Archive for Junho, 2008
Barulho das Descobertas Tardias
A alvorada segue e eu não preciso dar corda em meu relógio. O tempo me enforca. As paixões que encontrei pela vida nunca foram decapitadas. Em meu céu não restou estrela, apenas cometas que cruzaram a atmosfera-coração. Tempos em que nuvens formam tempestades de desejo. Eternidade de sentimentos que renovam emoções selvagens com ilusões em beijos de vinho. Memórias que bebem o corpo bem devagar.
A brisa suave traz a música do vento com trilha sonora que só faz ambiente para que eu jamais fique em silêncio. Tipo canção que invade o ouvido e preenche um vazio que a gente não escuta, mas sente. Ventos-canções que não soprei, mas que precisava vivê-los. Muitos repertórios com canções mudas, eternizadas por momentos impulsivos. Assim como o mistério das noites que resgatam a verdade de menino, que sonha o amor em uma cantiga de ninar.
A insônia me ensina a ficar dentro de mim, mesmo quando eu não suporto o sono. E, quando a aurora chega, me mostra que até os erros involuntários são essenciais. Saio da janela arrastando meus pés descalços pelo assoalho frio. Volto à cama quente. Sei que nem toda noite as estrelas brilham, assim como nem sempre consigo dormir em paz. Deve ser porque a paz é barulhenta e eu tenho pavor de ouvir este ruído sem ter uma companhia para adormecer ao meu lado.
16 comments Junho 30, 2008
Umbigos, Virilhas e Pentelhos
Ainda me lembro da minha primeira trepada com a mulher que sequer amei de verdade. Recordo que nunca presenteei minhas paixões com flores, nem dei bombons às amantes em cada noite desmaiada entre seios e anseios por qualquer néctar. É irritante achar que sou um homem vigoroso, apenas por ficar de pau duro. Chulo? Pode ser. Mas não menos sincero que todas as ejaculações banais que nós, garanhões cretinos, costumamos desperdiçar por aí.
Para entender o que é gostar de uma mulher de verdade, eu necessito de um estimulante alucinógeno. Simplesmente para me drogar toda vez que a vida se transforma em algo suportável. Tipo casamento, TPM e vitrines de shoppings. Não se pode quantificar a angústia, ou classificar a dor de quem jamais aprendeu a entender esta espécie sedutora e irritante que só quer amar. Será?
Amor é complexo. Uma palavra-medo que contrai o diafragma e leva o estômago à boca. Eu apenas quero solidão e todas as mulheres ao meu lado. Sou cretino, cruel e apetecido por deltas e olhares fatais. Não quero que ninguém me julgue, por favor. É instinto misturado ao machismo. Tudo lecionado de pai para filho, geração após geração.
Também conheci damas que afirmavam que monogamia é tédio. Outras me deram na cara, porque deixei claro que só queria a xoxota. Palavra de baixo calão! Desculpe, é que eu aprendi que ser educado é ficar em silêncio. Mas eu berro. Ainda não encontrei alguém para fazer com que as palavras sumam. Sei que preciso aprender a ser homem além cama. Tudo para permitir que algum verdadeiro afeto me aconchegue em uma única voz. Que cale a minha fala entre a cama e os olhares. Não adianta, pois sempre que alguma mulher fecha a minha boca, as palavras se entreabrem. Assim como as suas pernas.
18 comments Junho 13, 2008
