Sobre Utopias e Desabafos Falhos

maio 29, 2007 at 3:13 pm 36 comentários

Sobre Utopias e Desabafos Falhos Eu apenas quero um bom livro para devorar neste dia cinzento. Também queria estar com a minha princesa hoje, debaixo do edredom, aquecendo tudo que é viril e bom. Talvez um chá de boldo pra curar a maldita ressaca e um comprimido pra aliviar toda essa dor de cabeça absurda. Mesa de bar, ou pub. Utopia barata de quem precisa reunir os amigos de infâncias e os da vida. Celebrar novamente as vitórias passadas e contar-lhes sobre minhas novas conquistas. Quero os da infância, os da bola, os da escola, os da época de faculdade e esses recentes, feitos na correria da labuta.

Eu quero voltar a ser criança. Sem contas e com esperança, acreditando em Noel, e nos ovos de páscoa. Voltar a ter o cafuné da minha saudosa vovó. Ah, que saudade da minha avó, do meu tio e de todos aqueles que foram tão intensos e de certa forma tão breves nesta minha jornada que parece longa. Quero poder dizer ‘eu te amo’ pro meu pai sem sentir vergonha. E que ele faça o mesmo comigo, sem ficar encabulado por eu já estar barbado, lhe beijando o rosto. Sim, pois nossa relação foi estreita, culpa do divórcio. E eu sequer sabia que já era gente quando mamãe se mudou para outra casa conosco. Quero fazer minha mãe querida entender que a amo muito e que ela me perdoe por demorar algumas semanas para visitá-la. E que a minha irmã seja humana da mesma forma que é uma excelente profissional, valorizando as diversidades, respeitando as nossas discordâncias. E que o meu sobrinho melhore, vença esse autismo com a força do carinho que sinto por ele. E que ele possa entender que o titio fica triste ao vê-lo nesta condição, e que é covarde para encarar seus belos olhos castanhos e aceitar essa doença maldita. Agradecer a Deus por ter uma madrasta maravilhosa e conselheira e uma mulher que me tirou das alheias, pondo-me nos trilhos.

Quero berrar de felicidade sempre que o sol nasce, levantando um novo dia pra mim, sem reclamar. Ou que a chuva me lavasse os pecados da alma. Poderia reviver minhas paixões e falsos amores. Chorar as lágrimas de emoção e de dor. Agüentaria firme tudo de novo, pois a vida já me deu respostas eficazes para os impulsos banais em alguns atos falhos e tolos. Queria que o meu carro parasse de me dar prejuízo, aceitar os conselhos daqueles que me pedem sempre para ter juízo e não me preocupar tanto com os meus compromissos. Mas, sou igual a você. Feito de carne, osso e sonhos. Feito de resto das estrelas e de alucinações, nas quais julgo serem sonhos. Permito-me ser feliz, mesmo que por um triz eu consiga esquecer que o mundo nem sempre é cor de aurora.

Sabe, na verdade eu apenas quero um bom livro para devorar neste dia cinzento.

Entry filed under: Ácidos.

Rabiscos no Guardanapo do Aerocafé Com as Quatro Patas No Chão

36 Comentários Add your own

  • 1. Araken  |  maio 29, 2007 às 3:51 pm

    Cazza, pouca vezes na vida li algo tão intenso quanto o seu texto e para variar estava ouvindo radiohead – com o seu som entorpecente – quase fui as lágrimas com o seu texto. Poucos descrevem o cotidiano e sentimento humano como vc. Fiquei triste por culpa da vida, que nos encarrega de nos separar, e assim tive que ler o seu email para saber da luta do seu sobrinho. Para mim é impossivel nao fazer um paralelo com a chegada do Lucas. Conta comigo sempre !
    Continue escrevendo assim sempre – para mim é uma honra ter um amigo como vc.

    BC: Araken, saudades de você meu amigo. E o Lucas vai abençoar ainda mais a sua vida, meu caro. Tenha certeza disso. Quando eu for visitá-lo, verifique com a sua ‘senhoura’ se eu posso levar a maggie. Abraços saudosos

    Responder
  • 2. Camila  |  maio 29, 2007 às 5:20 pm

    que hajam muitos dias claros para teus dias cinzentos. sugestão para devorar, caso um dia desses ocorra novamente: 1933 foi um ano ruim, de john fante. é cinza um tantinho tb. mas uma delícia, rapidinho.

