Equívoco Covarde

janeiro 5, 2007 at 10:43 am 1 comentário

Olhou o copo de uísque, tragou seu último cigarro e pensou que aquilo era como todas as coisas que devem certamente acabar. Um último gole rasgou garganta adentro e ele abriu as cortinas e a janela em busca de claridade. Clara idade. Lembrou-se que os grandes amores se foram e de todos os caminhos percorridos durante sua jornada na vida. Tudo estava desenhado na palma de sua mão, como a cigana falou. E ele, envolvido nos prazeres do mundo, deixou o que é bom escorrer entre os seus dedos. Tal como areia. De repente, a brisa já não era tão suave e o peito já não queimava mais paixões. Coração sem o palpitar de um amor. Era ele e os sussurros da alma. Vazio como o mundo inciso em seu coração. Sabia a distância do sol. Enxugou as lágrimas e se deixou flutuar, bem acima das nuvens. Conhecia os seus equívocos covardes.
O barulho das sirenes ecoava pelas esquinas. Ambulância, polícia e pedestres perplexos com a cena. Um corpo caído na calçada. Nu. Um cadáver de homem em silêncio com o seu mundo. Nu. A carcaça sem alma. Nu. O defunto morto por dentro e por fora. Despido de aura, sonhos e de vida. Porque nada nesta jornada é para sempre. Nada é eterno, exceto as memórias.

Entry filed under: Ácidos.

Pintou 2007 Sem Freio de Mão

1 Comentário Add your own

  • 1. Patti Dce  |  janeiro 7, 2007 às 9:04 pm

    às vezes até as memórias nos traem…

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
----------------------------

Os textos deste blog estão protegidos pela lei nº. 9.610 de 19-02-1998.
Não copie sem permissão.
[Ácido Poético® - Todos os direitos reservados]

http://www.twitter.com/cazonatti

ø Textos Protegidos por Direito Autoral ø

Creative Commons License
Ácido Poético by Bruno Cazonatti is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at Ácido Poético ®.
Permissions beyond the scope of this license may be available by: cazonatti@gmail.com

Às vezes balbucio algo no Twitter:


%d blogueiros gostam disto: