Zagueirão

maio 10, 2007 at 3:39 pm 16 comentários

Zagueirão Uma algazarra. Barulho de tudo que é lado. Gargalhadas, conversas altas e afiadas, sussurros e gemidos pelos cantos do bar. Eram quase 3h da manhã e eu passei a noite toda ali, encostado no banco à quina do balcão. O garçom já me achava um psicopata cretino e eu, bêbado e lânguido, já enxergava turvo as cores do vestido daquela ruiva corpulenta. Imaginava todas as suas curvas e odores. Deliciosa. Estava com umas amigas vagabundas, creio eu. Mas, dançava flutuando entre as tragadas do seu cigarro filtro amarelo e os intermitentes raios de luz da boate. Tudo misturado aos diferentes sons do DJ. Uma catinga danada. O ambiente cheirava a perfumes baratos e sovacos pingados. Minha blusa, recém comprada na C&A da Rua Uruguaiana, já estava impregnada com a fragrância típica dos vagabundos maltrapilhos. A ruiva aquela altura, já parecia uma negra meio loura, sei lá. Acho que o garçom misturou alguma vodca genérica no meu copo de Coca-Cola Zero. Zero, pra não engordar ainda mais as calorias do meu pálido semblante robusto. Sim, eu queria dar uns beijos, dançar a música nova do Latino e depois morrer nos braços de uma qualquer. Bom, o Latino já comeu mais de 5 mil mulheres.
“Se eu dançar igual a ele, cantar as bobagens típicas de suas letras, eu consigo comer a metade, não?”– Pensei etilicamente
Um calor do inferno! Devem ter diminuído o ar condicionado do ambiente. Não é possível! Eu parecia um suíno suando. O local já estava com os vidros embaçados e eu não sabia ao certo que sacanagem era aquela lá no fundo da boate, mas havia dois bigodudos se abraçando e acariciando suas necessidades.
Palhaçada, de mau gosto” – Pensei, já intrigado.
A ruiva já não era tão bela e parecia conter um volume estranho por debaixo de seu vestido, bem ali na região erógena.
Travesti do inferno” – Refleti, já meio puto –“Onde eu fui parar meu Deus?”
Casais trocados, bebendo de tudo e tragando fundo tudo que é barato e insano.
A conta! – pedi ligeiro.
Dia seguinte, hora do almoço, fui verificar onde eu havia me metido. Ao invés de entrar na boate Gatas Molhadas, errei o caminho e adentrei no bordel homossexual Tacos de Eros, na Rua da Quitanda. Estúpido! Giza, uma mulata alta, de lábios carnudos, estava parada na porta e me ofereceu um drink para conhecer o local. Quase me enganei diante daqueles seus 1,93 metros de altura e mais algumas polegadas, graças aos saltos altos. Purpurina na sobrancelha e uma rouquidão na voz grave. Giza contou-me que aos domingos, virava Maurão e carregava o número 4 estampado na camisa de seu time de várzea, em Nilópolis. Zagueirão central, querendo sempre entrar com bola e tudo. Pilantra! Quase me engana. Corri dali. Até que Giza-Maurão tinha um papo maneiro, o problema era o ambiente. Uma algazarra. Barulho de tudo que é lado…

Entry filed under: Ácidos.

Sobre Paixão Rubra, escrita em Negras Letras Couvert Intacto

16 Comentários Add your own

  • 1. Elza  |  maio 10, 2007 às 6:56 pm

    Realemnte entrar num lugar Gay, tem que estar prerparado para o que vai ver.
    rsrsrsrs..

    =]

    Responder
  • 2. Lubi  |  maio 10, 2007 às 9:26 pm

    Óóóótimo!!! Bem contado, como lhe é típico.
    Beijo.
    Saudade.

    Responder
  • 3. Sônia  |  maio 10, 2007 às 10:24 pm

    Que fria, hein amigo?! hahah!!
    Depois do terceiro ou quarto copo…tudo que vier eu topo, tudo
    que vier vem bem…rs

    Boa noite.

    BC: Minha querida, este personagem está fazendo sucesso. Porém, tudo que vier eu todo é bem circunstancial, não? Um beijo grande!

    Responder
  • 4. Louis Ciffer  |  maio 10, 2007 às 11:48 pm

    Tem que mudar de marca de breja, pois esta pode lhe dar ardencia no anus.

    BC: Respeito todas as opiniões e diversidades. Mas, nem supositório, meu caro. Esse personagem também não quis arriscar muito. Ah, eu nem sei porque estou respondendo à alguém com esse nome nefasto, mas sou diplomático, sempre. Vai na paz do senhor, credo!

    Responder
  • 5. Andy  |  maio 11, 2007 às 1:14 am

    E ai meu veio, td bem contigo ?
    Adorei seu post, vc escreve muito bem e se envolve numas enrrascadas em… Pega nada, essa é a receita perfeita pra um blog, um bom escritor e uma visão acida, mas poetica.

    Um grande abraço.

    BC: Sabe o que eu acho? Que eu tenho que dar nomes aos meus personagens inventados… Meus leitores estão pensando que sou eu o cara da boate! Eu nunca erraria o endereço!! Hehehe, abraços Andy!

