Maré da Vida

dezembro 13, 2006 at 11:43 am 5 comentários

Ele estava estagnado, de frente pro mar. Parecia um náufrago em sua ilha deserta em busca de uma fuga pelo horizonte. O barulho das pessoas ao seu redor era surdo como as batidas do seu coração. Estático, observava o bailar de um pássaro alvo no vai e vem entre um mergulho e outro no dorso do oceano. Enquanto a ave caçava seu peixe para satisfazer a fome, ele procurava saciar suas interrogações sob o reflexo do sol na água.
Ao ver um brilho diferente descendo pela onda até a beira da areia, correu até o resto de espuma e observou aquela garrafa velha e enferrujada com um papiro envelhecido dentro dela. Uma mensagem de Netuno? Pensou quase em voz baixa e balbuciou pra si as velhas palavras de um marinheiro amante do mar “Ninguém é mais que um peixe entre o anzol e a isca”. Arrebatou com seus dentes a rolha e arrancou aquele papel da garrafa. Uma mensagem que mudaria pra sempre sua vida. “A felicidade é contingente como as ondas”. Leu e colocou de volta no frasco. Fechou os olhos, agradeceu ao seu Deus e jogou com força a garrafa de volta ao mar. Deixou pra trás, junto com as pegadas na areia, todas as suas dúvidas, A maré se encarrega das respostas.

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Pra início de conversa Germinando Aurora

5 Comentários Add your own

  • 1. Vitório Vilas  |  dezembro 13, 2006 às 1:37 pm

    .

    olá, colega. agradeço o comentário e adiciono você a minha lista também. belas passagens.

    um abraço.

    Responder
  • 2. Julio Lagedo  |  dezembro 13, 2006 às 2:04 pm

    Atualizei os favoritos….

    Vela leva seta tesa
    Rema na maré
    Rima mira a terça seta
    E zera a reza

    Responder
  • 3. Julio Lagedo  |  dezembro 13, 2006 às 2:06 pm

    terça certa

    Responder
  • 4. Edna Feitosa  |  dezembro 13, 2006 às 5:26 pm

    Bruno, estou emocionada com o conto (ou crônica?) “Maré da Vida”! Muito linda a lição nele contida.
    Peço a sua permissão para colocar este texto em meu site, nos textos dos Amigos, com os devidos créditos, claro!

    Um grande abraço e muito obrigada por suas palavras em nosso fotolog Artes Paralelas. Fiquei feliz!

    Edna

    Responder
  • 5. Nanna  |  dezembro 31, 2006 às 1:10 am

    Que linnndo seu escrito… E é como deve ser, mesmo…

    Um beijo…

    Responder

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O Poeta Corrosivo:

Bruno Cazonatti - Carioca, balzaquiano. Um redator feito de resto das estrelas, que insere neste espaço os seus textos e segredos de muitas lembranças caladas, rascunhos amassados e a poeira dos pés da sua curta estrada.
Faz poesia barata com seus segredos revelados em textos compostos de desejos implícitos, e apimenta suas letras mudas, com contos imaginários, salpicados da acidez que aparece entre raios de sol e a tempestade de palavras com aroma de chuva.
Tudo isso, bem misturado às mensagens rabiscadas na essência da sua vida.
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