    BC: Boa dica, vou procurar. Beijoca

    Responder
  • 3. Lubi  |  maio 29, 2007 às 5:37 pm

    Eu queria sol pr’esse dia cinzento. Queria bailar pelo asfalto com flores lilás derramadas das árvores. Queria sentir o cheiro das flores, o cheiro novo do caminho, sem pó, sem mofo, sem naftalina.
    Novo. De novo. E sempre tododia.
    Queria chocolate e uma xícara de chá. Queria a cabeça do amado que ainda não veio sobre a minha barriga nua para eu acarinhar. Queria amor-amor-amor em grandes porções que durassem a minha vida inteira. Para que eu nunca mais me sentisse tão só como agora.
    Queria sacos enormes de pipoca com manteiga e filme infantil. Queria mais rock nos meus fones de ouvido e sensação de liberdade. Queria uma pílula que acabasse com a dor e despejasse alegria em cada parte minha.
    Queria poder tudo que eu quero.
    Um beijo.

    BC: E eu quero tudo que eu tenho direito, Lubi. Dois beijos

    Responder
  • 4. Christiani Rodrigues  |  maio 29, 2007 às 7:39 pm

    Dias cinzentos costumam ser bom para reflexão, e com isso ganhamos. Todos nós passamos por dias assim, mas é legal saber, que mesmo sem ver, o sol continua ali. E chega o momento em que ele brilha novamente. Acredite, isso costuma dar certo, comigo sempre deu…rs…
    Bjo no coração
    Chris

    BC:Comigo também, Chris. Acima das nuvens ele está sempre radiante! Bjk

    Responder
  • 5. Bárbara P  |  maio 29, 2007 às 8:46 pm

    Eu também quero um bom livro…
    Aqui já é azul o dia.
    Que o carinho vença, como sempre faz.
    Abraço

    BC: Carinho, compaixão..tudo de bom pra nós, sempre. Beijo

    Responder
  • 6. Erika  |  maio 29, 2007 às 10:48 pm

    Um bom livro é boa companhia, assim como um bom disco, um bom vinho…
    Mas as vezes nós mesmos somos nossas melhores companhias.
    Que a companhia das boas lembranças sejam o alento deste dia cinzento.
    Beijos

    BC:E que venha o sol novamente, Erika. Beijão!

    Responder
  • 7. João Paulo  |  maio 30, 2007 às 12:19 am

    Bruno, cara! Já o admirava e depois desse post vejo o quanto de sentimentos carrega e posso até pensar, mas não consigo, pois me deixou muito emocionado.
    Você me fez lembrar muito das coisas quase esquecidas, dos parentes e amigos queridos, mesmo não acreditando na amizade como antes, isso depois de algumas decepções com algumas pessoas que pensei que um dia tenham sido amigas.
    Vamos ao que interessa, o mérito é todo seu, pois com tantos significados trazidos pelo texto é impossível não fazermos um chek-up na alma e na carne.
    Um bom livro que você queria ler… isso é muito mais que um livro é uma enciclópedia de ensinamentos múltiplos. Simply the best…
    Sua sensibilidade é fantástica, pouquíssimos tem essa qualidade e tão menos sabem expressá-la. Parabéns!!!
    Sei o quanto a separação é ruim, e a vida necessita, pois vivemos de escolhas, nessas escolhas… tive que me separar da minha família, meus pais tão simples e tão amáveis, meus irmãos que tanto amo… Mesmo visitando-os, não é a mesma coisa.
    Ainda bem que a minha amada esposa tem sido a melhor coisa.
    Muita força para superar tudo isso, Bruno, pois vc é um exemplo de boa pessoa. O mundo precisa de vc!!! E eu também!!! Mesmo que nosso contato seja virtual, fique sabebendo que aprendi e quero continuar aprendendo com seus excelentes textos.
    Fica com Deus!!!
    Somos de carne, osso e sonhos!!! Isso é o bastante para fazermos alguém feliz.
    Abraços!!!

