Reconstruindo a Biografia

fevereiro 9, 2007 at 1:09 pm 4 comentários

Ah, que saudade dela! Paquerava o seu sorriso brilhante ao me escutar tagarelar bobagens. Meus olhos sempre atentos a cada movimento do seu bailar magnífico. E eu queria tanto decifrá-la. Não pude. Me faltou coragem. Sobrou-me respeito. Não ousei ser mais do que eu pensava ser pra ela. Acovardei. Mas dela, guardo o rascunho da minha lembrança mais colorida naquela cidade sempre cinza e nublada. Os carros velozes passavam ao nosso lado ensurdecendo as nossas emoções. Não poderia ter deixado de balbuciar no pé de seu ouvido uma poesia clichê. Só para entreter. Nem que fosse por apenas três dias escassos de uma paixão repentina. Pois, dela fiz um livro guardado pra sempre na minha biblioteca chamada coração. E leio-a sempre pelo último capitulo para nunca esquecer o seu fim. Sei que ela anda assustada com o sonho de um capítulo passado, onde as mensagens do presente resgatam cada pontuação de nossa ligeira relação. Sei que é difícil não me lembrar de cada capítulo. Apesar de toda a história ser conjugada apenas no pretérito. Mesmo que ela não esteja na minha cabeceira, retorno à minha biblioteca e tenho a esperança de inseri-la em meu prefácio. Citando um afago, um carinho ou as ardências em cada parágrafo, vírgula e crase. E que as nossas palavras deixem neste livro as orelhas e histórias que nunca terminarão em um ponto final.

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Esqueça o seu Mundo Sem Você Não Existe Hoje

4 Comentários Add your own

  • 1. Juliana  |  fevereiro 9, 2007 às 4:33 pm

    Nada termina em ponto final… chama ela pra ler com vc!!

    beijo

    Responder
  • 2. Cily  |  fevereiro 9, 2007 às 5:23 pm

    Adorei esse post! 🙂

    P.S: Vicia sim, muuuinto! E isso é problema, viu?

    =**

    Responder
  • 3. Angel Cabeza  |  fevereiro 9, 2007 às 8:58 pm

    Fala Bruno, tudo bem?
    Venho agradecer a sua visita em meu blog. Um pouco atrasado, claro, mas lembrado.
    Gostei também do li por aqui. Todos nós somos reescritos a cada dia. Nós não construímos, somos construídos.
    Abraços,
    Angel Cabeza
    http://www.angelcesar.zip.net

    Responder
  • 4. ELIANA.  |  fevereiro 9, 2007 às 11:35 pm

    Oi Bruno, linda, linda mensagem!!…eu persisti ,só poderia ter ou vírgula ou nada, nunca um ponto final!!Sim…insistimos, insistimos e assim vamos vivendo, com a mais doce esperança…de nunca aparecer esse ponto final!!Bruno, tudo de bom a você!!Um abraço!!

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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