Archive for Outubro, 2008
As Íris do Soberano Céu
A tristeza não vai embora quando a vela acaba de queimar. Tudo não passa de um ritual para atenuar a sensação do mau. O crucifixo é um relicário banhado em ouro, tal tesouro simbólico de religião mesquinha. Mas, enfeita. Da nuca ao peito, o adorno da falsa devoção. Eu sempre tiro do pescoço quando encontro retiro entre as pernas de uma santa meretriz. Meus joelhos não estão com as marcas do arrependimento. Eu sempre contei com a sorte, mas prefiro ver o sol nascer ao norte para ter a certeza que o meu santo é forte.
Dia de Nossa Senhora De Algo ou São Alguma Coisa, só me serve para fortalecer os ritos pobres e para emendar o dia em algum feriado bom. Não sou de crença falsa, nem ateu que profere o nome dos deuses em vão. Não preciso de mantra para saber quem eu quero imaculada. Talvez eu não obtenha uma graça, mas quando meus pés estão na areia da praia, espero a onda do mar me dar sua benção casta.
Peço proteção para qualquer tipo de energia que me ouça. Nem sempre posso ser escutado, mas a cada curva, pedra e desvio que encontro em meu caminho, recebo a clemência de alguma pujança divina. Não sei se mereço, pois os pecados transbordam a cada mandamento quebrado. Assim não adianta encontrar rima a cada Ave Maria. E quando eu sussurro uma pequena penitência olhando nas íris do soberano céu, recebo o indulto por entre as nuvens celestiais.
Eu sei que sou um moribundo aguardando o Altíssimo me puxar a orelha. Também espero que o Espírito Santo compreenda minhas angústias e desesperos, escolhendo todas as desgraças que eu ainda hei de vivenciar com bastante critério e rigor. De repente, este é um dos caminhos para se encontrar a paz, pois já percorro as trilhas de guerra deixadas pela batalha travada entre os meus erros e juízos. Prejuízo seria deixar de rezar o Pai Nosso, porque esta oração ainda me serve como cobertor.
10 comments Outubro 10, 2008