    BC: Poxa cara, obrigado. Também é bom ter sua presença constante aqui. Um abraço

    Responder
  • 8. Cau  |  maio 30, 2007 às 3:05 am

    Sobre utopias e desabafos…
    Tem dias assim… cinzas, do lado de dentro da gente.
    Livro em punho… as palavras dissiparam-se.
    Melhor me perder nos pensamentos que ficaram.
    Beijo

    BC: Pensamentos que ficaram e que jamais se perdem… Beijo

    Responder
  • 9. Fina Flor  |  maio 30, 2007 às 6:26 am

    Seu post me lembrou “eu não caibo mais nas roupas que eu cabia, eu não encho mais a casa de alegria, os se passavam enquanto eu dormia….”
    O meu post de hoje está semelhante………..
    beijos, dear e boa semana
    MM
    ps: ameeeeeeeeeeeei os parágrafos. OBRIGADA!!!!!!!!

    BC:Titãs… na época do Arnaldo Antunes, da época onde eu sequer tinha barba… Ô tempo que não volta! Beijo

    Responder
  • 10. Girassol  |  maio 30, 2007 às 3:35 pm

    Lendo o seu texto comecei a pensar em todos aqueles questionários (dos quais não sou grande fã), que andam por aí a circular e que “obrigam” as pessoas a fazer auto-análises.
    Todos sentimos necessidade de abrir as janelas da alma num momento qualquer, quando o fazemos de forma livre saiem desabafos maravilhosos como esse. Tão simples, como são muitas das coisas desta vida, e ao mesmo tempo cheio de sentidos, significados e emoções extremas.
    É bom parar para nos observarmos, como se nos fosse permitido sair de dentro de nós e feito sombra, ficarmos a ver os nossos gestos e atitudes. Tantos erros, alguns acertos, mil sonhos e a surpresa do dia seguinte…
    Beijos

    BC: Auto análise… E eu detesto livros de auto ajuda…Bjs

    Responder
  • 11. Larissa Marques  |  maio 30, 2007 às 3:51 pm

    Não desejo mais ser criança, e aquela que existiu em mim um dia amadureceu e endureceu. Cansei-me de ter esperanças e vivo, talvez sobrevivo, nesse mundo de concreto e pó!
    Beijo! Adorei o seu escrito!

    BC: Ah, mas não podemos nos cansar nunca… Beijoca

    Responder
  • 12. Marcelo  |  maio 30, 2007 às 7:03 pm

    Eu ando querendo que o tempo passe mais rápido. De preferência na mesma velocodade de cruzeiro de um avião prateado em céu azul.
    Na companhia de um bom livro para eu devorar, logicamente..
    Abraços.

    BC: E olha que o tempo é ligeiro, Marcelo. Abraço!

    Responder
  • 13. ana.  |  maio 30, 2007 às 11:43 pm

    Oi Ácido Poeta…
    Belos desejos os seus, mesmo que tenham sido lidos ou não num livro…Quem não ousa sonhar nãosabe o que é viver. Que seus desejos possam ser escritos c om letras fortes e legíveis. Que todos os seus anônimos ou não, possam ler e inebriar-se com a trajetória de uma pessoa cativante e muito, muito ESPEIAL!Você querido amigo pode tudo, basta acreditar.
    Beijos Poéticos.
    ;**
    P.S: Em dias cinzentos o sol continua brilhando, basta as nuvens dissipar-se para que as cores brilhem fortemente no teu céu de sonhos inimagináveis.

    BC: FAz parte do meu livro pessoal. Editora? A vida! Bjk

    Responder
  • 14. luana  |  maio 31, 2007 às 12:48 am

    aiaia
    “”somos feitos de carne, mas temos que de viver como se fossemos de ferro” freud
    Oo
    x*
    namastê

    BC: Exatamente, Lú.

    Responder
  • 15. SandraKzo  |  maio 31, 2007 às 1:33 am

    Ô poeta ! Que lindo ler seus textos e visitar acido poético. Parabéns moço!

    BC: Ô mãe… se não fosse tudo o que você me ensinou e nem escreveria meu nome direito…

    Responder
  • 16. Sônia  |  maio 31, 2007 às 11:56 am

    As vezes nos sentimos assim mesmo.
    Um livro é um bom remédio…
    Abraço Bruno!

    BC: Um remédio necessário para a mente…

    Responder
  • 17. Lubi  |  maio 31, 2007 às 1:26 pm

    Vou te presentear com um bom livro.
    Voe.
    Um beijo.

    BC: Oba! Bjk

    Responder
  • 18. inpurosin  |  maio 31, 2007 às 3:33 pm

    Um texto que encanta pela forma bem escrita e não cansativa…
    obrigado por me fazer querer ter um dia melhor, por ter me incentivado a continuar…

    BC: Que bom que o desabafo foi além da utopia.

    Responder
  • 19. Flá Fuini  |  maio 31, 2007 às 4:13 pm

    Magnífico. Esses desabafos são necessários, sonhar também. Só assim conseguimos fugir da realidade, mesmo que somente por alguns momentos.

    Hoje fiquei mais nostálgica com seu texto, depois do fim-de-semana paulista e do frio congelante de São Paulo! Preciso sonhar mais, mas não com baratas e besouros!

    beijos

    Responder
  • 20. Iara  |  maio 31, 2007 às 4:41 pm

    que o bom livro venha, que o dia cinzento ganhe cores, festas, timbres de luz e som.
    saudades de voce, menino!!

    um beijo dos grandes pra tu!

    Responder
  • 21. Edson Marques  |  maio 31, 2007 às 6:55 pm

    Bruno,

    Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

    Abraços, flores, estrelas..

    Responder
  • 22. Cabrita  |  maio 31, 2007 às 9:19 pm

    saudades de vc…
    te adoro

    Responder
  • 23. elisabetecunha  |  junho 1, 2007 às 4:52 pm

    Pô Bruno, está ótimo!

    🙂

    Responder
  • 24. Keila, a Loba  |  junho 3, 2007 às 1:45 am

    Um dia assim, um momento como esse, é certamente uma oportunidade única de felicidade. Eu gosto de pessoas que têm na felicidade suas expressões mais simples de vida.

    BeijUivooooooooooooooossssssssssss da Loba

    Responder
  • 25. B.  |  junho 3, 2007 às 6:42 am

    Se eu disser o que eu gostaria de devorar a censura me pega e aí fod**.

    Deixemos esse papo de lado, livro aqui não falta. Diga-me qual queres.

    Responder
  • 26. Rubina  |  junho 3, 2007 às 8:12 am

    E tudo esta bem quando acaba bem. E se ainda nao esta bem e porque nao acabou. Espero que tenha encontrado o seu bom livro. Abraco

    Responder
  • 27. Fernanda  |  junho 3, 2007 às 3:41 pm

    Esse é um daqueles dias que sentimos saudade do que não vivemos… sentimos saudades da percepção que tínhamos das situações e pessoas… Enfim, uma nostalgia, saudade de nós mesmos e de nossas referências… bjs

    Responder
  • 28. Elza  |  junho 3, 2007 às 9:53 pm

    eu estou com o mesmo desejo que vc, já estou farta de ouvir só a chuva e não ter ninguém em baixo do cobertor comigo, nem ao menos um livro para devorar….

    Responder
  • 29. elisabetecunha  |  junho 4, 2007 às 12:21 pm

    Bela semana!
    🙂

    Responder
  • 30. Lubi  |  junho 4, 2007 às 4:45 pm

    Saudade.

    Responder
  • 31. Alê Quites  |  junho 4, 2007 às 6:45 pm

    Quando eu crescer, quero escrever como você.
    Hoje escrevi um texto com traços bem parecidos com os teus.
    Beijos*

    Responder
  • 32. J@de  |  junho 4, 2007 às 8:16 pm

    A gente quer tanto, mas tanto, que de fato basta um livro prá distrair num dia cinzento… belo texto!!
    Beijos!!

    Responder
  • 33. Sônia  |  junho 4, 2007 às 8:34 pm

    Ainda não terminou de ler o livro? rs…

    Abraço!

    Responder
  • 34. Emilia  |  junho 4, 2007 às 10:10 pm

    assim, como sempre.
    não mais diferente
    tuas letras tão, tão….

    adoro!
    🙂
    boa semana!

    Responder
  • 35. Diogo  |  junho 4, 2007 às 10:27 pm

    Saudoso, saudade dos tempos de coluniandos.
    Belo e intenso texto.
    Às vezes tento atualizar meu fotolog também…rs
    Grande Abraço.

    Responder
  • 36. Lucio Antoniolo  |  abril 22, 2009 às 12:31 pm

    Não vou me alongar, simplesmente gostei.
    Parabéns pelo texto!

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:


%d blogueiros gostam disto: