Ensaio Sobre a Alegria

março 28, 2007 at 12:06 pm 9 comentários

Ensaio sobre a alegria Bastava uma fresta na janela pro sol anunciar a sua chegada. Coço a barba falha de quarta-feira e abro a cortina, deixando o astro rei radiar goela a dentro. Descalço, caminho até o banheiro solitário. Eu e minha cueca de R$19,90 ilustrada com o Homer Simpson. Chuveirada, navalhada e meias finas. Traje pseudo-social sem compromisso com a moda rústica. Torço pra vir a quinta e sexta informal, para a passarela da rotina virar palco pro meu velho e surrado All Star preto. Textos, posts, reuniões e telefonemas. Tudo no bom e velho esquema. Correria, vida que segue em velocidade estupidamente contra o relógio. Compromissos, bate-papos, broncas e dead lines literalmente dead. E eu, vivo aqui no stress, no limite das pendências. Por que eu não quis ser médico? Não reclamo, me espanto e sigo pronto pro bailar do vento na janela do ônibus lotado, rumo ao subúrbio. Por que eu não nasci em Copacabana? Sei lá, destino certo com o acaso.
Rabisco umas linhas pra vocês e fico feliz ao saber que muitos ainda me lêem. Descalço no pensamento alvo, encaro a noite negra e rabisco idéias pro dia seguinte. Assovio versos do Radiohead, cantarolando acordes inexistentes do meu mundo real. Imagino o rosto da minha amada sorrindo e no fundo da alma um mar límpido. Os pés quase sentem pisar em conchas e flutuar na melodia da maresia praiana. Pela manhã fui um, à noite sou outro. Personagens de minh’alma. Sei tudo sobre a felicidade passageira. Hoje, apenas ensaio sobre a alegria de um dia normal.

Entry filed under: Ácidos.

Permita-se Caminhos

9 Comentários Add your own

  • 1. Lubi  |  março 28, 2007 às 8:38 pm

    Compromissos, bate-papos, broncas, prazos, Radiohead, All Star preto velho. Coisas em comum, pensamentos. Por que não nasci em Copacabana?

    Responder
  • 2. Carol Marossi  |  março 28, 2007 às 8:47 pm

    Oi, gostei das tuas paisagens! Voltarei mais vezes, ainda que não tenha nascido em Copacabana.

    Besitos!

    Responder
  • 3. Girassol  |  março 28, 2007 às 10:36 pm

    Correrias, pressa, perguntas sem resposta.. tudo faz parte da vida do mais comum dos mortais. E para isso, tanto faz nascer em Copacabana, em Nova Iorque ou Lisboa.
    Mas, a forma como encaramos tudo isso, essa sim, depende apenas de cada um de nós, e se no fim de todo esse contra-relógio, ainda houver um espaço para sorrir, pensar em coisas boas e reparar na alegria de mais um dia, então sem dúvida que se está a fazer alguma coisa bem.

    Beijos.

    Responder
  • 4. BinhoSampa  |  março 28, 2007 às 10:44 pm

    Maneiro o seu blog, com ótimos textos…vou vir com mais tempo….

    Abs e Inté.

    Responder
  • 5. Ivã Coelho  |  março 28, 2007 às 10:52 pm

    No vento e no balanço do lotação, desejos e sonhos são alimentados, alguns perdidos no empurra-empurra, outros fortalecidos.

    Abçs fartos.

    Responder
  • 6. Sônia  |  março 28, 2007 às 10:58 pm

    Lindo estado de espírito!

    Boa noite.

    Responder
  • 7. Anônimo  |  março 28, 2007 às 11:27 pm

    Lindo seu texto… descreve seu infinito particular… permitindo que nós, leitores,, possamos nos identificar, admirar, ou apenas tomar conhecimento…

    =)

    Dá prazer ler o que escreves!

    Espero ler-te por muito tempo!

    Estou participando de um projeto literário com alguns colegas, – Onabru – UrbanO – se um dia quiser visitar, será muito bem vindo!

    Beijo Grande!

    Responder
  • 8. Milene Maciel  |  março 28, 2007 às 11:28 pm

    Desculpa, esqueci de assinar…
    =)

    Beijos !

    Responder
  • 9. aguas da vida  |  março 29, 2007 às 12:39 am

    Parabéns pelo excelente trabalho, adorei seu blog.
    Uma linda quinta-feira para ti.
    Big Kiss

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:


%d blogueiros gostam disto: