Archive for janeiro, 2007

Copo de Vidro de Requeijão Sujo

Bafo quente, no peito o sentimento ausente. Ela puxa o último cigarro e se envolve na fumaça ao redor. Queimando. Menina mulher tola, perdendo a viagem. Esqueceu sua sanidade na mesa de um bar qualquer. Gole na quente cerveja, pra longe ela atira a vazia latinha. Junto com seus sentimentos. Ela sente que o amor é um longo e errado caminho num dia gelado de inverno rígido, estilo europeu. Sacia seu tesão nos braço de um qualquer. Sexo suor sem sentimento, tudo com a letra S em seu dicionário. Saudade. Dos tempos que era menina pura, das manhãs de prece na igreja aos domingos. Agora ela está tão longe da graça. Não sabe a magia do beijo dado por um ente querido em seu rosto. Vende-se em qualquer esquina. Paranóia de perfeição com a onda anorexa das meninas imbecis. Otária. Sentada sozinha no meio fio com o dedo na garganta. Sai de dentro os restos de sua vontade e desejo. Ela acredita que esse é um bom remédio. Tola, fútil. Levanta e caminha pelos becos das lembranças em sua mente. Coça o braço sarnento. Ela está sozinha agora. Os amigos são apenas os que se aproveitam e se deleitam quando necessitam de algo em troca. Mas, no fundo, você sabe o antídoto pra sua doença banal. O amor. Onde está ele? Você precisa lembrar-se do gosto e do cheiro. Experimente-o novamente. Ah mulher, você sabe os ingredientes pra isso. E o seu amor é como um bom e velho vinho, guardado, aprimorando o sabor. Pena que você não saiba servir a quem merece, e quando acha que sabe, derrama-o sobre a mesa da vida e dá de beber num copo de vidro de requeijão sujo. Sem taça, sem alma.

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janeiro 30, 2007 at 11:23 am 2 comentários

Sobre aquilo que eu ainda não sei

Dirigindo na velocidade dos meus pensamentos, o vento estupra meu rosto e eu não quero saber de nada muito certo esta noite. No rádio o rock não é balada e o som distorcido da guitarra me faz refém de meus sonhos de metais. Vou rumo ao meu tempo doido da sexta-feira insólita. Meus amigos estão em todas as partes. Os instantâneos, os de sempre, os antigos e os que ainda vão ser pós-ladainha maluca de minha louca cultura arcaica. Sem nenhuma regra, sem juízo. Apenas os flashes emitidos pelos pardais a cada infração besta de rodovia vazia. Ninguém. Pra dizer o que fazer, pensar ou agir. Só eu e mim. Álcool, música, dança, flertes, papos ralos, vida que segue. Estrada sem limites. Bêbado, insano, voraz, sagaz. Entro no boteco consciente da minha inconsciência e peço uma gélida cerveja. Babo pela linda ruiva loira, quase que morena, no canto do bar fumando um beck despreocupadamente lúcida com quem possa chegar para autuá-la. O reggae curtido invade o recinto e contempla nossas mentes com as mensagens de Jah. Balbucio “Garçom, completa o meu copo!” e acordo com um tabefe no lado esquerdo vermelho do meu rosto rechonchudo. Devagar abro os olhos e vejo a cara dos meus problemas que não fogem, apesar do teor etílico em meu sangue e mente. A verdade é a melhor pancada no meio da cara pra sabemos que do nada vamos e viemos. E eu já fui, faz tempo. Seu e dela. Agora sou simples assim, só de mim.

janeiro 26, 2007 at 4:57 pm 3 comentários

Fez-me estúpido

Tragou-me como um cigarro do seu maço. Embebedou-me com seu perfume. Embriagou-me com seu cheiro. Devorou-me com seu olhar, atiçou-me com seus lábios. Todos os lábios. Sufocou-me com o seu gemido, me prendeu entre as suas pernas, matou a sua vontade com minha libido. Estou de ressaca com seu feitiço. Amarrou-me como sua presa, na cama. Provou-me, usou-me, abusou de todo o meu ser. Entregou-me o seu ventre, navegou em meu mar ardente. Possuiu meus poros, arrebatou-me. Me sugou, me engoliu. Deu-me o seu ouro, me fez um tolo seu. Todo. Supliquei, implorei. Deleitou-se de mim. Gozou de mim, me gozou. Prendeu-se em mim, atou-me em seu seio. Pegou suas roupas e se foi. Cuspiu-me. Deixou-me só na cama a deriva. Eternizou-se na memória. Vadia.

janeiro 23, 2007 at 11:18 am 3 comentários

Para construir com meus risos, o seu sorriso.

Sabe moça, notei claramente esse brilho no seu sorriso. E essa constelação intrínseca em seus olhos me faz ser um astronauta perdido no seu espaço. Eu fico estagnado, procurando neste seu céu azulado, cometas e estrelas cadentes. Devagarzinho, o reflexo do sol se mistura aos seus raios de aurora e cobre seus olhos com um colorido arco-íris. Basta eu mergulhar na sua alma. E eu não procuro pelo pote de ouro. Você é a mais valiosa de todas as riquezas. E, se a minha ausência lhe entristece a aura, eu volto correndo. Para construir com meus risos, o seu sorriso. Minhas palavras chulas e bobas que lhe fazem gargalhar uma paixão instantânea. E sou eu quem preso permaneço com o seu feitiço. Magia doce misturada ao salgado de nosso suor quando juntos, vamos passear na lua. Mas, percebo que toda vez que eu vou embora, uma nuvem se forma no cantinho da sua pupila.
Uma brisa triste sopra uma lágrima de chuva no seu olhar. E trovões seguidos pelos raios de melancolia clamam pela minha previsão do tempo. Sol. Então eu lhe trago na bandeja o meu coração guarda-chuva e vamos caminhando juntos por entre as poças d’água de saudade

janeiro 17, 2007 at 11:19 am 3 comentários

Por hoje, talvez só

Não muito Ácido
Talvez por hoje
Pois, o tempo corre veloz
Mudança alguma
Andança
Anda, não dança
Baila
Venda nos olhos
Segura a minha mão
Leva-me para pisar no teu abismo
Leve
Ata-nos
Mão na mão
Coração Partido
Ferido
Sem amar, não sofro
Sem enxergar
Nada sei
Não te vejo
Sinto
Loucura essa minha
Tentar te esquecer
Absurdo
Maldade
Insensatez
Não muito Ácido
Por hoje, talvez só

janeiro 15, 2007 at 11:01 am 3 comentários

Esc

Ela era tímida. Não conseguia expressar seus verdadeiros sentimentos ao vivo, cara a cara. Colocava o que sentia numa folha de papel, num e-mail, numa mensagem qualquer de programa cibernético. Frágil, doce, quente e má. Poderia ser todos os personagens que quisesse, bastava estar camuflada em seu computador. Mas, frente a frente ela travava. Emudecia, engasgava. E foi assim que ela me escreveu a seguinte covardia:
“Querido, se eu tivesse lhe conhecido em outra ocasião, tudo poderia ter sido muito diferente. Talvez, eu pediria o seu e-mail pessoal, ou até mesmo o número do seu celular para lhe enviar uma mensagem. Mas nunca, nunca conseguiria esperar até o sol se pôr novamente. E minha noite foi tão longa. Queria lhe escrever tantas coisas novas, mas, talvez você não estivesse preparado para a minha inovação. Imaginação. Não seria nada muito clichê. Se eu lhe visse passar assim tão radiante em outra ocasião, saberia que preferes o céu e o mar com sua brisa. As manhãs preguiçosas dos domingos e as tempestades de paixões repentinas num canto de coração qualquer. E eu aqui calada teclando berrando, querendo descobrir o colorido dos seus beijos, o gosto do seu cheiro. Mas, tenho medo. Ansiedade. Fico surda com seu olhar gritando magia, muda com sua voz de harpa dedilhando minhas cordas vocais. Bom, então queria lhe dizer que és a inspiração para os meus poemas e, somente só. Fisicamente não lhe desejo. Senão acaba a mágica. Só há um porém: se eu tivesse lhe conhecido em outra ocasião, tudo poderia ter sido muito diferente”.

janeiro 11, 2007 at 1:06 pm 2 comentários

Sem Freio de Mão

Deixa-me acelerar na sua auto estrada. Sem medo. Apague o sinal vermelho e acenda o verde pra me deixar passar. Não coloque pardais para controlar a velocidade quando eu percorrer as suas curvas. Retire os quebra-molas para que eu nunca reduza a minha velocidade. Sem receio. Remova as placas de sinalização pra que eu, sozinho, possa encontrar o melhor caminho para o seu prazer. Não me peça para frear. Deixe pra trás a poeira e o passado fica no retrovisor. Não tenho medo de ajustar o motor pra entrar no seu caminho. Não tenho temor pelo guarda. Deixo-me multar por você. Não me dê os limites da sua velocidade. Deixa-me rodar no seu asfalto, fazer você gastar todo o meu pneu. Não me largue no acostamento. Quero atropelar e ser atropelado com toda a nossa vontade. Rapidez. Sem lentidão ou tráfego intenso pra colidir em cheio com seu coração

janeiro 8, 2007 at 12:54 pm 2 comentários

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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Às vezes balbucio algo no Twitter:

  • Aos trancos e barrancos, isso aqui é @Flamengo! 2 weeks ago
  • O @Flamengo não jogou NADA o ano inteiro. Não tem poder de decisão algum. Mas vamos lá nos iludir com o "ano mágico 2018". 2 weeks ago
  • Vamos torcer pros caras honrarem o polpudo salário em dia e classificar nessa competição pra, ao menos, termos um prêmio de consolação 2 weeks ago
  • Parece que as pessoas se contentam com a porra de um Carioca e acha que o resto vem na sorte, vem no "deixa a vida me levar"... 2 weeks ago
  • Quase não tenho usado o Twitter, porque me torno repetitivo e parece que os meses, os anos, não passam. Tudo a mesma coisa. 2 weeks ago