Caminhos

março 29, 2007 at 12:23 pm 17 comentários

Caminhos Retornei da eternidade com as mãos abanando, vazias. Devo abrir os braços pelo caminho quando lhe vir sorrir. E me perder na imensidão de sua aura, pedir perdão, ajoelhar aos seus pés e depois me desculpar por ser assim, tão estúpido. Irracional, descalço na minha sola de barro, deixo a irresponsabilidade pra trás e faço nascer no peito um novo eu. Nu, agora. Meus versos de vidro se quebram pela poeira da estrada errada, e os cacos no chão são apenas as velhas frases feitas, prontas, esquecidas pelas rimas de outrora. Outono bate à porta, folhas caem e eu não me abandono. O meu desenredo vira música erudita com flautas mágicas de ninfa. Orquestra da natureza, sem flor nem poemas para colher. Regar as raízes da sabedoria pra me reconstruir. Conjugo palavras de sol com o sabor de terra molhada pelas gotas de orvalho. Pausa, pouso de pássaros trazendo a aurora. Renascimento. Não deixo mais meu coração ao relento. Parti, mas soube voltar.

Entry filed under: Ácidos.

Ensaio Sobre a Alegria Vida Degradé

17 Comentários Add your own

  • 1. Girassol  |  março 29, 2007 às 1:10 pm

    Tantas vezes nos perdemos em caminhos errados, onde deixamos partes de nós que não recuperaremos nunca mais.
    Mas, melhor andar perdido por uns tempos, apostar as fichas no número errado, do que ficar sentado na plateia da vida, enquanto a peça vai passando.
    E, todos precisamos nos perder para que depois nos possamos encontrar. É preciso perder, para dar valor ao que se ganha.
    Enquanto soubermos partir e voltar, é porque continuamos a ter esperança.

    Beijos.

    Responder
  • 2. Iara  |  março 29, 2007 às 2:10 pm

    Bruno, meu querido…
    Vir aqui e, cáustica, me enovelar em seu ácido poético e febril, é sempre tarefa capciosa, promessa de belezas e encantamentos.

    Você me oferece outonos e eu, folha seca sem sentido, lhe clorofilo o carinho com (in)tensa amizade e apreço!

    Você é um carinho!

    Beijos…

    Responder
  • 3. Rayanne  |  março 29, 2007 às 2:24 pm

    Saber voltar…
    Mas, para onde?
    Talvez os próprios passos guardem a importância da volta.
    Ou o retorno ao coração desabitado. acender as luzes. Varrer,
    enfeitar de flores, pintar as paredes, se sentir de novo em casa.
    Tão bom encontrar-se em si, sentir-se confortável dentro da alma.

    E meu céu de estrelas no contratempo seja também casa sua.
    Adorei a visita.

    ***Estrelas***

    Responder
  • 4. Andrezinho  |  março 29, 2007 às 5:57 pm

    Garoto bom………….rsrsrrrsrs

    Responder
  • 5. aguas da vida  |  março 29, 2007 às 6:51 pm

    Onde buscar meus caminhos se eles estao nos teus rastros? Onde buscar minha vida se ela esta a tua sombra, viver é germinar…é encontrar pessoas sensiveis como voce que escreves com a alma.
    Que post mais poético, digo com toda sinceridade que és um grande poeta. Excelente!!!
    Big Kiss

    Responder
  • 6. Alê Quites  |  março 29, 2007 às 6:59 pm

    São em partidas, chegadas e retornos, que aprendemos muito de nós mesmos.
    Belas palavras.
    Beijos*

    Responder
  • 7. Marla de Queiroz  |  março 29, 2007 às 7:08 pm

    Um texto tão bonito assim,
    como a invocação dos elementais da natureza.
    Adorei tua visita.

    Ah, lembrou-me um poema meu que começa assim:
    Se eu me flor no vôo
    Quem dirá que já não era
    o Templo da ida…

    Responder
  • 8. Lubi  |  março 29, 2007 às 9:30 pm

    Eu gosto da maneira exposta como escreve. Arrepio.
    Beijo!

    Responder
  • 9. Sônia  |  março 29, 2007 às 10:13 pm

    Nossa…que bonito!
    Você escreve muito bem Bruno.

    Boa noite…

    Responder
  • 10. Paulo Fernando  |  março 30, 2007 às 5:32 am

    Quando palavras alheias sufocam meus dedos, não consigo digitar nada além de um parabéns….

    Abraços, meu caro!
    Continua visitando meu espaço, quando puder!

    Responder
  • 11. Raimundo Neto  |  março 30, 2007 às 3:09 pm

    Noooossa… coisa boa isso aqui!

    Parece que vive com o peito aberto, em carne viva.

    Muito bom!

    Responder
  • 12. (EC)²  |  março 30, 2007 às 4:57 pm

    Partri e saber voltar. Poder voltar. Saber que pode voltar.
    Nada melhor que uma porta sempre aberta para um regresso. É sinal que realmente soube regar, cativar…

    É por essas e por outras que coluniamos bem. Temos um bom precursor…
    O ácido é realmente bom.

    Responder
  • 13. Alê Quites  |  março 30, 2007 às 5:25 pm

    Bom final de semana!

    Responder
  • 14. ELIANA  |  março 30, 2007 às 8:32 pm

    Oi Bruno, meu amigo, tudo bem?Vim admirar mais uma de suas lindas mensagens!!…não deixo mais o meu coração ao relento…parti,mas soube voltar!!…e inteira!!Bruno, tenha um ótimo final de semana!!Beijão…e apareça tá?

    Responder
  • 15. Carol Marossi  |  março 30, 2007 às 9:10 pm

    É Bruno, ás vezes faz outono nos nossos corações…
    Teus textos são cheios de lirismo sem caírem no drama nem na pieguice. Gostei mesmo do teu estilo. Keep writing.

    Besitos!

    Responder
  • 16. Leandro Jardim  |  março 31, 2007 às 3:58 pm

    Bonito!

    Responder
  • 17. Keila, a Loba  |  março 31, 2007 às 11:31 pm

    “… Parti, mas soube voltar”, achei bárbaro!

    Vou guardar seu Uivooooooooooo junto aos demais, que são especiais, posso?

    Eu tenho que me desculpar ante a ausência do blog, das conversas gostosas no e-mail, mas eu precisei viajar com os pacientes para Recife, viagem ótima, por sinal, e voltei muito gripada. Se não fossem as lembranças daquela terra e daquela gente querida, certamente estaria mal ao me dar por conta de que sol e calor me deixaram doente. Mas fomos e voltamos em paz, fomos muito bem recebidos, Recife e sua gente nos conquistou, e estou de volta mais Uivaaaaaannnte do que nunca, e vim aqui para te deixar um beijo e um Uivoooooooooo de saudade.

    Passou por aqui uma Loba….

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:


%d blogueiros gostam disto: