Mamilo Divã Vermelho

agosto 20, 2007 at 6:34 pm 23 comentários

Mamilo Divã Vermelho Sujeitinho maroto, subalterno a toda promiscuidade que os becos da Rua Ceará lhe oferecem. Famosa formosa Vila Mimosa, pulsando os bordéis mais desprezíveis e parindo prazeres mais vis ao pago prazer. Ele sempre brejeiro, camisa pólo e sapato rasteiro, desfilava sua libido sobre as pedras portuguesas das vielas rumo a um vértice qualquer. Vênus na cama. E nesse hiato dissimulado na forma de quina obliqua, qualquer macho encontra um lugar para aconchegar a sua vontade. É muito fácil se entregar aos prazeres capitais daquelas que oferecem ternura fútil pela vida difícil. Elas cobram barato por um gozo ausente.

Sentado no canto do bordel, ele pita um cigarro suspeito e devora a última azeitona no prato de aperitivos. Gosta de apreciar os movimentos moribundos das meninas e suas distintas etnias. Danças, beijos, instigações.
Vamos subir, gatão” – ronrona uma daqui. “Me leva pro quarto, querido” – murmura outra dali. Mas ele só gosta de observar, escolher entre tantas presas, qual seria o amor de mais uma noite.

– Garçom, por favor. Mais uma cerveja!

De gole em gole, ficava horas analisando os movimentos delas, cada dança e o movimento das meretrizes que destilavam a volúpia nos outros clientes. Quando trepavam naquele mastro no meio do palco, ele se arrepiava todo. Profissionais. Gostava daquele cheiro de puta e dos odores de sua roupas íntimas exalando sentimento erótico. Sexo barato e rápido. Vontades deltas.

Me chamem a cafetina – bradou explodindo desejo.
Uma velha senhora com a maquiagem borrada lhe voltou atenção e escutou-lhe com ardor.
Quero a melhor da casa. Pago o preço da banca!

Ofereceu uma negra corpulenta com gosto fel. Da carteira, 50 contos de réu e um quarto escuro, onde ele pôde saciar seu instinto como a voracidade dos animais famintos. Menos de 5 minutos ejaculou a lamúria dos fracos de espírito. Depois do fel, lembrou-se que não havia sequer um gosto de mel em sua boca.

Vadias não beijam – pensou tolo.

Não queria adorno, apenas novas fendas. Pediu uma loira e depois uma ruiva. Borrachudo. A segunda tentava foi ainda pior, não conseguiu concluir no tempo estimado. Três ligeiros minutos que só serviram para abismar a loira. A terceira foi um consolo, nem esboçou virilidade. E com a cabeça encostada no mamilo vermelho da ruiva sortuda, confessou-a suas frustrações banais.
Sem nada de abstrato nem sentimento além do prazer escasso. De concreto, apenas os pés maltrapilhos da cama. O nhécnhéc enferrujado era sinfonia que vinha das molas de um colchão do quarto ao lado do seu. E o único sorriso de prazer vinha daquela meretriz anciã-cafetina, contando as cédulas entre seus dedos enrugados e encharcados de pecados. Lembrou-se que desde os 18 anos era isso. E agora com 25, não era diferente. Ele não se esquecia das palavras de seu urologista e ainda guardava na mente o vexame pela sua primeira vez naquele albergue, onde perdeu sua namorada após a festinha de faculdade. O que mais lhe deixou triste foi a frase final da ruiva, após se levantar rápido, pôr a lingerie e sair em busca de um novo freguês. Antes de atravessar a porta, ela ainda olhou-o e acertou:

Liga não, isso acontece. Ejaculação precoce é típica dos sujeitinhos marotos, subalterno a toda promiscuidade da vida.

Entry filed under: Ácidos.

15 de Agosto Sem Glicose na Despensa

23 Comentários Add your own

  • 1. cabrita  |  agosto 20, 2007 às 6:50 pm

    tu tá safadinho!

    Responder
  • 2. cabrita  |  agosto 20, 2007 às 6:59 pm

    tu ta safadinho

    Responder
  • 3. Márcia(clarinha)  |  agosto 20, 2007 às 7:32 pm

    Precocemente deve ter ficado sem ejacular por dor de desamor e sexo gostoso, terrível frustração, pior ainda sem beijo na boca, quer consolo maior para qualquer mal do que um delicioso beijo na boca? tem não….
    Perfeito texto
    beijos

    Responder
  • 4. luana  |  agosto 20, 2007 às 11:08 pm

    🙂
    tu ta safadinho [2] uhuhuhu

    minha nossa, quanto volupia e luxuria num texto soh! 😉

    diversões vazias, é soh no que eu consigo pensar..!
    e mais safada é a ruiva..uhuhuh foi demais aquela!

    namastê!
    x**

    Responder
  • 5. Erika  |  agosto 21, 2007 às 12:40 am

    O que a falta de fazer amor faz…

    Beijo

    Responder
  • 6. lunna  |  agosto 21, 2007 às 11:33 am

    E viva a falta de amor que não compensa o gozo, nem mesmo o que não vem.
    Seus contos me conquistam, pelo desenvolvimento e pela forma como captam minha atenção.

    Ps. Estou esperando um escrito para o Coletânea Artesanal.
    Beijos

    Responder
  • 7. Bárbara P  |  agosto 21, 2007 às 1:29 pm

    Tudo vazio?

    Responder
  • 8. iara  |  agosto 21, 2007 às 4:02 pm

    prosa de acrílico, algodão e sal.
    prosa de poesia.
    suas palavras são inconfundíveis, caro Bruno!

    saudade docê!!!

    grande beijo…
    Iara Maria na Janela só espiando…

    Responder
  • 9. Edna  |  agosto 21, 2007 às 7:42 pm

    E saber que existem tantos assim, que fazem somente sexo, banal, carnal e triste!
    Realismo puro!

    Responder
  • 10. Alê Quites  |  agosto 21, 2007 às 10:12 pm

    Cara!
    Eu gosto de como escreve…É gozo presente!
    Beijos

    Responder
  • 11. Girassol  |  agosto 21, 2007 às 10:23 pm

    Esta história poderia ser relato da vida de tanta gente, descrição dos motivos pelos quais tantos vivem frustrados…
    Incrível como consegues transformar qualquer tema numa obra-prima.

    Beijo.

    Responder
  • 12. Ju Cunha  |  agosto 22, 2007 às 6:57 pm

    Texto espetacular, pra variar =)
    Bjos

    Responder
  • 13. Fina Flor  |  agosto 23, 2007 às 7:05 am

    a banalidade do sexo… aff

    beijos, querido

    MM.

    Responder
  • 14. alexandre  |  agosto 23, 2007 às 12:45 pm

    Como sempre um texto impecável meu caro.
    Abraços.

    Responder
  • 15. Carol Rodrigues  |  agosto 23, 2007 às 8:19 pm

    caramba
    que achado!!!

    Responder
  • 16. Camylla  |  agosto 24, 2007 às 1:56 am

    procurando sem fim algo sobre cafetina
    pela imensa vontade de me interagir com os poucos que já declararam a elas um poema
    parei aqui .
    e gostei do que li .

    Responder
  • 17. João Paulo  |  agosto 24, 2007 às 2:11 pm

    O bom escritor é aquele que consegue persuadir seu leitor… não é à toa que você consegue.

    Parabéns, Bruno!

    Abração!

    Responder
  • 18. Carol  |  agosto 24, 2007 às 9:33 pm

    Muito bom post!

    beijos

    Responder
  • 19. Christiani Rodrigues  |  agosto 25, 2007 às 12:43 am

    Parece sequência de filme. Tinha que continuar…hehehehehe

    Responder
  • 20. Milla Loureiro  |  agosto 25, 2007 às 4:28 pm

    e ele voltaria lá?

    ótimo texto!

    Responder
  • 21. lunna  |  agosto 27, 2007 às 3:07 pm

    Oi Bruno, tenho outro convite pra você.
    Gostaria de participar do Livro Aberto aos sábados?
    http://www.folhasouvento.blogspot.com
    Abraços
    Lunna

    Responder
  • 22. Flá Fuini  |  agosto 27, 2007 às 9:47 pm

    Blog atualizado, finalmente.

    Dê uma passadinha lá!

    bjos

    Responder
  • 23. Tânia  |  agosto 28, 2007 às 12:38 pm

    *risos* Dando risada do comentário que te chamou de safadinho…
    Ah Bruno o que posso dizer…Quero um livro teu; Sei que este livro será um daqueles que nos fazem companhia na bolsa, na poltrona, na cama, no banheiro…
    Beijo “safadinho”

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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