    Responder
  • 6. Lediana  |  maio 11, 2007 às 12:32 pm

    Olá! Não sei como vc me encontrou nesta blogosfera, mas eu cheguei aqui através do seu comment em meu blog…

    Adorei esse texto. É daquelas noites boêmias antológicas… Todo mundo tem algo parecido pra contar… Mas vc conseguiu fazer isso de uma maneira peculiar! Gostei do que li e voltarei aqui mais vezes!

    Bjos!

    BC: Ora, e a mocinha achou que eu não gosto de caçar borboletas, é? Seja bem vinda! BJK

    Responder
  • 7. João Paulo  |  maio 11, 2007 às 1:51 pm

    Observando os comentários acima, concordo com algumas coisas, principalmente a capacidade de escrever textos convidativos. Parabéns!!!

    Seu passeio não foi nada convidativo, não é??? Primeiro, não gosto de coca-cola, já minha esposa adora, mas não ficou muito feliz com a versão zero, pois contém uma substância chamada de aspartame, que ataca direto o coração.

    Fico feliz pq vc não se envolveu com essa prática vivida nesse ambiente, nada contra a diversidade sexual, mas a promiscuidade nessa tribo prevalece. Por outro lado, não entrou na onda do Latino, pois quem muito fala pouco faz, ou faz de tudo um pouco.

    BC: Sim, adoro escrever textos que tragam gente esperta e descolada pro meu Ácido. Mas, eu juro que esse é só um personagem invetado por mim. Eu nunca erraria de boate! Abraço
    Um abração!!!!

    Responder
  • 8. luana  |  maio 11, 2007 às 2:05 pm

    gdgdydgyudgyudgyudgydugdyugduygdyugdyudiuhuidhudihduihduihduihd

    minha nossaa..a mente humana eh realmente complexa viu?? o inconsciente guiou o cara olhaeee!!! isso que dá reprimir muitos desejjos :xxx
    udhduduhdudhuhduidhuidhiudhiudhduihdiudhuidhdiuh

    😛
    🙂
    x*

    BC: A mente humana é uma caixinha de surpresas. Opa! Eu já ouvi isso antes! Não foi algum comentarista imbecil falando sobre futebol? Não sei… Beijos mil, moça

    Responder
  • 9. elisabetecunha  |  maio 12, 2007 às 2:45 am

    rssssssssssssssssssss

    BELO FINAL DE SEMANA!

    BC: Apesar de estar respondendo na terça…bom final de semana pra você também! 😉

    Responder
  • 10. Cau  |  maio 12, 2007 às 12:24 pm

    Bruno…
    Que conto legal. Diverti-me a valer lendo-o.
    Gostei do estilo e da história (um sarro) risos
    Por isso gosto daqui, nunca se sabe ao certo o que se vai encontrar… e sem tanto barulho e algazarra.

    :op

    BC: Sem barulho e algazarra porque é simples e surpreendente, ou é surpreendente porque é simples sem barulho e algazarra? Beijos mil

    Responder
  • 11. Charlotte  |  maio 12, 2007 às 9:43 pm

    Oi.. belo texto, adorei as ironias subentendidas!
    E como eu estudo psicologia, pra mim foi mais interessante ainda…
    Virei visitá-lo mais vezes.
    Beijos

    BC: Que bom que gostou! De repente eu faço umas sessões com você, topas? Vai que eu descubro um outro eu psicodélico…Beijão

    Responder
  • 12. Bárbara P  |  maio 14, 2007 às 2:40 pm

    Bruno, você vai ficar muito bravo comigo se eu te disser que sou palmeirense?

    hihihihihi

    Beijos!

    BC: Eu estava lá e vi o Animal acabar com meu time. faz parte. Beijos rubros

    Responder
  • 13. Ana M  |  maio 14, 2007 às 5:45 pm

    caramba, incrível conseguir me fazer rir neste dia cinza de hoje…
    narração excelente e que viagem insólita, não, meu caro?
    bisou.

    BC: Abra a cortina da alma, deixe o sol raiar! Beijão

    Responder
  • 14. kkkarol  |  maio 14, 2007 às 5:59 pm

    À noite todos os gatos são pardos… ou não…
    Vish…..
    Adorei o texto…. hehe
    Bjoo
    P.S.: Meu galo não ganhou mesmo…. 😡
    Culpa daquele juíz filho da p#$%@%.

    BC: Viu, depois ficam chorando pelos cantos…juízes safados!

    Responder
  • 15. ana.  |  maio 15, 2007 às 11:02 am

    Muito interessante seu conto, adorei! Uma forma bem irreverente de falar de fatos do nosso dia-a-dia. Parabéns!
    Beijos Poéticos.
    ;**

    BC: Seja bem vinda, Ana.

    Responder
  • 16. J@de  |  maio 16, 2007 às 2:32 pm

    Muito me admirou o personagem perceber a ruiva/travesti depois da vodca na coca cola zero!! E no outro dia ficou bem animadinho com o zagueirão né? hehehehe!!
    Sabe que eu tenho um amigo tão distraído que numa viagem de trabalho, saiu prá se distrair e entrou num bar GLS sem perceber? E isso sem beber um gole!!
    Gostei muito do conto!!
    Beijos!!

    BC: Ih, J@de… Olha que foi só criação da minha mente, mas eu conheço também conheso uns casos que são verdadeiros e cabulosos! Beijoca!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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