Capaz, rapaz.
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Eu estava nas nuvens.
O céu me roubou o fôlego e minhas forças.
Tudo cinza sem azul.
Não, eu não vou começar poesia.
Sobre amor eu não escrevo.
Desacredito.
Paixão é mulher nova.
Sabor refrescante.
Carioca? Mineira? Gaúcha?
Terra. Gosto de terra.
Boas, como cevada, cachaça e chimarrão.
Sem vinho.
Ruim é carta de adeus que não se remete pelo Correio.
Só para debochar vem por e-mail.
Tchau.
Motivo covarde?
Sei lá.
Talvez seja o gosto amargo que lhes deixei na boca.
Marcas roxas nas coxas.
Se você cede, elas invadem.
Entregou o seu coração de bandeja, ô babaca?
Elas deitam e rolam.
Ah, mas homem não tem sentimentos.
Todos querem xoxota.
Será?
Mentira, eu pelo menos olho na alma.
Balela!
Só porque faz tempo em que você não se apaixona.
Tem hora pra isso?
Vinte e uma e trinta na porta da minha casa.
Minhas noites deveriam ter 48 horas.
Dou um passo e já não estou mais no mesmo lugar.
Mesmo indo de táxi.
Tem troco pra cinquenta sem trema?
Não pago com nota irlandesa.
O mundo continua lá fora.
Ela continua lá.
Longe.
Em menos de uma semana a gente esquece.
Nem vou despachar a bagagem.
Uma chance em mil de voltar.
Stand Up!
E mais um dia se foi.
Já nem tão escuro, pois sempre amanhece.
Meio azul sem cinza.
Com o chão devolvendo o sopro e a energia.
4 comments Setembro 21, 2009
O Resto do Mundo
Usava suas ideias para sobreviver. Estátuas de metal, material nobre feito com as latinhas em cobre. Figuras difusas de uma mente libertina. Salientando os pontos mais fracos da ordinária melancolia. Sem tinta, apenas com as cores da central. Submundo da cidade silenciosa após mais um dia de rotina. Tudo assim meio jogado aos farrapos, cobrindo a vergonha com jornal velho e papeis amassados. Pelo menos sana o frio. Proteção divina em forma de papelão, um guarda chuva essencial para os pingos mais gélidos. Qualquer calçada da rua com marquise serve como abrigo.
Os transeuntes vão e vem. Coitado, virou paisagem comum da grande metrópole, quase um ser imperceptível. Antes usasse gravata italiana cara e terno de linho, um executivo manipulado pelo poder capital. Menos mal. Apenas as crianças o reparam, pois a ingenuidade não compreende o descaso social e o acostumar de retinas. Todos bem habituados. De certo causava repúdio e ,nas madrugadas, até medo. Principalmente nas moças, com medo de estupro. O asco é o salário do pedinte.
O prejulgamento que é foda. Tudo bem que até o viralatas o largou e hoje a cachaça é a sua única amiga. Mas, jamais perguntaram de onde ele veio ou como surgiu. Porque nascer nesta condição não significa permanecer imóvel ali para sempre. E é nestas horas que o peito arde e o coração aperta. No fundo dos restos que ainda lhe sobrava, uma foto amarelada e maltratada pelo tempo. Um rosto feminino com dedicatória no verso, quase ilegível. Nunca o indagaram sobre a sua paixão. E, covarde, não morreria por tal sentimento. Até ele, um imundo mortal, também deixou de acreditar no poder que tem o amor. Agora só lhe sobra o resto do mundo.
1 comment Setembro 16, 2009
