Archive for Fevereiro, 2009
Sujo e Vulgar
Trabalho demais para ganhar cada vez menos. Mas, a grana ainda dá para pagar o aluguel, as contas e a farinha. Sempre sobrava trocado para as vadias. É por isso que nunca quis compromisso, pois era preciso novos ventres para reacender a libido. Novas pernas e orgasmos. Imaginar as virilhas raspadas já lhe causava espasmo. Nem titubeou. Pegou o celular e ligou para a cafetina. Ainda tinha fome e algum dinheiro em cima da escrivaninha. Bulimia. Pediu duas e queria desconto com uma das ‘primas’. Era cliente antigo, mas não ganhava um bônus. Nem tomava banho, pois sempre estava sujo e vulgar. Insano. Queria pêlos, grelos e gozos. Deleite. Duas piranhas e alguns instantes de êxtase.
As risadas na porta vieram acompanhadas da campainha. Rosto de menina. Uma parecia ter menos de dezoito. E daí? Só pensava em começar logo o coito. Todo mundo tem o direito de foder. Pagando não é preciso muito poder. A loira pediu para usar o banheiro enquanto a baixinha queria finalizar o serviço de modo ligeiro. Teria outro cliente, nada além do corriqueiro. Despidos. Uma de quatro e a outra tirando o vestido. Todas as safadezas permitidas nos próximos sessenta minutos de prazeres fingidos. Línguas, peles, pau e bocetas. Duas contra um é fetiche de menino. Lambidas, mordidas, cheiros e frestas. Homem de tara saciada por duas vagabundas sapecas.
Trabalho bem feito. As moças se foram, após guardarem o dinheiro entre os seios. Sozinho, novamente, daria brecha para os anseios. Matou sua fome, porém tinha sede. Na estante não tinha mais rum. Nem sempre os relacionamentos são repletos de senso comum. Brindou à vida com a água filtrada na garrafa de pinga. Relação perfeita é o saciar da pica. Sem ninguém para amar, ou sentir ódio. Sexo, mesmo pago, é o ópio. Não fazer nada é a pior coisa que alguém pode fazer. Por isso, ajoelhou e balbuciou uma prece a Eros. Grato pelas mulheres do mundo, as que dão o verdadeiro prazer.
7 comments Fevereiro 27, 2009
Medo do Amor
Outro dia bateu saudade, confesso. Acho que eram quase três da manhã. Eu quero tanta coisa rapidamente, antes mesmo de um raiar do sol. Café com pão também está bom. O som da madrugada é mais alto, dá até para escutar os meus ecos. São tantos ‘eus’ dentro da minha cabeça, que fica difícil saber qual a próxima máscara que devo usar. É, isso também depende da folia, pois quando eu escorrego o meu olhar para outro tom, posso ouvir novas melodias.
Quando é que o amor começa? Ele termina? Jamais encontrei um prazo de validade. Na verdade este sentimento não acaba, apenas abandona. Só dou conta desta teoria cretina, quando olho os traços do tempo no reflexo da retina. Dias de dedicação a tudo que seria justo, porém sem ser correto. Decerto, alguém vai me obrigar a seguir normas. Aposta?
Parece que o mundo sempre me pede uma prova, só pra saber se estou feliz. Evidentemente que isso é coisa de Deus, afinal, nem ateu duvida do sentimento casto, que deram o nome de amor. E, atrelado a esta traquinagem divina, está a felicidade. Tem gente que acha que é coisa para mais tarde. Por isso que eu prefiro a paixão. Assim como as chuvas de verão, que chegam sem avisar e as suas gotas inundam o coração.
Eu tomo cuidado para não haver enchente. Pois, quando me torno náufrago, a paixão se transforma em amor. Perigo! Sem placa de aviso ou colete de salva vidas. O amor é invisível e espera sempre que eu esteja desatento para dominar. Por isso, me puno por arriscar o atravessar de ruas. Ainda mais alagadas. Tudo por saber que o amor é um bueiro aberto, escondido em água turva, no meio de uma paixão profunda.
10 comments Fevereiro 5, 2009
