Sobre Dezessete Guimbas e Arranhões Baratos

junho 8, 2007 at 1:37 pm 13 comentários

guimba Porque hoje é uma manhã de junho como outra qualquer. Friozinho ameno, sol fraco e algumas garrafas de vinho jogadas no entorno da cama. Ela me prometeu o céu e fez o diabo comigo. Deixou marcas de unhas nas minhas costas. Dezessete guimbas de cigarro no cinzeiro e fumaça entorpecendo os olhos. Talvez seja resquício de sono. Noite agitada. Dança de pernas, línguas e rock ´n roll. Ela confessou seu amor por mim e depois desapareceu sobre a brisa. Pois sabe que não pode segurar aquilo que não possui. Agora estou nu, de corpo e alma, embaixo deste lençol sujo de pecado e prazer. De novo o som ambiente toca bem alto a solidão. Só lembro que ela se vestiu rapidamente e saiu ligeira batendo a porta. Acho que pegou alguns trocados na minha carteira e deixou a ponta do baseado queimando solitária na pia do banheiro. Olhou-me sem pressa, compreendo realmente que foi para o meu bem. Porque eu me apego a tudo que me faz feliz e bem. Bocejo. Caminho capenga, rumo à ducha quente e ao café forte contra a ressaca. Pra conter todas as dores do dia que está começando. Abro a janelas e deixo a vista se perder no horizonte. Converso com o sol, balbucio com as nuvens. Um final digno para um homem sem bilhetes de despedida e rasgado pelos arranhões de uma meretriz barata. Porque hoje é uma manhã de junho como outra qualquer.

Entry filed under: Ácidos.

Com as Quatro Patas No Chão Claridade

13 Comentários Add your own

  • 1. Elza  |  junho 8, 2007 às 2:50 pm

    Um manhã como outra qualquer, diferente da noite anterior…
    rss..

    bom final de semana!

    =]

    Responder
  • 2. B.  |  junho 8, 2007 às 4:06 pm

    Como outra qualquer não…
    Ah, que nostalgia me deu agora… não pela meretriz, claro.
    Belo texto.

    Bisous.

    Responder
  • 3. Inpuro Sin  |  junho 8, 2007 às 4:38 pm

    as vezes a meretriz sou eu mesmo

    Responder
  • 4. Erika  |  junho 8, 2007 às 10:46 pm

    A descrição foi tão perfeita que pude sentir até os cheiros no quarto

    Beijos

    Responder
  • 5. João Paulo  |  junho 9, 2007 às 1:23 am

    Nada nessa vida é para sempre, mas os momentos são muito significativos, principalmente se o dividimos com alguém, seja lá que for.

    Abraços!

    Responder
  • 6. Maísa *Pupila  |  junho 9, 2007 às 3:14 am

    qualquer manhã
    igual a nenhuma
    soa como pluma
    aos primeiros raios
    de sol… vida brinda,
    mais um dia…
    beijos poéticos!

    estava devendo esta visitinha!
    bom estar aqui!

    Responder
  • 7. ana.  |  junho 9, 2007 às 3:01 pm

    Brunø
    De uma manhã de junho como outra qualquer restaram apenas lembranças de uma alcova fria. Mas, não é preciso bilhete para recordarmos o ontem, é preciso apenas marcas como essas que um dissiparam desta manhã qualquer de junho.
    Beijos Poéticos.
    ;**
    P.S: Veju q a Maisa aprendeu a deixar os meus beijos poéticos pra vc tb. Q interessante.

    Responder
  • 8. ana.  |  junho 9, 2007 às 3:05 pm

    Ops…
    Errinhu básico, mas pra traduzir o q eu quis dizer é o seguinte: “…é preciso apenas que marcas como essas sejam tão efemeras como uma manhã qualquer de junho.”
    É isso.
    Novamnete meus…
    Beijos Poéticos.
    ;**

    Responder
  • 9. ariane  |  junho 9, 2007 às 10:41 pm

    sol fraco
    palavras fortes
    um dia comum
    e um poemácido inconfundível…

    beijos de quem tava sumida nas estrelas

    Responder
  • 10. Lubi  |  junho 10, 2007 às 4:21 pm

    É a quarta vez que leio esse texto seu.
    Em todas as vezes ficou algo que eu não sei explicar, sei lá porquê. Enfim.

    Beijo.

    Responder
  • 11. luana  |  junho 10, 2007 às 5:48 pm

    aiai
    minha mente “racional e besta” não me permite agir assim.. :/ infelizmente, eu achou q eu seria um pouco “feliz”, se não fosse isso..

    se permitir alguns instante de loucura e prz? han? ela nao reconhece isso..
    prefere a “normalidade” da vida, o que é bastante triste, não entende qual o problema de arriscar um pouco ..quem sabe um dia ela aprende.. 🙂

    muito bom o post! soh pra variar um poukinho neh?? uhuh x**
    namastê!

    Responder
  • 12. Rubina  |  junho 11, 2007 às 8:42 am

    Meretriz? Então aí não dava para contar com nada mesmo. Uma boa terapia é caminhar junto ao mar 🙂

    Responder
  • 13. Juliana  |  junho 11, 2007 às 4:26 pm

    Eu acho que esse é um dos textos mais intensos que já li. E diz tanto, usando não tantas palavras assim… Belo, realmente.
    Sem mais palavras pra comentar.

    beijoo

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:


%d blogueiros gostam disto: