Archive for março, 2007

Caminhos

Caminhos Retornei da eternidade com as mãos abanando, vazias. Devo abrir os braços pelo caminho quando lhe vir sorrir. E me perder na imensidão de sua aura, pedir perdão, ajoelhar aos seus pés e depois me desculpar por ser assim, tão estúpido. Irracional, descalço na minha sola de barro, deixo a irresponsabilidade pra trás e faço nascer no peito um novo eu. Nu, agora. Meus versos de vidro se quebram pela poeira da estrada errada, e os cacos no chão são apenas as velhas frases feitas, prontas, esquecidas pelas rimas de outrora. Outono bate à porta, folhas caem e eu não me abandono. O meu desenredo vira música erudita com flautas mágicas de ninfa. Orquestra da natureza, sem flor nem poemas para colher. Regar as raízes da sabedoria pra me reconstruir. Conjugo palavras de sol com o sabor de terra molhada pelas gotas de orvalho. Pausa, pouso de pássaros trazendo a aurora. Renascimento. Não deixo mais meu coração ao relento. Parti, mas soube voltar.

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março 29, 2007 at 12:23 pm 17 comentários

Ensaio Sobre a Alegria

Ensaio sobre a alegria Bastava uma fresta na janela pro sol anunciar a sua chegada. Coço a barba falha de quarta-feira e abro a cortina, deixando o astro rei radiar goela a dentro. Descalço, caminho até o banheiro solitário. Eu e minha cueca de R$19,90 ilustrada com o Homer Simpson. Chuveirada, navalhada e meias finas. Traje pseudo-social sem compromisso com a moda rústica. Torço pra vir a quinta e sexta informal, para a passarela da rotina virar palco pro meu velho e surrado All Star preto. Textos, posts, reuniões e telefonemas. Tudo no bom e velho esquema. Correria, vida que segue em velocidade estupidamente contra o relógio. Compromissos, bate-papos, broncas e dead lines literalmente dead. E eu, vivo aqui no stress, no limite das pendências. Por que eu não quis ser médico? Não reclamo, me espanto e sigo pronto pro bailar do vento na janela do ônibus lotado, rumo ao subúrbio. Por que eu não nasci em Copacabana? Sei lá, destino certo com o acaso.
Rabisco umas linhas pra vocês e fico feliz ao saber que muitos ainda me lêem. Descalço no pensamento alvo, encaro a noite negra e rabisco idéias pro dia seguinte. Assovio versos do Radiohead, cantarolando acordes inexistentes do meu mundo real. Imagino o rosto da minha amada sorrindo e no fundo da alma um mar límpido. Os pés quase sentem pisar em conchas e flutuar na melodia da maresia praiana. Pela manhã fui um, à noite sou outro. Personagens de minh’alma. Sei tudo sobre a felicidade passageira. Hoje, apenas ensaio sobre a alegria de um dia normal.

março 28, 2007 at 12:06 pm 9 comentários

Permita-se

Permita-se Essas linhas eu dedico para todos aqueles que se permitem errar. É, errar mesmo.
Vou citar qualquer palavra que rime em poesia só pra satisfazer as tolas meninas que se iludem com o abstrato amor. Vou escrever hoje para os bobos que sabem que são idiotas e talvez por isso sejam menos cretinos que eu. Para o desempregado talentoso que não tem a oportunidade de mostrar seu dom, por não possuir no currículo o comprovante da sua arte. Falar que amo as putas, que bato papo com os mendigos e escrevo prosas distintas esperando um dia publicar um livro. Para todos, sem discriminação. Vou contar histórias sobre a estória, cantarolar cantigas de roda e me esconder por de trás do meu óculo escuro. Os de grau, deixo sobre a mesa para comer a sobremesa de anteontem no freezer. A azia que me toma o estômago não vai impedir que eu escreva pros monges, as histórias fúteis sobre as guerras. Vou narrar fantasia chula para todos aqueles imundos como eu, que já magoou uma mulher e não pagou a conta do mais fuleiro motel. Redigir para aqueles que almejam pular de boogie jump, do penhasco em busca do horizonte ou na cama, num corpo quente de amante.
Pra você que chorou por medo do trovão, pras meninas que acordam no meio da noite chorando e para o cafetão que conta seu dinheiro sorrindo. Para nós, que queremos explodir por sonhar utopia. Pra eles que querem viver, amar e ler poesia. Encerro meu post sem ser clichê e digo a você que morrer feliz é somente sabendo que realizamos todas as nossas vontades. Que curtir a vida é na verdade saciar todas as nossas paixões. Gozar a vida é provar do doce e do salgado, é desfrutar o odor da existência. Saciar o beijo em quem nos ama e não dizer “te amo” em vão. Mas, eu sou igual a vocês. E essas linhas eu dedico para todos aqueles que se permitem errar. Como eu.

março 26, 2007 at 11:25 am 11 comentários

Jardins da Mente

Jardins da Mente Ela senta ao meu lado e logo se aconchega no meu largo ombro. Resmunga algo sobre o amargo gosto da desilusão. Escuto calado, ouço em silêncio. Ela fala de problemas amorosos e de inúmeros romances falhos. Gagueja histórias de noites solitárias e madrugadas vazias. Linda, como uma flor. Agora, desfolhada pelos infortúnios da vida em rituais clichês de bem e mal me queres. Seus rubros lábios escondem agora o radiante sorriso alvo. Esqueceu-se de que o sofrimento de agora também é por culpa de seus espinhos. Eu a rego com minhas palavras de conforto e com o aconchego de meu abraço macio. Para ela agora, resta apenas aguardar por mais uma primavera. Para mim, apenas a esperança eterna de que ela me enxergue como seu jardineiro.

março 21, 2007 at 5:55 pm 11 comentários

Lembranças de um Doce Cafuné na Cuca

Minha vida é tão doce e sutil. Apesar dos desencontros fúteis e os encontros casuais. E eu sempre me perco e me acho no amor, na admiração, no gostar de algo e até mesmos na falta de afinidades. Até mesmo com meu eu. E os tristes pensamentos se vão com o balanço da solidão. Sinto saudade do colo que um dia repousei. Que um dia também foi meu. Agora, apenas lembranças do bom que ficou. Memórias de ilusão e pensamentos em vão. Presente carente, sua falta tão ausente. Sinto dor no peito, na alma. Sou amante da sua sombra na minha luz. Um dia, no céu, um reencontro. O carinho e o afeto de quem nunca quis viver neste abandono. Nostalgia eterna.

março 19, 2007 at 2:40 pm 8 comentários

Sapatos Feitos de Isopor e Saudade

sapatos de isopor Suspiro e respiro na hora em que preciso descrever em linhas, os sentimentos meus. Inspiro-me nos vai-e-vem da vida, nos brandos versos das meninas lindas e no barulho do desembrulho dos presentes aguardados. Calo na ponta dos pés ao percorrer os caminhos da chuva com sapatos feitos de isopor e saudade. Insanidade. Abraço o infinito no espaço dos amigos que faço ao decifrar segredos guardados na minha mente sã. O céu incendeia o azul-laranja quando o sol mostra a sua cara e enxota a lua e as estrelas para brilhar um novo sonho. Lá de cima, Deus percebe que ninguém além de mim apreende o bailar dos pontos transparente de energia cósmica. Talvez esse seja o segredo em minhas palavras doidas que me ajudam sempre a ressuscitar.

março 14, 2007 at 11:44 am 9 comentários

Hoje é Para a Marida

O clima ainda lembra o início do nosso namoro. Talvez nossa história tenha começado num “Era uma vez” e ainda estamos vivendo intensamente cada momento para terminá-la com um final realmente feliz. São quase nove anos de relacionamento e três dormindo e acordando ao seu lado, todos os dias. E ainda conservamos o mesmo sentimento daqueles minutos do nosso primeiro beijo. Ainda lembro que ventou demais naquele momento. Ventos de paixão instantânea que logo virou amor. Desde então vivemos sorrisos, toques, olhares, deboches, cheiros, cores, gostos e gozos, E saciamos pele, nuca, saliva e poros. Sempre de mãos dadas na nossa estrada. Matando as vontades de boca, língua e beijo. Abençoados pela lua, sol, estrelas e chuva. Por tudo. E sei que ela me atura assim como eu a tolero. Sei que nos suportamos por que o sentimento é maior que nossas tolas manias. Porque somos entorpecidos por nós. E com isso a nossa vida ganha cores e contrastes com a sensação de eterna satisfação. Vivo e amo hoje como nunca. Como sempre desejei viver. E é no seu abraço onde eu me permito estar preso, pra sempre.

Bel Para a minha musa eterna, Isabela

março 13, 2007 at 3:04 pm 2 comentários

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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