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Sentimentos Defuntos
A janela fechada atenua o barulho da rua. Sirenes, gargalhadas do bar e todo aquele ruído anoitecido. Eu podia ser mais um no meio do crepúsculo, mas tenho medo. Pavor das mentes alheias, das mulheres putas e puras, misturadas entre boates, pubs, botecos e esquinas. Todas elas roubam. Ladras! Abrem sorrisos e pernas para me ganhar. A última me levou o coração e agora, só vivo de sentimentos defuntos.
Sujo. Eu sou imundo mesmo. Só consigo me guiar pelas histórias ruins, onde fui coadjuvante. As boas, de protagonista, raramente me dão referência. É aquele clichê que reza o aprender com aquilo que deu errado. Bom mesmo é ser inexperiente, quando se ousa e não há o receio de tentar. Babaca. Eu sou um idiota por saber que, se colocar meu dedo na tomada novamente, levo choque.
Só consigo imaginar a dor. Não dá para resgatar a astúcia, o pioneirismo. Inexiste sentimentos de recém-nascido, suspiros joviais, tipo adolescente estúpido, mas corajoso. “Isso nunca vai acontecer comigo” era um lema, mas hoje já sei até que consequência não leva mais trema. Ficou tudo tão igual, sem graça e com cheiro de naftalina. O peito lateja com uns lampejos de memória.
Imagens amareladas remetendo a pessoas que se foram, sem festa de despedida. Dá até pra fazer um brechó na cabeça com tanta quinquilharia. Perfumes, sabores e músicas que me levam de volta aos momentos de dor e glória. Saudades múltiplas. Não dá para esquecer tudo. Se pelo menos só os momentos bons ficassem… Mas sempre que eu folhear os álbuns de fotografia, vou encontrar tudo de novo. Então, uso o cobertor para me proteger e deixo o abajur ligado, para que ainda reste um ponto de luz, em meio a tanta escuridão.
8 comments Maio 22, 2009
