Esc

janeiro 11, 2007 at 1:06 pm 2 comentários

Ela era tímida. Não conseguia expressar seus verdadeiros sentimentos ao vivo, cara a cara. Colocava o que sentia numa folha de papel, num e-mail, numa mensagem qualquer de programa cibernético. Frágil, doce, quente e má. Poderia ser todos os personagens que quisesse, bastava estar camuflada em seu computador. Mas, frente a frente ela travava. Emudecia, engasgava. E foi assim que ela me escreveu a seguinte covardia:
“Querido, se eu tivesse lhe conhecido em outra ocasião, tudo poderia ter sido muito diferente. Talvez, eu pediria o seu e-mail pessoal, ou até mesmo o número do seu celular para lhe enviar uma mensagem. Mas nunca, nunca conseguiria esperar até o sol se pôr novamente. E minha noite foi tão longa. Queria lhe escrever tantas coisas novas, mas, talvez você não estivesse preparado para a minha inovação. Imaginação. Não seria nada muito clichê. Se eu lhe visse passar assim tão radiante em outra ocasião, saberia que preferes o céu e o mar com sua brisa. As manhãs preguiçosas dos domingos e as tempestades de paixões repentinas num canto de coração qualquer. E eu aqui calada teclando berrando, querendo descobrir o colorido dos seus beijos, o gosto do seu cheiro. Mas, tenho medo. Ansiedade. Fico surda com seu olhar gritando magia, muda com sua voz de harpa dedilhando minhas cordas vocais. Bom, então queria lhe dizer que és a inspiração para os meus poemas e, somente só. Fisicamente não lhe desejo. Senão acaba a mágica. Só há um porém: se eu tivesse lhe conhecido em outra ocasião, tudo poderia ter sido muito diferente”.

Entry filed under: Ácidos.

Sem Freio de Mão Por hoje, talvez só

2 Comentários Add your own

  • 1. Chandelinho  |  janeiro 14, 2007 às 3:18 am

    isso que é paixão platônica….cada dia melhor!
    beijo

    Responder
  • 2. ** Mellinda*Krisztina **  |  janeiro 14, 2007 às 9:10 pm

    E chego até alguém que seus escritos se parecem com uma maldita…
    Volto pra lê-lo melhor.

    Beijos.
    Mel em cima.

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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