Vida Degradé

abril 2, 2007 at 12:39 pm 15 comentários

Vida Degradé Escuto as folhas secas caindo pela grama. Clima quente de mais um dia de Outono, brando e suave. Posso fechar os olhos e sentir o inexistente silêncio urbano. Manhã despreocupada, o crepúsculo sempre me contempla com sua luminosidade radiante. Apago o sono e a ducha fria acorda rápido meu lado menos humano. Sigo rumo à batalha cotidiana. Suor na testa, mente agitada trabalhando palavras. A música ao fundo é melodia de buzinas, mp3s e ipods ligados ao máximo volume. As pessoas não se falam, não se suportam, não se aturam. Ninguém percebe as cores e os odores da vida que passa ligeira pelos vidros turvos da condução entupida. Resmungos, suspiros e conversas afiadas. Lá fora, uma mistura de céu azul sem nuvens com a tonalidade negra da fúria da sociedade capitalista. E ninguém se importa com a tela divina do firmamento, pintada em cor degradé pelo sol. Clima selvagem de mais um dia de Outono, seco e áspero

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Caminhos O Vendedor de Sonhos

15 Comentários Add your own

  • 1. aguas da vida  |  abril 2, 2007 às 2:21 pm

    Gostoso de ler seu post. Excelente.
    Obrigada pela sua gentil visita. Volte mais vezes.
    Um excelente inicio de semana para ti.
    Big kiss

    Responder
  • 2. Natacha  |  abril 2, 2007 às 3:20 pm

    Pooor favoooor leia toooodos os teu comentários novamente, porque você seeeempre reclama no meu blog que eu não te visiiito mas eu seeeeeeempre venho aqui porque adooooooorooo o que escreve!!!!!!!!!!!!!!

    E já comentei algumas vezes!!!!!!!

    Vou deixar este coment bem grande que é pra você não perder de vista.

    Tá?

    Ó!

    Tô deixando!

    Não vai ignorar este, hein?

    Será que já está bom pra você enxergar?

    Hahahahahah

    Querido, sério, eu sempre passo aqui, você que nunca lê meu comentário!
    Beijos!!!

    Responder
  • 3. Girassol  |  abril 2, 2007 às 4:07 pm

    Quanta verdade nesse texto.
    Todos os dias as pessoas travam a mesma batalha da vida em correria, sem tempo para se fazerem notar ou serem notadas. Como se todos fossemos robots incapazes de fazer algo mais, do que aquilo para que estamos programados naquele momento.
    A rotina deste mundo capitalista torna-nos mais mecânicos, distantes, perdidos em pensamentos dispersos, de uma vida também ela dispersa.

    E no meio de tudo isso, tem obrigatoriamente que existir um refúgio, porque quem não o tem, acaba por enlouquecer.

    Beijos.

    Responder
  • 4. Alexandre  |  abril 2, 2007 às 4:44 pm

    Você fala bem do cotidiano. Gostei!

    Responder
  • 5. Carol Marossi  |  abril 2, 2007 às 8:26 pm

    É o que eu digo, Bruno, pós-modernidade de zumbis! Zumbizamos por aí e dá-lhe anestésicos vários, ou acha que essas club drugs vendem tanto por quê?

    Teus escritos me lembram Heminghway em certos momentos devido à riqueza de detalhes. Já leu “Paris is a feast”? Se não, vale muito à pena.

    E pena que você só tem acompanhado meus posts confessionais- não que sejam melhores qdo. escrevo, mas é que é um saco ler coisas sobre gente que a gente não conhece. Agradeço a visita, anyway. Quando passar esse bloqueio pra escrever, te dou um toque. Sem grandes expectativas, contudo.

    Besitos!

    Responder
  • 6. Binhosampa  |  abril 2, 2007 às 8:37 pm

    É o dia passando na nossa frente e as pessoas não se dão conta de como a vida voa e isso é apenas um pequeno detalhe de nossas vidas. Infelizmente nem todos estão aptos a perceber isso. Só enxergam isso quando a velhice bate na porta.

    Abs e Inté.

    Responder
  • 7. Ana  |  abril 3, 2007 às 1:58 pm

    me lembrei de um filme do Win Wenders, “Asas do Desejo”. fui procurar nas minhas anotações o trecho que tuas letras me fizeram recordar. vai lá: “O povo[…] se dividiu em tantos estados quanto existem indivíduos. E estes pequenos estados são móveis. Cada um leva o seu consigo e pede pedágio a quem entra… Tanto para a fronteira só se entra no estado com uma senha. A alma atual […] só pode ser conquistada e governada por quem chega em cada pequeno estado com a senha. Felizmente, ninguém e capaz. Então todos migram e levantam suas próprias bandeiras.” É isso.
    bisou.

    Responder
  • 8. Ana  |  abril 3, 2007 às 5:13 pm

    pode me adicionar entre teus ácidos, se quiser. agradeço.
    bisou

    Responder
  • 9. Iara  |  abril 3, 2007 às 6:34 pm

    bruno menino…sem querer tateamos janelas e percorremos os ácidos que delas escorrem…
    e assim fazemos juntos a poesia da vida…
    tê-lo por perto e sempre com palavras tão carregadas de delícias e afetos é um prazer enorme!

    um cheiro pra tu!

    Responder
  • 10. Carol Montone  |  abril 4, 2007 às 4:21 am

    Gostei muito….acho que só mesmo a poesia pode corroer, mesmo a longo prazo toda a ignorância cotidiana…beijos e a propósito o outono no Rio de janeiro é mesmo um lugar para sonhar, como disse Ed Mota…
    Carol Montone

    Responder
  • 11. Carol Montone  |  abril 4, 2007 às 4:23 am

    mesmo sob todo o inferno reinante a gente se reinventa e vive algo de celestial na luz de outono que invade as ruas emboloradas de banalidades…bjs carol montone

    Responder
  • 12. Camila  |  abril 4, 2007 às 10:21 pm

    a vida é tão outra coisa com as palavras… um texto com jeito de suspiro. prazer!

    Responder
  • 13. ariane  |  abril 6, 2007 às 12:00 am

    palavras de um homem sensível…gosto de vir aqui e sentir a suavidade das folhas secas ao cairem no chão…procuro ainda onde está tua acidez, doce Bruno 🙂
    doces beijos

    Responder
  • 14. fabio jardim  |  abril 6, 2007 às 6:50 pm

    adoro o outono!
    vc descreveu muito bem o mal dos nossos dias: essa distância latente dos que nos cercam.
    grande abraço!

    Responder
  • 15. naty  |  abril 7, 2007 às 9:41 pm

    olá passei para te desejar uma boa Páscoa.
    bjs naty

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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