |  outubro 9, 2007 às 3:56 pm

    sofro por sofrer por antecedência…

    não faça o mesmo, amigo.

    amo te

    bjo

    Responder
  • 10. Lili  |  outubro 9, 2007 às 4:19 pm

    Receber sua visita nos meus dois blogs me deixou muito feliz e com certeza vc já entrou pros meus favoritos com direito a link nos meus blogs, adorei teu espaço e teus textos, com esse algo q nos prende e nos fascina.
    Bjocas

    http://verbalizando.wordpress.com

    Responder
  • 11. Diana  |  outubro 9, 2007 às 5:32 pm

    Ah, Bruno suas palavras como sempre amargas e com gosto de sal. Dá uma vontade de te abraçar e dizer que são perfeita em meio de suas lágrimas as tuas palavras. Bem, não vou rasgar seda demais por senão fica enjoado rs
    Um abraço
    Diana

    Responder
  • 12. Flávia  |  outubro 9, 2007 às 5:33 pm

    Bruno… cara, que texto fantástico. Me vi nas suas linhas, nas suas descrições, nessa angústia sofrida do não querer perder, embora já sabendo que a perda é inevitável e iminente. Um texto para ler, reler, e pensar. Muito e sobre muita coisa.

    Beijos

    Responder
  • 13. alice  |  outubro 9, 2007 às 6:11 pm

    texto maravilhoso !! muito bom mesmo ! Parabens ! esse lugar é magistral!! bjus pra vc

    Responder
  • 14. babisoler  |  outubro 9, 2007 às 7:34 pm

    Tudo aqui é aconchego!
    Beijo.

    Responder
  • 15. Edna  |  outubro 9, 2007 às 7:49 pm

    Acho que esse foi o texto seu que mais gostei!
    Muito lindo e emocionante.
    Beijo

    Responder
  • 16. luana  |  outubro 9, 2007 às 10:08 pm

    olhe bruno, essa feras são o que há de melhorrr!!! hehe se eh que me entende :xx

    eu costumo sentir “raiva” de mim mesma e isso eh o pior de tudo, porque somos nossos piores “inimigos” nao eh? complicado..
    e diazepan?tem?Oo
    tom triste neh? tocou viu?x) me identifiquei em muitas passagens, mas talvez por motivos diferentes..vai saber!
    namastê e obg pela leitura..
    x**

    Responder
  • 17. Fernanda Passos  |  outubro 10, 2007 às 2:11 am

    Menino, se isso for o expressar de um sentimento verdadeiro, se esse sentimento realmente habitar teu interior e se, ainda assim, você tiver conseguido falar dele dessa forma, então você é muito especial.
    Cara, lindo. De verdade.
    E me tocou muito porque o pessimismo, embora eu não o traga necessariamente comigo, inspira meus escritos e como!
    Beijo.

    Responder
  • 18. alice  |  outubro 10, 2007 às 4:22 pm

    … eu ja voltei… aliás, acompanho suas palavras já um bom tempo, gosto muito do seu estilo sagaz de escrever e admiro sua inteligencia textual…. beijos pra vc !!

    Responder
  • 19. Ly  |  outubro 10, 2007 às 8:06 pm

    ´Tem uma expressão assim…..quem fala de ombro amigo não sabe o poder que tem uma coxa”……no sentido de colo…….E puxa qq um q lê sai com vontade de dar colo pro post……..

    //beijão e super dia das crianças pra ti//

    Ly

    Responder
  • 20. Lais  |  outubro 11, 2007 às 2:59 am

    Lindo!!! Fiquei sem mais palavras!

    Bjos

    Responder
  • 21. B.  |  outubro 13, 2007 às 6:11 am

    Lindo, menino. Soberbo!
    De uma sensibilidade que poucos possuem.

    Sempre que venho aqui me lembro do porquê me digo tua fã.

    Beijo meu.

    Responder
  • 22. Nil Brito  |  outubro 13, 2007 às 12:05 pm

    “Aprendi a lhe amar profundamente. Talvez mais do que a mim mesmo”. Com certeza, isso não é possível, ou não é amor de verdade. A fonte do seu amor é você mesmo, portanto, ela nunca é menor do que a sede que ela consegue saciar. Você só transborda aquilo com o que vc está preenchido. Se vc está preenchido, pleno de amor, vc consegue transbordar esse amor incondicional, inesgotável. E amar de verdade.

    abs do Nil

    Responder
  • 23. Aline  |  outubro 13, 2007 às 2:02 pm

    Ai, que desabafo, hein!
    Mas iso é bom. Prova que você não quer perdê-la e que tudo o que tenta é em busca do melhor. Espero que ela compreenda e perceba que você a ama. Não é pra qualquer um abrir a boca e esparramar todo o seu sentimento e angústia assim pra todo mundo. É preciso um reconhecimento. Você merece todas as chances possíveis. BOA SORTE!
    uM CHEIRO!!!

    Responder
  • 24. Cackau Loureiro  |  outubro 13, 2007 às 4:56 pm

    Aconhegante, acolhedor, intrigante…

    Adoro a forma que escreve, sempre!

    Responder
  • 25. Léo  |  outubro 13, 2007 às 7:29 pm

    Oie, tem algo pra ti no meu blog
    beijos

    Responder
  • 26. Fina Flor  |  outubro 15, 2007 às 3:39 pm

    óóóó´, o amor, rsrsrsr*

    em tempo: não acho, nem em literatura, a fragilidade imunda.

    beijos e boa semana, querido

    MM.

    Responder
  • 27. Fina Flor  |  outubro 15, 2007 às 3:39 pm

    ah:

    >>> obrigada pelo perfume de anversário…….

    Responder
  • 28. Flá  |  outubro 16, 2007 às 3:41 am

    Tá vendo o seu prestígio???? Até aqui no México passei pra falar um oi e dar uma espiada no ácido! Td bem aí?

    p.s.: comprei seu boné amarelo!!! hahahaha

    Responder
  • 29. Flá  |  outubro 16, 2007 às 3:45 am

    Puta que pariu!!! E olha que nao sou de falar palavrao…agora que parei e li o texto!

    Como estao as coisas??? Novidades??? Espero que boas…..

    Responder
  • 30. fernanda passos  |  outubro 16, 2007 às 4:51 pm

    Passando pra ler teus belos escritos. como n encontrei, deixo um beijo e votos de boa semana.

    Responder
  • 31. Sônia  |  outubro 17, 2007 às 11:16 am

    Acho que o que falta pra você, é um pouco de poesia! rs…

    Conhece o blog: http://www.paopoesia.blogspot.com ?

    Visite, participe ou apenas divulgue essa idéia!

    Um ótimo dia!

    Responder
  • 32. Christiani Rodrigues  |  outubro 17, 2007 às 12:28 pm

    Sincero!! Brotou do infinito da alma.

    Responder
  • 33. Márcia(clarinha)  |  outubro 17, 2007 às 2:10 pm

    Passando e deixando beijos 😉

    Responder
  • 34. Alê Namastê  |  outubro 17, 2007 às 6:03 pm

    Eita! Fica aqui no peito a sensação do fantástico.
    Vivemos entre o real e a fantasia.
    Beijos*

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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