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Está bom ou falta Sal
Às vezes é bom agradecer por existir limites, pois nunca se sabe onde vai dar o infinito. Ela, que também nunca soube o tamanho do céu, tem plena certeza de que até as estrelas deixam de brilhar quando é hora do sol. Penumbra é dar voltas na mesma frase, sem palavras novas que remetam à falta de luz. E tem os atalhos, como aquele da cigarra. Ora, todo mundo sabe que quando ela canta, um dia quente amanhã virá. Nem é preciso bola de cristal.
Não dá para ser feliz sem ter alguém que nos cause soluços. Ela sabe disso. Sente a falta daquela queimação no peito e ansiedade na véspera de um encontro. Mas, há cautela. Não dá para ser frágil a vida toda. Ah, se ela soubesse o que os homens cochicham entre si… Todos bobos e safados. É da natureza, fazer o quê? Mas, quando eles amam de verdade, é tão discreto tal prato de canja quente em dia frio. Não espalham e não sussurram se está bom ou falta sal. Nem deixam derramar uma gota!
Mas há um problema: ela não gosta de letra ilegível. Mesmo que haja coragem e vontade, é preciso treinar os traços em caderno de caligrafia. Tudo bem que não é para ser tão exigente afinal, qualquer um faz poesia com as palavras erradas que se tornam certas para quem as lê. Imagina ser cega e não poder ler nas entrelinhas. Ela precisa ser menos exigente e entender que a solidão é uma saudade com endereço escrito à mão em um envelope sem destinatário.
3 comments Agosto 17, 2009
