Com as Quatro Patas No Chão

junho 5, 2007 at 11:32 am 20 comentários

Com as 4 Patas no Chão O vão na cama vai além do vácuo entre a cara dela virada para o lado esquerdo e a dele, pro direito. Porque lhes é de direito ser feliz. E isso já não é tão certo quanto ontem. Como é que eles tiveram a capacidade de falar coisas tão absurdas? A longa duração não está escondendo mais o prazo de validade. Como ela era e como está, como ele era? Olha como ele está, quase às 2hs da matina na frente do computador, escrevendo algo que não é sobre auto-ajuda e jamais vai virar best seller. Porque a cama já não é tão quente como outrora e, apesar do frio, ele se aquece com o dorso nu de qualquer pecado vago. Muito além daquele papo de união civil, morar junto, compreender as diferenças de pensamento, de gostos. E o beijo já não tem mais aquele gosto-sabor de aurora. E quando tem, é um estalo vago num piscar de olhos que não se fecham mais pra umedecer emoção.

O amor. Eles pensam que é sólido como rocha e não percebem que o tempo é tal e qual o vento, soprando a areia que escorre entre os seus dedos.
Ele vasculha a pasta ‘Nossas fotos’ de épocas passadas e vê o entrelaçar de mãos acompanhado de sorrisos alvos. Não era apenas um momento perdido num flash de câmera digital. Mundo pré-moderno, onde se perdem instantes de vida guardando momentos que nem sempre renovam os sentimentos. E as tesouras podem picotar os 3X4 e o shift + del apaga além da lixeira a imagem digital. Porque o porta-retratos está maior do que eles dois juntos, lado a lado.

Confianças rachadas, vivendo de esperança ou por pena de algo. E eles não merecem isso. Precisam de novas aventuras, novas travessuras e talvez amores verdadeiros. Porque não há amor que perdure ao comodismo do sexo ‘papai-mamãe’ piegas enquanto a novela está no intervalo. Não é aquela ‘rapidinha’ antes de dormir. Eles se esqueceram do tantra, dos incensos, do cheiro de velas e de gozo impregnados no lençol e nas paredes. Antigamente, até o clichê dava certo: no rádio, a melodia da Sade e três garrafas de vinhos tinto chileno. Mas o amor sem sexo é uma amizade mais íntima e o sexo sem amor um descompromisso barato com a ternura. E ambos continuam com as quatro patas no chão e, o vão na cama, vai além do vácuo entre a cara dela virada para o lado esquerdo e a dele, pro direito.

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Sobre Utopias e Desabafos Falhos Sobre Dezessete Guimbas e Arranhões Baratos

20 Comentários Add your own

  • 1. ana.  |  junho 5, 2007 às 12:32 pm

    Bom Dia!
    Olá, Ácido…
    A acidez de uma relação é algo indefinivel, o q antes fora chama agora é cinza, de lembranças, afagos, amassos, enfim, desejos q hj parecem fora de moda, mas td relação é assim, vesti-se de carmim depois o tempo trata de desbotar o q parecia eterno. É isso. Bom texto p uma manhã de terça-feira. Parabéns.
    Beijos Poéticos.
    ;**

    Responder
  • 2. Cau  |  junho 5, 2007 às 1:01 pm

    Oi Bruno…
    Refletindo sobre a escrita…
    E não sai da cabeça que “o vão na cama, vai além do vácuo”.
    Beijo… refletindo.

    Responder
  • 3. czarina  |  junho 5, 2007 às 1:26 pm

    e vão tinha é que aumentar, aumentar, até deixar de ser vácuo.

    e o senhorzinho não tenha medo de medo, prometo (tentar) não te achar um reclamão.
    😀

    Responder
  • 4. czarina  |  junho 5, 2007 às 1:39 pm

    sim, medo de ter medo, bem o disse um cara aí, é a única coisa que vale a pena temer.
    (disfarçando o ato-falho, larilá, firifiu)

    smack quando não é de tapa é sempre bom.
    :*

    Responder
  • 5. Carol Montone  |  junho 5, 2007 às 2:13 pm

    Bem ácido hoje …..
    Olha pensei em tanta coisa que fica até difícil comentar. Por que a gente deixa né??? amar é entregar-se e renovar esse desprendimento a despeito de tudo que não saiu como a gente pensava é difícil demais….o vão da cama é o mesmo vazio que mora em todos nós, transferido para as relações, como um pedido de socorro. As emoções quase nunca são boas conselheiras e tenho aprendido que é preciso refletir , mais que sentir pois assim criamos talvez uma realidade menos sofrida né querido? Bonito texto, um soco no estômago de todo mundo que é casal e já viveu esse não sei o quê, do qual achou que nunca faria parte…~porque afinal é vão…
    beijos grandes e obrigadíssima pela visita….tenho corrido muito e tido bem menos tempo que queria para curtir vocês que adoro ler…
    bjs
    Carol

    Responder
  • 6. Bárbara P  |  junho 5, 2007 às 2:20 pm

    Pode ser fase, pode ser a deixa para ir embora. Pode ser o momento de crescer sozinho… Vida a dois é desafio, sempre.

    Responder
  • 7. J@de  |  junho 5, 2007 às 3:20 pm

    Lembrei de uma música antiga… “eu desconfio que nosso caso está na hora de acabar, há um adeus em cada verso em cada olhar, e nós não temos a coragem de falar..”
    Adoro seu jeito de descrever as situações… beijos!!

    Responder
  • 8. lunna  |  junho 5, 2007 às 4:07 pm

    Nossa! Gostei da intensidade do que se pode conquistar através de nós mesmos. Através de nossas vilas e aldeias menores. Aquele olhar nada acido, apenas poético.
    Estou linkando você para não mais perdê-lo.
    Abraços.

    Responder
  • 9. Lubi  |  junho 5, 2007 às 4:30 pm

    Sei lá, o amor é uma coisa tão estranha.

    Responder
  • 10. Lubi  |  junho 5, 2007 às 8:22 pm

    Porque ele vem e parece sempre que é eterno. Mas, quando acaba, parece que nunca existiu.

    *

    Não quero viver de ilusão.

    Responder
  • 11. Erika  |  junho 5, 2007 às 9:31 pm

    ficou só o vácuo aqui na minha cabeça.

    beijos

    Responder
  • 12. Fina Flor  |  junho 5, 2007 às 10:19 pm

    respeito, mas não entendo quem consegue viver assim, sabia?

    beijos, querido e boa semana

    MM

    Responder
  • 13. elisabetecunha  |  junho 5, 2007 às 11:34 pm

    PERFEITO!

    Bruno, vê se me linka cara!

    elisabetecunha.wordpress.com

    Se puder!

    Responder
  • 14. Nilza  |  junho 6, 2007 às 10:41 am

    Tudo pode acontecer depois de uma briga, desentendimentos… O melhor mesmo é fazer as pazes e…Amor.

    Beijos e bom dia pra vc

    Responder
  • 15. Ana M  |  junho 6, 2007 às 1:00 pm

    me lembrei de um sermão do Padre Vieira que lia no colégio. e, se não somos nós que deixamos o tempo corroer o amor, quem seria?bisou,

    Responder
  • 16. Girassol  |  junho 6, 2007 às 1:36 pm

    Acho que os amores só valem a pena enquanto são bons para os dois, e que relação alguma deve sobreviver à base de pena, após os sentimentos se terem partido ao meio.
    Acredito que já todos passamos pela sensação de ter ao nosso lado alguém que, com o passar do tempo, se confunde com o vácuo físico, e de sentimentos que nos provoca. Amores morrem e nascem todos os dias. Prolongar os que estão condenados é uma forma terrível de, (tentar em vão), preservar o que foi um dia.

    Beijos.

    Responder
  • 17. Fuini  |  junho 7, 2007 às 2:19 am

    O amor é estranho. Tem altos e baixos, como numa linha imaginária que não tem fim. E ela não é nada reta.

    Só não podemos desistir nos tropeços…eles fazem a caminhada ser menos chata, menos entendiante ou, quem sabe, menos correta.

    Valeu pela força e pelos textos que me fazem fugir um pouco da minha realidade!

    bjos

    Responder
  • 18. luana  |  junho 7, 2007 às 10:59 pm

    pouxaaa brunooo, vc escreve tao bem que dá pra sentir a monotonia, a rotina, as alegrias presentes nas lembranlas somente..muito bom de ler sabe? eh facil.. a gente vai degustando cada palavra!

    eu imagino que o dificil é sair do comodismo e da situação “estavel” e se aventurar novamente..mas aih que ta a graça da vida neh??

    adorei!
    dxo beijos srito!
    namastê!
    x*

    Responder
  • 19. Rubina  |  junho 8, 2007 às 8:00 am

    Aí talvez esteja na hora de ambos se sacudirem, abrirem o coração e falarem como dois amigos. Reflectirem se devem apimentar a relação, se o amor ainda existe, ou se devem deixar-se partir. Viver no limbo é que não. Isso mata o extraordinário e impõe o ordinário. Já o linkei no meu blogue. Beijos

    Responder
  • 20. João Paulo  |  junho 9, 2007 às 1:20 am

    “Água mole e pedra dura, tanto bate até que fura”.

    A modernidade nos tira muita coisa boa, os recortes digitais não deixa tanta emoção quanto as coisas outrora.

    Parabéns pelo supertexto!

    Abraços!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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