Cais
janeiro 16, 2012 at 4:35 pm Deixe um comentário
Entrego-me ao mar e ao bailar das ondas. Deixo a maresia entorpecer o sentimento que antes parecia estar à deriva. Pescador que sou, jamais me deixei afogar em maré brava. E mesmo quando me afastei do porto seguro por conta de correnteza falha, jamais me esqueci de como é tão bom pisar em terra firme.
Resgatei-me a tempo de me livrar dos mariscos que afetavam o casco. Icei velas mais fortes em tempos de ventania, foi-se a tormenta e agora vivo dias melhores de brisa. Branda e fresca. E mesmo que um sopro de pensamento traga memórias daquilo que não foi sentimento, reforço o nó na âncora a tempo. Pois da rota nunca mais me desvio. Foi-se o que jamais deixou de ser espuma entre o cais e o navio.
Bruno Cazonatti
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